.carazinho.
Sabe aquela árvore… Logo ali no gramado? Quem a plantou? E por que ela está ali? Ela é tão convidativa… Tão simples. Solitária. Tão ela… Tão árvore! Será que ela pensa? Será que sente? Será que fala? Será que ouve? Será que abraça?
|18|fevereiro|2009|
(:|:)
.em.holândes.
Krijg binnenkant van je kleine wereld | Hij heeft een geschenk voor u klaar hier | Als u de deur naar eenzaamheid open gaat weg | Ah! baby, en je het mij vraagt: | ‘Als ik de deur zal er licht buiten open?’ | En ik zeg, | ‘Oh, nou, ontdek je dat’ | de deur open. | Neem het risico. | Erase de abajour en kom zie het licht van de maan.
(:|:)
.em.português.
Sai de dentro deste seu mundinho | Tem um presente te esperando aqui fora | Se você abrir a porta a solidão vai embora | Ah! meu bem, e você me pergunta: | ‘Se eu abrir a porta haverá luz lá fora?’ | E eu te respondo: | ‘Ah, meu bem, descubra voce mesmo’ | Abra a porta. | Corra o risco. | Apague o abajour e venha ver a luz da lua.
(:|:)
.sem.título.
Já era tarde
Tarde demais
Corri pra pegar o trem e ninguém
me disse qual era o lado certo
do disco que vovó ouvia
Ouvia a chuva que caía
Caía e levantava e caminhava e sonhava
com um beijo, um beijo seu
Seu olhar me disse que você me amou
e ainda ama, mas agora já era
Era tarde demais
Eu não sei o que você pensa
e nem quero saber,
nem quero saber,
nem quero entender.
Mude de ritmo, de rumo e de rima
Contudo, sobretudo e acima de tudo
mude também.
(:|:)
.a.velha.fofoqueira.
“O menino correu do outro lado da plataforma para cá. Eu bem vi. Ele queria alcançar a menina do outro lado. Mas acho que ela não deu muita bola pra ele, não; porque ele chamou por ela e ela deu uma olhadinha pra trás e só. Continuou a caminhar no mesmo ritmo. Ele teve que se apressar mais para alcançá-la. Acho que no fundo, no fundo, ela estava gostando daquela atenção. Isso foi ali. Eu bem vi.”
(:|:)
.feh.
Não, não, não.
Não sou daqui, tenho certeza disso.
O lugar de onde vim ainda nãO existe.
Quando eu abrir a porta haverá luz lá fOra?
Pense bem.
(:|:)
.nada.mais.que.isto.
Não parava de chover naquele domingo. Era uma chuva silenciosa e teimosa. O céu cinzento. Tudo muito quieto. Nada como como ficar assitindo filmes, comendo pipoca e chocolate e desfrutar da presença dos amigos. Era um daqueles dias em que ficar entocado dentro de casa com pessoas maravilhosas era suficiente, nada mais que isto.
Tácia abriu um pouco a janela para o ventinho frio entrar na sala. O céu ficou mais carregado e a chuva levemente mais grossa. Na televisão o triller de um filme de ação começava a passar e o microondas apitou avisando que a pipoca estava pronta.
Ela correu até a cozinha e despejou a pipoca numa bacia enorme. Pegou todos os chocolates que estavam na geladeira. Se aconchegou no sofá com aquele monte de almofadas em sua volta. Tudo estava perfeito demais naquele dia chuvoso.
Se não fosse o fato de ela não ter amigos, ela com certeza teria sorrido quando o filme começou.
(:|:)
.bem.aqui.
Minhas unhas estão azuis. Comi salgadinho e tomei sorvete. Desenhei uma flor e escrevi 3 cartas para a mesma pessoa. Me pediram perdão e eu perdoei. Não tirei o esmalte azul das unhas. Tomei banho de mangueira. Falei ao telefone mais vezes que o comum. Li um pouco dos 4 livros que estou lendo. Abracei meus pais. Beijei meus sobrinhos. Parei para sentir o vento no rosto. Ri de besteirinhas e ri mais um pouco. Mesmo com o esmalte azul você ainda estava e está nos meus pensamentos.
(:|:)
.feliz.natal.
***
_ Ele é assim. E é por isso que nós o amamos tanto. Ele sempre diz que a gente tem que levantar cedo pra resolver a vida, e todo dia as 5 da manhã ele levanta… Sem despertador, é claro. E eu espero que ele goste do meu presente, né? Mário, você é meu amigo secreto!
***
_ Querida, ainda tenho muitas coisas pra resolver aqui. Diz para as crianças abrirem os presentes sem mim… Eu sei, eu sei… Mas é por causa desse emprego que temos nossa casa nova, e a melhor escola para as crianças, e todos esses presentes… Por favor, meu amor, não vamos discutir agora. Em uma hora estarei em casa…Prometo. Te amo… Feliz Natal.
***
_ Posso te pagar uma bebida?
_ Por favor.
_ Uma jovem tão bela não deveria estar sozinha na noite de natal.
_ Este é o clube dos solitários, quem não tem ninguém vem pra cá enquanto os outros abrem presentes e sorriem felizes com suas famílias.
_ Percebeo uma mágoa aí.
_ Simplesmente não gosto de natais.
_ O que você não gosta é da solidão.
_ E você é meu anjo-da guarda que veio me salvar de mais um natal chato e deprimente.
_ Acho que não.
_ Oh! Mais uma frustração… Hahaha.
_ Então você realmente não tem ninguém na vida?
_ Não.
_ Tem certeza?
_ O marido da minha irmã a traiu há 3 anos atrás. Ele se arrependeu de verdade. Ela o perdoou.
_ E…?
_ E a mim também.
_ Uh!
_ Mas eu não me perdoei. E faz 3 anos que não falo com ela. É melhor pra todos.
_ Tenho certeza que ela está infeliz com isso.
_ Quem é você pra ter certeza sobre qulaquer coisa a respeito da minha vida? Aposto que você também tem alguém perdido por aí.
_ Tenho mesmo. Uma filha de 7 anos. Mas ela está bem feliz com seus milhares de presentes. O padrasto dela é muito rico.
_ E eu tenho certeza que o melhor presente pra ela seria uma ligação tua, um abraço teu.
_ Será que eu posso te dar um beijo?
_ Só se for agora.
***
_ Me passa o tomate.
_ E ele tá amassado?
_ Gente esse peru tá desmanchando… Muito bom!
_ Oh, não toma toda a coca.
_ Mas você já repetiu e eu não.
_ Calma! Tem mais lá no freezer gente!
_ Ai! Quemei minha boca!
_ Me dá o arroz.
_ Pessoal! Quero aproveitar pra dizer que estou muito feliz por todos estarem aqui. Eu agradeço a Deus por ter a oportunidade de ter meus 5 filhos e minha esposa querida sempre ao meu lado. Este é úm dia especial e fico muito contente por todos aqui. Feliz natal pra nós!
***
_ Por favô tio, me dá uma moedinha. Quero come alguma coisa hoji. É natal e eu queria levá umas bolachinha de natal pá minha mãe. Já tá noitecendo e eu vô pá casa. Não vou gastá com coisa feia não, tio. Quero dá um presenti pá minha mãe. Só uma moedinha, tio, e eu já tô feliz… Não tem não, tio? Taum tá. Brigado mesmo assim,tio. Feliz natal po sinhô.
***
(:|:)
.o.que.é.o.nada.?.
Todos estão andando pelas ruas fingindo estarem distraídos.
Estão buscando alguma coisa. Procuram desesperadamente, mas niguém corre. Ninguém sabe o nome daquilo que procura.
Há uma falsa sombra debaixo dessa árvore, não há como se esconder.
As crianças, sim, estão distraídas. Elas não procuram alguma coisa, a não ser pedrinhas naquele mato que alguns ainda chamam de grama.
Ninguém escolhe a cor dos próprios olhos. Mas todos podem escolher com que cor verão o mundo.
Porque, na verdade, niguém está distraído. Todos estão com os olhos bem abertos… Procurando.
E estas palavras não estão simplesmente soltas ao léu. Estas palavras estão contando uma história; e ela já começou.
Preste atenção.
(:|:)
.No.Reino.das.Alparcas.Sobressalentes.
((Em Breve)))
.fagulha.de.um.desejo.
Hoje sonhei com você novamente. Aquele vestido azul de seda estava todo amarrotado e você nem aí pra isso, como sempre. Eu chegava bem perto de você, tão perto que podia sentir o cheiro do seu cabelo, tão perto que podia tocar seus lábios com os meus. Mas você não deixou. Você correu, correu muito, correu pra bem longe. Simplesmente fugiu. Queria te ter perto, mas nem em sonhos isto parece possível.
(:|:)
.quem.sabe.?.
Alberto parecia distraído. Mas na verdade estava concentrado. Ele sabia o que devia fazer, mas lhe faltava coragem. Eram 16:50 e logo eles viriam para fora e ele teria que encará-la. Tantas coisas lhe passavam pela cabeça. Como seria a reação dela? Será que ele conseguiria falar? Será que ela iria querer ouvir? Quem sabe?
Ele estava apreensivo. Esgueirou-se para mais perto do portão. Tentava ensaiar um discurso, mas sabia que não iria funcionar. Pensou em ir embora várias vezes. E se ela nem olhasse para ele? E se ela o odiasse mais ainda? E se…? E se…? Quem sabe? Eram tantas perguntas. Ele suava frio. Estava ofegante.
18 horas! O sinal tocou e Alberto respirou fundo. Era agora ou nunca. Não havia mais escapatória.
As crianças começaram a sair do prédio frenéticas. As menores corriam para encontrar seus pais lá fora. As mais velhas saiam caminhando mas numa algazarra incontida. Era sexta-feira e o final de semana prometia um calor digno de praia.
Contudo, Alberto não pensava em nada disso. Só conseguia olhar assustado de um lado para outro procurando por ela. Aquela por quem ele daria a vida. Aquela que era o grande e único amor de sua vida.
Então ela surgiu. Linda. Cabelos loiros brilhantes, presos pretenciosamente num rabo de cavalo impecável. Ela vinha com uma colega, riam de alguma coisa. Um beijo na face e se separaram. A colega foi para um lado e ela foi para o outro. O outro lado onde estava Alberto a esperá-la. Mas ela ia distraída, queria logo chegar em casa e iria passar direto se ele não a chamasse. Quase lhe faltou coragem, mas ele o fez:
_ Albertina!
Ela parou. Viu Alberto bem ao seu lado. O sorriso se perdeu. O maxilar ficou firme, tenso, expressão séria. Ficou muda.
_ Oi Tina.
Ela engoliu em seco, ele também. Ela ficou imóvel, ele se mexia nervoso.
_ Eu… Errr… Não sei se foi uma boa idéia. Sei que já fazia tempo, desde a última vez. Mas eu precisava vê-la para contar que..
_ Você está sóbrio pelo menos?
Ela perguntou secamente, sem rodeios, sem voltas, sem pudor.
_ Claro. Eu jamais faria isso… Outra vez. Eu mudei muito e até já…
_ O que você quer?
Alberto estava ficando mais nervoso. As coisas estavam tomando um rumo mais difícil do que ele pensava. Mas tentou se manter firme.
_ Eu quero contar que já faz 11 meses e 12 dias que não bebo, e já faz 5 meses que consegui um emprego. Aluguei um apartamento e consigo manter ele limpo e organizado, e… Olha, minhas unhas estão sempre cortadas e limpas agora.
Albertina não disse nada, mas sua expressão suavizou.
_ Não sei se isso faz alguma diferença pra você, mas…bem… Pelo menos você não precisa mais ter vergonha de ter um alcoólatra por perto.
_ Preciso ir, Alberto. É só isso?
_ É. Na verdade não. Tina, eu queria te convidar para almoçar comigo na quinta. É meu dia de folga e eu pensei, se, talvez…
_ É seu aniversário, Alberto.
_ É, também tem isso. Você não esqueceu, eu pensei que…
_ O que você quer de presente, Alberto?
_ Nada. Só quero você, Tina.
Albertina respirou fundo. Ela não esperava nada daquilo em plena sexta-feira. Apesar de estar assutada com o repentino surgimento de Alberto, no fundo, estava feliz. Queria abraça-lo, beijar-lhe a face, mas seu orgulho era maior que sua vontade no momento. Alberto cortou o silêncio:
_ Então eu te pego em casa…
_ Não. A gente se encontra no “El Cheff” às 11 horas de quinta.
_ Ah, sim. Se for melhor pra você. Claro!
_ Ótimo.
Albertina deu alguns passos para ir. O riso guardado lá dentro, a alegria bem contida dentro de si. Alberto estava pasmo, e mais que feliz. Realiazado. Satisfeito. Mas ainda faltava algo, por isso não deixou de tentar.
_ Albertina!
Ela voltou-se já há alguns metros de distância.
_ Obrigado… Ah! Quem sabe, até lá, você possa me chamar de pai outra vez.
Ela deu de ombros e respondeu:
_ É. Quem sabe?
Albertina virou-se outra vez e continuou caminhando. Alberto se sentia nas nuvens. O “talvez” era o melhor presente de aniversário que ele já havia recebido de sua preciosa filha.
(:|:)
.discussões.
_ Tudo ainda é muito recente.
_ Eu sei, eu sei. Mas não temos o que esperar. Não há razão disso. Eu já sei bem o que quero.
_ De novo essa história? Você já percebeu que é sempre você que já sabe o que quer, que é sempre você que já está decidido, que é sempre a sua vontade?
_ Do que você tá falando? Eu tô pensando no melhor para nós. No que é mais conveniente.
_ Só se for no mais conveniente para você. Tudo é muito recente. Não vou me precipitar assim outra vez, Joel!
_ Não vai se precipitar? Você está fugindo da situação, isso sim. Só pra não tomar decisão alguma agora. Você está se esquivando. Dando mais uma de suas desculpinhas idiotas!
_ Como é que é? Você acha que eu tô fugindo de tomar uma decisão?
_ E não está?
_ Você decide tudo sozinho! Nunca pede uma opinião! Quando eu fico sabendo já tá tudo decidido por você! Sempre você e seu esgoísmo! Não vou mais falar sobre isso!
_ Vai fugir de novo e eu que sou egoísta?
_ Já chega, Joel!
_ Vai fugir como seu pai, não é?!
_ CALA BOCA!!! Meu pai não tem nada a ver com essa história! Que DROGA, Joel! Seu estúpido!
_ Pára de gritar. Você deve estar ficando louca mesmo!
_ Eu te ODEIO, Joel! Sabe por que tudo isso aconteceu? Porque você é um covarde! Um frouxo!
_ CALA BOCA, sua idiota!
_ Me esquece! Eu te ODEIO!
_ Volta aqui e me escuta! Isso não pode ficar assim!
_ …
_ VOLTA aqui e FALA comigo!!! Que DROGA!!!
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.ao.léu.
Ela vagava solta pelas ruas. Ás vezes ligeira, como quem tem hora pra chegar, outrora vagarosa, como quem conta pedrinhas pelo caminho.
Não tinha rumo certo, nem direção definida. Ia pra lá, ia pra cá. Ia ao longe, longe, longe e então voltava para perto, perto perto. De repente parava, como quem adormece ao ler um livro. Mas logo saia serpenteando pelas ruas novamente.
Ás vezes subia, como quem busca alcançar o céu com a ponta dos dedos. Outrora descia, como quem se rasteja cansado de tanto trabalhar.
Ela ia imprevisivelmente pelas ruas. Quase impossível saber para onde ia, ou se e quando voltaria. Ela ia assim saltintante como quem está apaixonado e sai dançando alegremente.
Mas, ela não estava atrasada, nem adiantada, nem apaixonada. Ela não tinha sentimentos, não como estes que os humanos tem.
Ela era tão somente uma folha verde vibrante que ia aonde o vento a quizesse levar. Solta. Livre. Ao léu.
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.ilusões.
Ah, se ela soubesse minhas verdadeiras inteções para com ela! Ah, se ela soubesse o que realmente sinto! Ah, se ela soubesse meu nome! Ah, se ela soubesse que existo ao menos! Ah! Tudo poderia ser diferente… Ela não seria tão triste, não choraria pelos cantos, não sofreria por quem não a merece.
Ah, se ela olhasse pra mim! Ah, se ela ao menos me desse bom dia! Ah, se ela aceitasse minha carona! Ah, se ela acenasse pra mim! Ah! Tantas coisas poderiamos viver juntos… Ela não teria que ficar calada, porque eu a ouviria. Ela poderia até ficar zangada porque eu suportaria suas xingações.
Ah, se ela me desse uma chance! Ah, se fossemos ao menos amigos! Ah, se ela me pedisse um favor qualquer! Ah, se ela esbarrace em mim! Ah, se ela me maltratasse! Ah! Essa monotonia poderia mudar… Ela não viveria com a cara fechada, e até sorriria de besteirinhas. Ela iria soltar seus lindos cabelos ondulados e os deixaria livres ao andar pela rua. Eu a encheria de elogios, e se ela não gostasse eu não me chateria, ficaria feliz em ter a oportunidade de tentar agradá-la mais uma vez.
Ah! Se ela ao menos se permitesse ser feliz. Eu faria de tudo para conquistá-la, para que ela sorrise, para que ela fosse feliz, alegra e cheia de vida. E mesmo que ela não me amasse eu me sentiria pleno em saber que ao menos ela saberia de meu amor por ela.
Ah! Se…
(:|:)
.plinc.plinc.plinc.
Plinc, plinc, plinc, faz a chuva sem parar.
Plinc, plinc, plinc, se chova lá fora aqui dentro vai molhar.
Plinc, plinc, plinc, no teto tem goteira.
Plinc, plinc, plinc, a parede vira cachoeira.
Plinc, plinc, plinc, eu não tenho guarda-chuva.
Plinc, plinc, plinc, só tenho bota e um par de luva.
Plinc, plinc, plinc, olha o raio e o trovão.
Plinc, plinc, plinc, eu não tenho medo não.
Plinc, plinc, plinc, faz a chuva no telhado.
Plinc, plinc, plinc, já estou todo molhado.
Plinc, plinc, plinc, o sol já vai voltar.
Plinc, plinc, plinc, é o som que vai ficar.
Plinc… Plinc… Plinc…
(:|:)
.mulheres.falam.demais.
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá 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blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá 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(:|:)
.24.de.novembro.de.2008.
Sim, e daí?!
Não tenho vergonha de admitir que ainda gosto de você.
Vergonha é negar o que se sente e fingir ser indiferente.
Vergonha é esconder um sentimento que está vivo em cada momento.
Vergonha é ficar calado, quando a tanto para ser falado.
Vergonha é fingir que não quer ver, quando é impossível não perceber.
Vergonha é calar a voz, quando se tem a oportunidade de conversar a sós.
Vergonha é deixar que o outro desista, simplesmente por não ter coragem de assumir o que se conquista.
Não tenho vergonha de admitir que ainda gosto de você.
Bem como não tenho vergonha de admitir que desejo que chegue logo o dia em que não gostarei mais.
Então simplesmente seremos amigos…
Pois o que somos hoje ainda não descobri.
(:|:)
.a.caixa.colorida.
Ela tinha uma caixa. A caixa era dela. E lá dentro tantas alegrias. E lá dentro tantas tristezas. Segredos. Medos. Vergonhas. Sorrisos. Sonhos. Frustrações. Tempos bons e ruins. Cartões dos melhores e dos péssimos. Mas nada fora compartilhado até aquele momento. Estava tudo bem guardado, fechado e escondido dentro da caixa colorida.
Não que não houvesse o interesse em abri-la. Mais que isto. Havia a necessidade. Mas na mão de uma criança a chave acaba se perdendo. E foi assim que aconteceu. Dessa forma ninguém a havia encontrado. Não que não tivessem procurado a tal chave, mas acho que no fim ela não queria encontrá-la. E por isso, depois de um tempo, não pediu mais ajuda a ninguém.
A caixa colorida de fita larga e vermelha continuou lá. Fechada. De alguma forma ela conseguia colocar coisas dentro da caixa, mas sem a chave ela não conseguia abri-la para tirar ou rever essas e outras coisas. A caixa colorida estava fechada com o laço, mas só uma chave poderia destrancá-la. Sim, tudo muito confuso. Porque, de certa forma, ela também era assim. Sua caixa era como ela, ou ela era como sua caixa. Ninguém sabia mais ao certo, nem ela mesma.
E lá, perdida em algum lugar, ficou a caixa colorida. Ela sempre ia visitá-la para guardar alguma coisa. Mas nunca mais tentara abri-la até então. Na verdade, ela ficou anos sem se quer contar a alguém que guardava uma caixa colorida. Os novos amigos não sabiam da existência dela, e os velhos já achavam que a caixa colorida era só uma invenção fantasiosa.
Mas um dia, por mais bem elaborada que seja, a endrominante retórica não convence mais ninguém. Por isso ela se cansou de tentar convencer a si própria. Sem discursos para se apoiar, ela já tinha decidido que tudo acabaria de vez. E o que nem se quer começara encontraria seu fim. Foi quando ela se lembrou da caixa, era a única coisa que talvez a ajudasse a querer continuar vivendo ou lhe mostrasse até o que era viver. Então, ela quis desesperadamente abrir a caixa, a sua caixa colorida. Precisava disso mais que antes. Mas, e a chave?
Foi em uma grande odisséia que ela encontrou o Senhor do Tempo (que é o Eterno Pai do grande deus Niurion), o Cavaleiro do Escudo Vermelho, (que é aquele para quem tudo teve início e terá fim), e o Grande Poeta (que é o Escritor que o Senhor do Tempo enviou para confirmar seus decretos) e eles lhe revelaram como encontrar a chave. E isto já é uma história a parte. O importante agora é saber que a Donzela das Flores nos Pés, que é a Quarta Irmã da Borboleta Colorida, a ajudou a desfazer o laço vermelho. Foi aí que o caminho para encontrar a chave começou a se desvendar conforme já havia anunciado o Senhor do Tempo, o Cavaleiro do Escudo Vermelho e o Grande Poeta.
E foi assim, debaixo da sombra do assombroso Ipê Amarelo, que ela encontrou a Valente Sábia do Pastoreio, que é a filha da filha da Mulher do Coração de Ouro, que é uma das poucas que ainda ouve de Sofia tudo o que ela lhe conta sobre o Senhor do Tempo e seus decretos, e isto também já é uma história a parte. O importante é saber que foi ela que lhe entregou a chave perdida. Na verdade a Valente Sábia do Pastoreio nem se quer sabia que possuía a chave perdida até o momento que colocou a mão no coração para procurar. E encontrou. Ao entregar a chave para ela a Valente Sábia do Pastoreio ficou preocupada: a chave era muito pesada para a outra carregar. Mas era preciso abrir de uma vez a caixa colorida e esvaziá-la. Pois se a chave era pesada, a caixa era ainda mais.
Com a chave na mão ela se despediu da Valente Sábia do Pastoreio e prometeu lhe trazer dos seus próprios frutos para que esta pudesse saborear na outra primavera. Ela correu até o Refúgio dos Guerreiros da Profecia, onde morava a Donzela dos Pés das Flores e lhe mostrou a chave. Ela não falou palavra alguma. Mas isto não quer dizer que ela não tenha dito nada. Ela disse muito sem falar. Como o laço já havia sido desfeito a Donzela dos Pés das Flores a ajudou a abrir a caixa colorida por um tempo encaixando a chave na tranca, depois ela precisou girar a chave sozinha.
Com a chave ela abriu a caixa. Naquele momento ela viu quanta coisa havia ali. Umas eram lixo. Podridão. Cheiravam mal. Outras precisavam ser recicladas, reaproveitadas, refeitas. E algumas necessitavam ser usadas com urgência. Sem mais nenhuma espera ou exigência.
Eram coisas demais para serem organizadas. Muita confusão, muito conflito, muita informação. Era tudo muito velho e muito novo ao mesmo tempo. Doía demais e era ao mesmo tempo libertador. Abrir a caixa colorida não somente a poupou de um suicídio egoísta como a fez ter uma perspectiva boa do que era viver. Mesmo com tantas coisas para arrumar, tudo já estava sendo consertado de certa forma.
E agora, enquanto ela esvazia a caixa seu coração também é preenchido. O vazio é a possibilidade de coisas novas. O preenchimento é a certeza de que elas já estão chegando. Por isso o vazio da caixa e o conteúdo do coração têm o mesmo nome, e isto é o que ela passou a chamar de EsPeRanÇa.
(:|:)
.psicose.paranóica.induzida.
PARTE VI
(((em construção)))
.bons.modos.
Obrigado.
Com licença.
Por favor.
De nada.
Bom dia.
Dispõe.
Pois não?
Como queira.
Por obséquio.
Não há de que.
(:|:)
.eu.não.sei.
Augustus só queria se esquivar das obrigações de esclarecer a situação provocada por ele.
_Eu não sei.
Era tudo o que ele dizia para se explicar e se defender. Milena não se conformava com a atitude dele. Ninguém naquela situação iria aceitar, é claro, mas Milena tinha bons motivos para reminicar a todo instante.
Augustus e Milena iriam casar em 3 semanas e ele havia aceitado uma proposta de emprego que o obrigaria a se mudar para Espanha em 6 dias. A questão é que ele ainda queria casar com Milena e por isso ninguém entendia o motivo que o levara a aceitar o emprego sem nem falar com ela. Quando todos perguntavam a razão de tão descabida decisão ele respodia:
_Eu não sei.
E lá iam todos novamente discursar prolixamente nos ouvidos dele. Nisso Milena se retirava para um conta e se colocava a chorar inconformada. Entre um argumento e outro surgia uma e outra pergunta dirigida a ele:
_Por que você aceitou sem nem falar com Milena?
_Por que você não esperou a data do casamento?
_Por que não apresentou uma contra proposta?
_Por que você não recusa esse emprego?
_Por que não muda de idéia?
_Por que não se defente, não se explica? Por que não diz alguma coisa?
Não importava a pergunta. A resposta dele era sempre a mesma:
_Eu não sei, eu não sei!
Ninguém sabia explicar, nem Milena, nem o próprio Augustus. Se ele estava hipnotizado? Se estava bebâdo? Se estava agindo por ameaça? Se era só uma pegadinha para a noiva? Se tudo não passava de um mal entendido? Se no fundo ele não queria casar e estava dando seu jeito para acabar o noivado? Se ele estava sob efeito de remédios ou drogas? Se ele estava louco? Se ele era burro?
Bem… Aí, eu não sei!
(:|:)
.No.Reino.das.Alparcas.Sobressalentes.
((( em construção )))
.sim.ou.não.
_Sabe, já faz um tempo que eu tenho te notado.
_Como assim? Me notado?
_É. Te observado. Sabe… além da amizade.
_Ah.
_E tenho percebido tantas coisas. Eu… Eu acho que você é meu grande amor disfarçado de melhor amiga.
_Ah é? Uau.
_Andei pensando… E quem sabe você gostaria de ser minha namorada.
_Isso é um pedido de namoro?
_Errr… Você quer?
_ …
_Eu sei que te peguei desprevenida. Você nem esperava por isso, né?
_É.
_Sabe mas é simples: sim ou não.
_…
_E então? Você quer namorar comigo?
_…
_…
_Sim!
(:|:)
.eu.gostaria.
Pai, Mãe e Edu,
eu gostaria que tudo fosse bem rápido. Nada com muito exagero, pompas ou nostalgias. Não quero decorações exageradas, nem aquelas flores comuns nestas ocasiões.
Gostaria também que minha roupa fosse branca, do jeito que eu gosto e como tem que ser, um vestidinho bem leve com rendinhas, nada de muitos “frufrus”. No cabelo aquela borboletinha com pedrinhas brilhantes. Uma maquiagem bem suave. Não quero chamar atenção, mesmo sabendo que eu serei o centro das atenções.
Não quero aquele conglomerado de pessoas ao meu redor, que cada um tenha o seu lugar e permaneça lá. Eu gostaria que com certo pudor, tudo fosse bem organizado e premeditado, que seguisse um roteiro, que tivesse um protocolo.
Gostaria que cantassem uma música acompanhada de violino, sem muitas frescuras. Gostaria também que o ministrante fosse objetivo em suas palavras para não cansar os presentes e para que tudo termine o mais rápido possível.
Depois da cerimônia formal, gostaria que tudo seguisse normalmente conforme deve ser. O cortejo deve sair da igreja e se dirigir ao Jardim do Lago sem desviar a rota. Tudo sempre com muita discrição, nada de “exaltações”.
Gostaria que no Jardim do Lago, todos também ocupassem seu lugar e o mestre de cerimônia lesse o meu discurso que já está escrito e guardado no envelope azul na gaveta do escritório. Gostaria que ele lesse tudo até o fim e depois abrisse a oportunidade para algum parente ou amigo discursar, se alguém o quiser fazer, é claro. Tudo sempre sem escândalos.
Ao final gostaria que outra música fosse cantada ao som do violino enquanto meu caixão estiver sendo descido ao túmulo. Joguem flores se quiserem, mas gostaria que não houvesse nehum tipo de manifestação desesperada, nem lamúrias e soluços desconsolados.
Gostaria que em minha lápide estivesse o seguinte epitáfio: “Viveu, e como a todos sucede, morreu.” Nada de dizeres que causem comoção. Se palavras em vida não tiveram efeito para me curar, muito menos em morte me fariam voltar a viver.
E por fim, gostaria de ser lembrada com serenidade, e que este rosto jovem que comigo irá para a sepultura, é que permaneça para sempre guardado na memória dos que ficarem e que alcançarem a desejada e temida velhice. Ah! Quem me dera conhecê-la!
Não são regras, leis, nem ordens. São apenas meus últimos desejos para minha cerimônia fúnebre. Não são obrigações, apenas coisas simples de que eu gostaria que acontecessem naquele dia que será triste para todos nós: o dia do ‘adeus’.
Ternamente,
Zuzi.
(:|:)
.o.menino.e.o.eco.
Do alto da motanha o menino gritou:
_Oláaaaa!!!
E ouviu o Eco responder:
_Lá, lá, lá!!!
Ficou intrigado e perguntou:
_Quem fala comigoooo???
E o Eco não deixou de dizer:
_Migo, migo, migo!!!
E até hoje o menino não consegue saber se o Eco é aMigo ou iniMigo.
(:|:)
.quer.casar.comigo.?.
Quando Alice abriu a caixinha vermelha. Ficou surpresa. A aliança dourado parecia brilhar diante dela.
Alice sorriu para Bruno novamente e disse:
_Quero!
(:|:)
.joaninhas.
Joaninhas são joaninhas.
Joaninhas são pequenininhas.
Joaninhas são quietinhas.
Joaninhas são vermelhinhas.
Joaninhas são sozinhas.
Joaninhas são redondinhas.
Joaninhas são joaninhas.
(:|:)
.primavera.
Quando eu abrir a janela, as nuvens escuras terão passado. A tempestade terá tido seu fim. A noite sombria será dia radiante.
Quando eu abrir a janela, terei vontade de sair para pessear. As roupas de luto darão lugar ao alegre vestido vermelho de renda. E o cabelo desgrenhado ganhará a forma de cachos soltos ao vento.
Quando eu abrir a janela, o vento frio terá cessado. As árvores estarão repletas de flores. Haverá novas cores e novos amores.
Quando eu abrir a jenela, você vai acenar para mim do outro lado da rua e eu devolverei o sorriso. As lágrimas estarão só no passado e eu direi “sim” quando você me convidar para ir à praça.
Sim, abrirei a janela. Mas só quando for PriMaVeRa.
(:|:)