JoAnInHaS falam no silêncioOoOo (:|:)

…e o que elas escrevem?!

.pés.suspensos.

_Menina, desce já daí!

Li desceu da árvore desajeitadamente e correu para dentro de casa. Entrou pela porta da cozinha e assentou-se à mesa. Leonor tirou o bolo de fubá do forno colocando-o sobre a mesa e olhou para ela.

_Pensa que não sei que você estava trepada naquela árvore?! Não disfarça menina!

Li olhou para a mãe com um semblante de culpa. Enrrugou um pouco a testa esperando a bronca que ouviria. A mãe, contudo, suavizou a expressão e as duas caíram na gargalhada. Leonor puxou uma cadeira e sentou próximo a filha.

_Ai Li! Só você mesmo para ter essas idéias. É perigoso você se pendurar lá no alto. Você tem somente 8 anos. E aquela árvore é alta demais. Não sei o que tanto você faz lá em cima.

Leonor cortou um pedaço do bolo que ainda fumegava. Colocou o pedaço em um pires e entregou para Li. Olhou nos oslhos da filha mais uma vez e continuou seu discurso de mãe protetora:

_Vamos fazer o seguinte. Você não se pendura mais no alto da árvore e eu lhe dou o brinquedo que você quiser. Que tal?

Li balançou a cabeça afirmativamente. Com um sorriso suave e um olhar peralta a menina disse:

_Eu quero um balanço. Um balanço bem no alto da árvore.

_Sua espertinha!

Mas, não teve jeito. Tarso, o pai da menina, providenciou o balanço. Ele ficou realmente alto. Li precisava ficar na ponta dos pés para conseguir subir nele. E pediu ao pai que conforme ela fosse crescende ele fosse subindo o balanço para que ela sempre tivesse que ficar na ponta dos pés para subir nele.

Coisa de menina. Coisa de criança. Talvez seu Tarso e dona Leonor nunca entenderiam a inteção da filha. Mas Li era assim. Sonhadora. Tudo o que ela queria era ficar com os pés suspensos para balança-los do alto. Pois assim tinha a impressão de estar mais perto do céu do que da terra. Tinha a sensação de estar voando.

Ela voaria se pudesse. Mas não podia. Então queria ficar sempre no lugar mais alto,  com os pés suspensos, com os cabelos dançando ao vento, e com os braços abertos.

E quando ela cresceu muita coisa mudou. Ela até se mudou da fazendo onde crescera. Mas nunca deixou de ser sonhadora. E de pensar que, um dia talvez, ela conseguiria voar. Então a primeira coisa que fazia quando ia a fazenda, era correr até o balanço. Ficar na ponta dos pés para subir nele era ainda uma delílica. Sorrindo, ela deixava o vento beijar sua face e afagar seus cabelos, abria os braços, e balançava os pés, que mesmo depois de adulta, ainda ficavam suspensos no vai e vem do balanço.

(:|:)

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31 de maio de 2009 Posted by | Cotidiano, Família | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.No.Reino.das.Alparcas.Sobressalentes.

((( em construção))

28 de maio de 2009 Posted by | Conto de Fadas sem Fadas, Romances | Deixe um comentário

.café.da.tarde.

Primeiro, antes de tudo você prepara o pão. Você pega a nata pasteurizada. Se você é canhota como eu, você passa com  a mão esquerda para ficar bem espalhado o creme pausterizado, sem nenhum vestígio… E se você ainda nao estiver contenta, isso contenta,  você pode passar um doce de banana… Ok!  Você deixa o pão descansar enquanto você prepara o café especial. Você pega uma colher de café especial e três de açúcar, assim, coloca na xícara… E se você quer o café bem cremoso você coloca um pouquinho só de leite quente, de preferência, e então você bate… Bate, bate, Bate! Ele está marrom e ele vai ficar uma cor assim… meio amarelada. Olha! Você pode ver que ficou uma cor de… de… cocô de criança. HEHEHE! Ok! O pão descançou, você fez o creme do café, e agora você vai colocar o leite bem quente… Isso! Você pode ver que a fumaça é visível… Você mexe ao seu gosto e está pronto o café das três e meia da tarde em ponto. Isso… Daí você pode cortar o pão para não comer o pedaço inteiro porque é muito feio. Principalmente se voce é canhota, você pode cortar com a mão que você tem mais habilidade… Então, bom apatite para todos.

(:|:)

28 de maio de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.o.relógio.

Tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque.

Tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque.

Tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque…

(:|:)

22 de maio de 2009 Posted by | Fantasia | , | Deixe um comentário

.zzzzzzz.

Ele era um mosquitinho feliz.

Mas sua vida terminou quando um jornal veio de encontro ao seu nariz.

Nunca mais sorriu. E seu assassinato não foi noticiado nos jornais.

(:|:)

20 de maio de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.fechem.as.cortinas.e.abram.os.fornos.

Todos aplaudiram de pé. Com gritos de “bravo”, ele foi aclamado pela platéia. Fez uma breve reverência, acenou para todos e deixou o palco antes que as cortinas se fechassem totalmente.

Deitou-se no sofá de couro do seu camarim. Mal conseguiu remover toda a maquiagem. Estava exausto. A diretora da peça queria falar com ele, por isso entrou sem bater:

_Olívio? O que faz aí? Todos querem vê-lo, cumprimentá-lo. Ande! Levante-se daí! O que é isso? Você nem tirou essa maquiagem? Vamos logo!

_Deixe-me aqui.

_De jeito nehum! A peça foi um sucesso, e você um espetáculo a parte! Seu desempenho está melhor em cada apresentação! Vamos, Olívio, levante-se! Vou informar a todos que você irá recebê-los. Venha logo!

Olívio levantou-se arrastado. Removeu a maquiagem que lambusava seu rosto. Ficou um tempo a se observar no espelho. Estava mesmo abatido. Suspirou fundo e saiu do camarim.

A sala de recepção para convidados estava repleta de fãs, conhecidos, amigos e alguns familiares de Olívio. Todos o receberam com aplausos. Sua mãe foi a primeira a lhe dar um abraço cheia de lágrimas nos olhos. Depois dela ele só lembrava de frases soltas, todas o elogiando:

_Você foi ótimo Olívio!

_Oh, Olívio! Você nasceu para os palcos, nasceu para brilhar!

_Olívio, é uma honra conhecê-lo pessoalmente. Sou sua fã desde a “Cavalgada das Válquirias”. Acompanho todos os trabalhos. Não perco nenhum!

_Estou tão emocionado. Nunca vi um ator tão vivo em cena. Tão presente.

_Olívio, o que foi aquilo? “Entregarei-me à liberdade, mesmo sendo prisioneiro dela!” Foi a interpretação mais tocante que já vi!

_Obrigado por compartilhar seu grande talento conosco!

_Ai Olívio! Me dá um autógrafo? Essas flores são pra você!

A quantidade de palavras bajuladoras parecia não se esgotar. Olívio manteve-se firme  até o fim. Se mostrou acolhedor até o último abraço. Respondeu todas as perguntas. Agradeceu todos os elogios. Sorriu para todas as fotos. Recebeu com gratidão todas as flores.

Quando tudo terminou, voltou para o camarim. Trocou-se. Olhou-se no espelho por mais um tempo enquanto tomava coragem. Por fim, procurou a diretora do espátaculo para dar a notícia. Estava decidido.

_O que? Você está louco, Olívio?

_Talvez esteja.

_Você não pode fazer isso! Não pode deixar a peça, não pode deixar os palcos. Você é uma estrela. Não pode largar sua carreira!

_Não vou deixar, já deixei! Não tem volta.

***

Os tablóides anunciavam a notícia. Olívio desistira da carreira de ator. Ninguém conseguia acreditar. Nenhuma razão justificável havia sido encontrada para tamanha atrocidade. Olívio tinha sucesso, fama, dinheiro, fãs, estabilidade profissional e largara tudo aquilo para voltar a ser padeiro. Profissão que exercera por muito tempo até ser descoberto pela vizinha, que o viu um dia interpretando Rei Lear enquanto sovava um pão de milho.

Apesar de todos tentarem persuadir Olívio a voltar atrás em sua decisão, ele não se deixou levar pelas críticas que o arrasavam. Ele não dava muitas explicações, pois sabia que poucos entederiam o verdadeiro motivo dele ter abandonado a carreira de ator.

***

Olívio retirou os últimos pães do forno. Sorriu enquanto respirava fundo e deixava o aroma dos pães recém assados penetrarem as narinas. Isso fez ele se sentir realizado. Sim! Realização! Fama nenhuma lhe dava tamanha satisfação. Interpretação nenhuma o enchia de tanto contentamento.

Olívio voltou a ser padeiro. E mesmo sem aplausos isso, para ele, era tudo.

(:|:)

19 de maio de 2009 Posted by | Geral | , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.psicose.paranóica.induzida.

PARTE IV

Telemarketing. Um serviço cansativo. Uma forma de ser chingada por desconhecidos sem o risco de esganá-los. Trabalho repetitivo e entediante. Fazer a ligação , oferecer o produto, se do outro lado  o cliente faz a compra então  a ligação era encaminhada para o ramal 8, se o cliente não queria comprar então para o ramal 6, se o cliente queria agendar a compra então ramal 7, se o cliente reclamava a chateação então você sorria e dizia que ele estava certo. Não podia ser pior. Mas era. O dia de fazer ouvidoria era o pior. Toda quinta-feira era preciso ligar para os clientes que já haviam efetuado compra para fazer uma pesquisa de satisfatoriedade.

_Não senhor. Eu não quero vender outro dispositivo de alarme. Eu quero somente saber se o senhor está satisfeito com a compra.

_Que compra? Eu não quero comprar nada.

_Eu sei… Consta no nosso cadastro que o senhor fez uma compra de dois dispositivos de alarme, no mês de outubro, estou certa senhor?

_Sim, sim, é.

_Então, eu gostaria de saber se o senhor está satisfeito com sua compra.

_Que compra?

_Ai… Com a compra dos dispositivos de alarme.

_Ah! Aqueles que eu comprei em outubro?

_Isso mesmo senhor.

_Ah sim eu comprei dois dispositivos de alarme em outubro.

_Certo.

_E o que mesmo você quer saber?

_Gostariamos de saber se o senhor está satisfeito com essa compra.

_Ah, sim! Satisfeito, sim.

_Então o senhor poderia responder nossa pesquisa?

_Pesquisa de que?

_Uma pesquisa sobre os dispositivos. Eu vou falar as funções e o senhor vai avaliar de 1 à 10. Então 1 se for muito ruim, até o 10 se for excelente. Tudo bem?

_Sim estou bem, só com uma dor na costas.

_Err… Pois é, eu quero saber se posso fazer a pesquisa, se o senhor entendeu como funciona?

_Ah sim! Pesquisa é sobre o que mesmo?

_Sobre os dois dispositivos de alarme que o senhor comprou em outubro.

_Ah sim! Estou satisfeito, satisfeito. Pode fazer a pesquisa.

_Como o senhor avalia as opções de pagamento do produto?

_É…bom.

_O senhor tem que dizer um numéro de  1 à 10.

_Ah sim! É… 9.

_Como o senhor avalia a funcionalidade do produto?

_Como é? Funci o que?

_Funcionalidade. Se os dispositivos que o senhor comprou funcionam bem.

_Ah sim! Bem, eu não sei.

_O senhor não sabe se funcionam bem?

_Não.

_Por que?

_Porque eu ainda não usei os dispositivos.

_Ai, ai!

Não era possível continuar a pesquisa se o produto ainda não havia sido utilizado. Tudo aquilo parecia mais um de seus pesadelos. Aquela rotina desgraçada a fazia se sentir cada vez mais alienada de sua própria vida, talvez até de sua própria existência.

O relógio marcou 19:00 horas. Fim de expediente. Ajuntou suas coisas o mais rápido que pôde. Mas o chato de seu patrão a alcançou no elevador. Veio se esfregando para perto dela.

_Está fugindo de mim, bonequinha?

_Eu não sou bonequinha. Sou sua funcionária.

_A hora de trabalho já acabou, bonequinha. Agora eu não sou seu patrão. Sou um apaixonado por você. Sabe que você pode ser promovida se ceder aos meus desejos, bonequinha.

Falou o grandão barrigudo apertando-a contra a pareda do elevador. A porta abriu finalmente e ela o empurrou enquanto dizia:

_Eu não quero ser promovida!

E saiu apressadamente enquanto ele dava uma boa garagalhada dela. “Que nojo!” Ela pensava enquanto saia do prédio. Queria pegar um táxi, mas nenhum apareceu. Andou rápido pelas quadras solitárias da cidade até o metrô. Quanto mais se apressava, parecia que mais longe a estação ficava. Achou que alguém a seguia. Não teve coragem de olhar para trás. Só conseguiu correr. Correu muito que já nem sabia porquê estava correndo.

Passado o susto e depois de ter certeza que ninguém realmente a seguia, se escorou em um poste tentando retomar o fôlego. Ouviu um barulho atrás de si e virou-se para ver o que era. Atônita enxergou, apesar das sombras que as latas de lixo faziam, o maldito gato branco a observá-la.

(:|:)

18 de maio de 2009 Posted by | Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.mata.o.rato.cristina.!.

_Olhe Cristina! Olhe bem ali debaixo… O que é aquilo?

_Não sei… Um rato?!

_AAAAAAAAAAAA!!!

_Sai de cima dessa cadeira, Paulina! Deixa de ser escandalosa!

_AAAAAAA!!! Um rato! Um rato! Mata ele Cristina! Mata ele!

_Ai solta meu braço! Eu não! Não vou matar o rato! Tá louca? Eu também tenho medo!

_Mas eu não tenho medo. Eu tenho pavor!!! AAAAAAA!!!! Ele se mexeu!!! Mata ele, pelo amor da minha vida, Cristina! Mata o rato!

_Pára de chorar Paulina! Não exagera! Credo! Deixa ele lá e pára de gritar, desse jeito você assuta ele. Desse da cadeira, tá parecendo uma maluca.

_Eu não saio daqui enquanto você não mata aquele rato! Cristina, ele vai atacar a gente! Por favor, mata o rato, Cristina! Mata o rato!

_Ai, Paulina!!! Me larga! Que droga! Você é muito sem noção hein? Eu não vou matar rato nehum! Se você quiser mata você, oras! Ou então fica aí nessa cadeira pra sempre. Eu tenho mais o que fazer!

_Cristina onde você vai? Volta aqui! Não me deixa aqui sozinha com esse rato!!! AAAAAAAAAAA!!! Ele se mexeu de novo!!! Cristina!!! Cristina!!! Volta aqui e mata o rato!!! Por favor, mata o rato… AAAAAAAAA!!! Cristina!!!

(:|:)

17 de maio de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , | Deixe um comentário

.vestido.verde.

_Mãe, eu quero este aqui tá?

_Esse com o babadinho na gola?

_Aham! Mas ó… tá vendo? Quero nesse tom de verde tá?

_Tá bem. Pode deixar, Pietra. Eu já entendi minha filha.

_Ai mãezinha! Obrigada!

Pietra saiu pela porta do quartinho de costura da mãe, com um sorriso cortando o rosto. Que orgulho ela dava a sua mãe. Aquele era o ano da “Grande Crise Mundial”, e com muito esforço, em 12 dias, Pietra se formaria. Ela seria veterinária. Com certeza aquele seria o vestido mais bonito que dona Garibaldi faria em toda sua vida. Portanto Pietra precisava de um sapato digno de tal modelito. A tarde seria longa andando pelas ruas para encontrar o tal sapato, mas ela persisitia toda vez que lembrava que sua mãe estava em casa se empenhando em seu vestido.

***

_Alô?

_Garibaldi Rolandini, por favor?

_É ela mesma.

_A senhora conhece Pietra Rolandini Vidal?

_Sim. é minha filha.

_Eu sou Vitória Dorácio, enfermeira chefe do Hospital Regional Alcântara Vila Grande.

_Ai…o que aconteceu?

_Peço que a senhora fique calma. Sua filha foi atropelada e encaminhada para nosso pronto socorro. Então se a senhora puder venha imediatamente.

_Mas como ela está? Ela está bem não é?

_A situação dela é estável. Mas é melhor a senhora vir e pessoalmente vou explicar melhor tudo o que aconteceu.

_Está bem, está bem. Já estou indo para aí. 

Quando dona Garibaldi chegou no Hospital e conversou pessoalmente com a enfermeira Vitória, entedeu que “estável” foi uma forma suave para dizer que sua filha estava em coma e estava na UTI. O caso era muito grave. Pietra sofrera traumatismo crâniano, juntamente com uma lesão na cabeça que causou um corte da testa, até a nuca pelo lado direito da cabeça. Mesmo se saísse do coma, nunca mais poderia andar. Sua coluna quebrara em 7 lugares diferentes, um caso irreversível. Sem contar que as duas pernas estavam fraturadas, e o pé esquerdo foi dilacerado de tal forma, que seria necessário amputá-lo imediatamente.

Agora a história não era mais de uma moça feliz prestes a realizar um sonho, mas sim, de uma mãe angustiada prestes a perder a filha, a única filha. Tudo o que ela tinha. Sua única família. Garibaldi repassou os últimos instantes daquela tarde em que esteve com sua filha. Pietra toda sorrisos escolhendo seu vestido de formatura. O que fazer agora? O que esperar disso tudo? Sentada na sala de espera, Garibaldi chorou em silêncio.

***

Quatro anos se passara desde a “Grande Crise Mundial”, mas  o vestido verde cobreado com o babadinho na gola ainda estava perfeito. Clarice olhou e de cara gostou dele. Entrou na lojinha da esquina. Era pequena e meio escura. Passava um ar triste, mas o vestido na vitrine era perfeito. O que ela vinha procurando há semanas.

_Oi. Eu queria provar o vestido da vitrine.

_Ah, sinto muito aquele não está a venda. É só uma amostra para enfeitar a vitrine.

_Ah! Que pena. Eu gostei tanto dele. Será que não tem jeito da senhora vender ele pra mim?

_Ele é da minha filha. Ela vai ser veterinária. Daqui há 12 dias.

_Poxa que pena pra mim e que ótimo pra ela. É um vestido belíssimo.

_Não foi fácil pra ela sabe? Conseguir se formar no ano da Grande Crise Mundial a faz digna do melhor vestido que eu poderia fazer.

_É, pode ser, mas… não estamos no ano da Grande Crise Mundial. Isso foi há 4 anos, minha senhora.

_Não! Eu digo que não! Estamos no ano da Grande Crise Mundial, sim! Minha filha foi comprar um sapato lindo para usar com aquele vestido, porque daqui há 12 dias ela será uma veterinária!!!

_A senhora deve estar louca!

_Saia daqui! Você não entende nada de crises globais! Não entende nada de sapatos, vestidos, formaturas e filhos! Você não sabe de nada!!! Sua insolente!!! Saia daqui!!!

_Sua maluca!

Clarice saiu da loja apressada e assutada. Só queria comprar um vestido afinal. Não conseguia entender a atitude daquela mulher, e depois de passado o nervosismo e a raiva só pode sentir pena da pobre coitada.

***

O vestido verde continuou na vitrine por muito tempo. Sempre à mostra para alguém querer comprá-lo sem conseguir, é claro. Pois dona Garibaldi, mesmo depois de 26 anos da morte de Pietra, explicava que o vestido era de sua filha que iria se formar dali há 12 dias.

(:|:)

16 de maio de 2009 Posted by | Família, Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.o.idiota.

Era por volta das 18 horas. Milena desceu a rua que levava à alameda principal. O dia parecia cinzento igual a cor das paredes sujas de sua escola quando era criança. Por algum motivo teve vontade de sair correndo, mas não o fez.  Apertou forte o convite que levava na mão direita, virou a esquina e “BUM”! O garoto vinha muito rápido numa bicleta e não teve tempo de frear. O resultado foi a trombada dos dois em plena calçada. Ele pendeu para o lado esquerdo da bicicleta mas conseguiu se apoiar com o pé. Ela não teve tempo nem de pensar e já estava no chão.

_Oh! Desculpa aí!

O menino falou meio sem graça sem nem olhar para ela direito. Milena estava tão assutada que nem conseguiu responder.

_Tá tudo bem moça? Você se machucou?

Milena ainda nao tinha reação. Por fim o menino desceu da bicicleta e a apoiou num poste, depois  se agachou perto dela. Chacoalhou de leve seu ombro esquerdo.

_Hei moça! Tá tudo bem?

Por fim ela voltou a si, como que num susto. Olhou em volta. Alguns olhares curiosos os observavam. Abriu a mão que levava o convite, com o susto ela o apertara tão forte que ele estava todo amassado; igual dinheiro de bebâdo dentro do bolso. Por fim seus olhos se encontraram com os do menino. Milena não entendeu bem o friozinho que sentiu na barriga, quando ele lhe remeteu um sorriso tímido e preocupado.

_Seu idiota!

Foi tudo o que ela conseguiu dizer, e nem entendeu porquê. Ele tirou a mão do ombro dela assustado com a reação ríspida da jovem. Meio atrapalhada ela se ergueu e ficou de pé enquanto limpava sua roupa. O menino, meio sem jeito, ficou de pé também e olhou firme para ela:

_Me desculpe mais uma vez. Estava tão distraído que… nem vi.

_Por causa da sua distração meu traseiro está doendo muito. E veja, o pneu da sua bicleta ralou minha perna!

Ela disse puxando um pouco o vestido e expondo o arranhão na perna esquerda. Mais uma vez ele ficou sem graça.

_Posso te levar numa farmácia.

_Seu idiota! Estou atrasada!

_…

_Anda! Me leva nessa sua bicicleta.

_Pra farmácia?!

_Claro que não, idiota! Me leva para o teatro municipal. É a estréia do meu namorado. Nem sei como vou conseguir ficar sentada durante uma hora com a bunda doendo desse jeito!!!

_Sinto muito.

_Acredite, eu estou sentindo muito mais!

_…

_Anda logo! Deixa eu subir aí. E nada de andar distraído dessa vez. Eu tenho que chegar lá viva!

_Tá.

_Vai logo, idiota!

Ele subiu na bicleta e Milena  foi de pé em cima do apoio que ficava bem no eixo do pneu de trás, feito justamente para isso. A cena era engraçada. Ele todo moleque levando uma donzela, toda esbelta em seu vestido cor de pêssego em pé na parte de trás da bicicleta, apenas se apoiando no ombro dele.

Ele tentou ficar calmo e pedelar com toda cautela. Apesar da groesseria de Milena, havia algo nela que ele gostara. E ele estava de alguma forma realizado por  estar levando aquela beldade em sua bicleta de playboy pelas calçadas da grande cidade , naquele dia cinzento que começava a se transformar em noite clara.

Chegaram no teatro. Milena desceu e tentou desamassar o convite com delicadeza. Ele esperou algum agradecimento. Na verdade, ele queria ouvir a voz dela de novo falando com ele.  Portanto, qualquer palavra da parte dela o encheria de contentamento.

_O que foi? Não tá querendo que eu te pague pela “corrida”, né?

_Não. Claro que não.

_Então o que? Tá esperando que eu te agradeça? Não passou do teu dever!

Ele gostava daquele jeito com que ela, tão rispidamente, lhe tratava. Não conseguia entender porque. Sempre que ela era grosseira, o garoto a olhava com um olhar assutado, um misto de medo e culpa, e isso fazia Milena sentir o friozinho na barriga com mais intensidade. Por isso, antes de subir as escadas do teatro, Milena olhou fixamente para o rosto apreensivo dele. Ela sorriu ironicamente e disse:

_Afinal, você me atropelou. Idiota!

Milena subiu as escadas apressadamente e ele voltou a pedalar despreocupado. Mas por dentro, os dois estavam sorrindo.

(:|:)

15 de maio de 2009 Posted by | Romances | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.e.agora.?.

_Então? Como foram as coisas?

_Tá russo o negócio!

_Como assim?

_Quero dizer que tá muito dificil! As coisas estão complicadas para nós!

_É?

_É!

_Hummm… e agora?

_Não sei… Não sei! Ai… acho que vamos ter que ir embora.

_Ir embora?!

_Eu também não queria isso. Mas… não vai ter jeito. No sul já temos algo garantido na olaria do Galdêncio. Ele mesmo disse, que se a gente precisasse…era só… bem é nossa  única saída agora.

_No sul?! Eu não gosto daquele lugar! Prefiro morar aqui!

_Eu também, eu também. Mas não podemos continuar esperando que algo aconteça do nada. Porque isso não nos levaria a lugar algum, aliás, nos trouxe a esta situação.

_Eu não quero ir!

_Você tem outra alternativa então? Alguma idéia diferente?

_Eu? Não.

_Pois então.

_Mas eu não posso ir embora. Não agora.

_Eu sei que você não gosta do sul, eu já sei disso. E não será por muito tempo. Aquele lugar também me intimida, mas…

_Não é só isso. É que…

_É o que então? Qual outra razão para você não querer voltar para o sul?

_É que…bem. Eu ia te falar outra hora. De outro jeito. Mas… já que é assim…

_O que é?

_Eu estou grávida…grávida.

_…!

_Eu queria te falar de outro jeito. Em outras circunstâncias. Só que… Estou de 14 semanas.

_…

_Você não vai falar nada?

_…

_Por favor! Diz alguma coisa…eu sei que você não esperava. Na verdade, nem eu, só que…

_Não esperava?! Eu não esperava?! Por favor!!! Você sabe o que essa gravidez significa?

_…

_Agora não podemos nem pensar em voltar para o sul. Se eles souberem disso….Ai! Eu não quero nem pensar no que pode acontecer… Como você pôde permitir que isso acontecesse?! Péssima hora para ter um filho!!!

_Eu sei! Eu sei que isso só torna as coisas mais dificéis…mas essa criança não tem culpa. A genter vai encontrar uma solução. Um jeito de resolver isso.

_Ah vai! Com certeza vai!

_Sinto muito.

_Sente muito? Deveria ter sentido antes.

_Desculpe.

_Agora sim o negócio tá russo!

(:|:)

11 de maio de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.overdose.

Injetou direto na veia. Nada mais que alguns segundos. E o último suspiro foi somente consequência.

Morreu cedo demais. Jovem demais. Inconsequente demais!

(:|:)

10 de maio de 2009 Posted by | Geral | , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.vai.entender.né.?.

Como todo fim de semana, catei minhas coisas, e fui pra casa da minha namorada. Ela era linda, uma verdadeira patricinha cor-de-rosa engajada nas futilidades da moda. Eu era profundamente e cegamente apaixonado por ela. Mas só até aquele fim de semana.

A prima dela, recém formada em medicina, tinha vindo passar o fim de semana com ela para ajudar a cuidar da minha futura sogra, que ainda se recuperava de uma cirurgia de redução de seios. Essa prima da minha namorada era misteriosa. Tinha uma beleza séria e totalmente cativante. Era inteligente, prática, decidida. Tipo assim… ela tinha conteúdo! E que conteúdo! Aquilo assim que era mulher!

Felizmente, no mesmo fim de semana, minha namorada me procurou para terminar o namoro.

_Ai, meu coisito, eu preciso de um homem mais… mais… mais loiro ao meu lado. Nessa temporada os loiros estão em alta… Mas você não vai ficar na depre e nem vai tentar se matar né, meu coisito?! Até porque eu sempre vou lembrar de você com muito carinho e a gente pode continuar sendo amigos. E, olha só, você pode continuar a vir na minha casa sempre que quiser ta bem, meu coisito?!

E com essas palavras, ela terminou comigo.

Sem nada mais, ou ninguém mais, para me impedir fui logo falar com a prima dela. Claro que ela achou estranho, afinal eu era o recente ex da prima dela. Mas ela também estava interessada e marcamos para jantar. Eu fui bem cara de pau e já no primeiro encontro pedi ela em namoro. E não é que ela aceitou! Bem ligeira ela também, né?

Seis meses depois nos casamos e fomos morar na África do Sul e trabalhar numa Ong de auxílio à crianças africanas aidéticas. Isso já faz 13 anos. E, acreditem, somos muito felizes. Quanto a prima dela, ou minha ex-namorada, a úlitma vez que nós a vimos foi há 2 anos no enterro da mãe dela (nossa tia), que morreu durante uma cirurgia para colocar silicone. É isso mesmo! Vai entender né?

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6 de maio de 2009 Posted by | Cotidiano, Romances | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.novela.mexicana.

_Você só precisa assinar aqui, meu bem. Então estaremos casados.

Rogéria olhou para Mauro com desprezo. Ela não tinha muitas opções. Seu pai agregara uma dívida muito grande com aquele homem e somente se casando com ele essa dívida seria perdoada. Depois voltou seus olhos para seu pai  que a fitava apreensivo de pé há alguns metros atrás de Mauro.

 _ Não tenho que pagar pelos erros dos outros. E não vou.

Rogéria se levantou encarou Mauro, depois voltando-se para seu pai disse:

_Sinto muito, papai.

E saiu da sala sem atender os clamores de seu pai:

_Rogéria! Por favor minha filha! Não faça isso! Volta aqui…Rogéria!!!

Rogéria andou sem rumo pelas ruas da cidade. Chorava copiosamente. Não queria que seu pai perdesse tudo, mas não podia pagar tão caro por algo que nao fizera. Era sua vida, seus sentimentos, seu coração. Ficou horas andando e tentanto encontrar uma solução para aquele problema. Fazia 8 meses que estava sendo pressionada para casar com Mauro. Esse pensamento a fazia sentir torpor.

Já estava quase anoitecendo quando chegou em casa. Não sabia como ficaria o relacionamento entre ela e seu pai, depois de tudo que acontecera naquela tarde. Chamou por ele. Ninguém respondeu. Subiu as escadas e bateu suavamente na porta do quarto de seu Demétrio. Também nenhuma resposta. Rogéria abriu a porta vagarosamente e tudo pareceu girar quando viu seu pai morto enforcado com um lençol.

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5 de maio de 2009 Posted by | Assassinatos | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário