JoAnInHaS falam no silêncioOoOo (:|:)

…e o que elas escrevem?!

.marreco.recheado.com.gosto.de.queimado.

Amélia queria que tudo estivesse perfeito para o almoço daquele dia. Sua sogra iria visitá-la e certamente a metida de sua cunhada iria junto. Portanto sua nova receita de marreco recheado seria formidável para a ocasião.

Chegou em casa com as compras e foi logo preparando todos os condimentos que iria usar  para fazer o prato tão saboroso. Mesmo sendo domingo, seu marido estava trabalhando. Na verdade, era um bico, para ajudar nas despesas extras com a construção da garagem da casa.

Sem a ajudinha do marido, Amélia, precisava dar conta do recado sozinha. E tinha muita coisa para fazer. Ainda bem que a sobremesa já estava encaminhada desde o dia anterior, uma preocupação a menos. Enquanto cortava o beacon, que seria frito antes de ser misturado com  os demais ingredientes do recheio do marreco, ela ouvia uma musiquinha alegre. Ouvir músicas típicas polonesas  enquanto cozinhava a ajudava a se concentrar.

Recém havia ligado o fogão, para esquentar o óleo que estava na frigideira em que o beacon seria fritado, e o telefone tocou. Correu para atendê-lo. Era o marido dizendo que iria se atrasar para o almoço, pois o filho do patrão havia sofrido algum tipo de acidente; algo que ela não entedeu direito. O atraso do marido era agora um grande problema para Amélia, sua sogra iria “xiar” muito com a falta do filho para recebê-la à porta. Amélia argumentou, brigou, choramingou. Os dois tentaram encontrar uma saída para a situação, que seria no mínimo inconveniente. Infelizmente, a sogra de Amélia era inflexível. Nenhuma explicação seria suficiente para fazê-la entender que os imprevistos acontecem. Tudo o que a sogra de Amélia faria seria passar o almoço inteiro falando da gafe do filho e da nora.

Tudo paracia despencar. Amélia e o marido não encontravam jeito para amenizar a situação. A solução seria mesmo Amélia ter que enfrentar, ou “recepcionar”, a sogra sozinha, pedir desculpas, esperar o marido  chegar atrasado, e passar o restanto do dia ouvindo sua sogra dizer, na cara deles, o quanto seu outro filho e sua outra nora jamais permitiriam que isso acontecesse.

Ainda um pouco aborrecida Amélia desligou o telefone pensando que nem mesmo a estréia de sua nova receita iria abrandar o azedume da “sogrinha querida”. Foi bem nessa hora que sentiu um terrível cheiro de fumaça e lembrou que deixara o fogão ligado esquentando o óleo na frigideira. 

Mas então, já era tarde demais. Ouviu uma explosão vinda da cozinha e o fogo preciptou-se pelo corredor. Só deu tempo de Amélia correr para o lado oposto e escapar pela porta da sala.

Lá fora os vizinhos já haviam se ajuntado para ver de onde vinha a fumaça que se erguia pela rua. Quando viram Amélia sair da casa correndo ficaram aliviados, mesmo pesarosos com o estrago que o fogo estava fazendo na parte lateral da casa, onde ficava a cozinha.

Todos queriam saber  como o fogo havia começado. E um pequeno tumulto se fez em volta de Amélia, enquanto alguém dizia que os Bombeiros estavam chegando. Tudo o que Amélia conseguia fazer era respirar fundo para tentar processar tudo o que estava acontecendo. Sua casa estava se consumindo em chamas bem diante de seus olhos. Não acreditava que isso estava acontecendo com ela. Mas, estava. Era real.

Isso, só porque ela queria que tudo estivesse perfeito para o almoço daquele dia. Tentou olhar pelo lado bom (se é que havia algum lado bom em perder sua casa num incêndio) ao menos não teria que ouvir as ladainhas de sua sogra por causa do atraso de seu marido. E poderia deixar sua nova receita de marreco recheado para a visita de sua mãe, que parecia uma idéia bem mais agradável.

O som da sirene do caminhão dos Bombeiros a trouxe de seus pensamentos no momento exato que uma outra explosão, vinda da cozinha, aconteceu. Nisso sua casa já estava quase toda consumida pelas chamas. O estrago era grande. Foi então que alguém tocou em seus ombros e ela, mecanicamente, se virou para ver quem era. Sua sogra com um olhar fulminante e acusador a observava com uma expressão implacável.

Foi então que Amélia se dera conta que, assim que contasse a sua sogra como tudo acontecera, não teria que ouví-la azucrinando em seu ouvido pelo resto dia, mas sim teria qua aguentar sua sogra jogando em sua cara a culpa de um erro tão  “estúpido” pelo resto de sua vida.

_O que aconteceu aqui, mocinha?

Sua sogra perguntou ironicamente e com uma raiva visível em seus olhos. Nesse momento , Amélia desejou ardemente não ter conseguido sair da casa,  que consumida pelo fogo, começava a se transformar em cinzas.

(:|:)

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15 de abril de 2009 - Posted by | Geral | , , , , , , , , ,

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