JoAnInHaS falam no silêncioOoOo (:|:)

…e o que elas escrevem?!

.devaneios.

Sei que a vida é cheia de voltas… A gente se perdeu em uma delas. Desconheço as razões… Sentimentos profundos. Mágoas também. Tudo se constrói e desconstrói. Até o ideal de um amor platônico. Por onde você anda? Haveria um lugar para nossos caminhos se cruzarem novamente? Tanto procurei seu olhar. Agora nada procuro, porque eu me perdi. Tanto quis te ver novamente. Boas as intenções. Mas de nada adianta agora. Estou cega. E isto é mais uma volta que a vida deu.

(:|:)

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30 de junho de 2009 Posted by | Fantasia, Romances | , , , , | 1 Comentário

.quando.eu.nasci.

Quando me aproximei entendi o que estava acontecendo. Na praça pública, cercada pela multidão apressada, a mulher gritava sentindo as contrações. Não haveria tempo pra mais nada. Me agachei para ajudá-la e ela entrou em trabalho de parto ali mesmo.

Ela estava assustada e eu mais ainda. Nunca fizera um parto naquelas condições. Tentei me acalmar e passar segurança para ela. Eu sabia o que devia fazer. Sabia como fazer. Mas estava atônito mesmo assim. Ela gritou novamente, dessa vez com mais intensidade. Havia terror em seus olhos.

Outra mulher se agachou perto de mim. Era enfermeira e iria ajudar. Fiquei mais aliviado. Tentei sorrir mas foi então que senti um mal estar. Minha cabeça começou a girar. Procurei me concentrar na mulher que gritava ainda mais. Contudo a dor na cabeça estava ficando cada vez mais aguda.

A mulher gritou em desespero. Gritei também. Eu estava morrendo. E no meu caso, ninguém poderia me socorrer naquele momento. A última coisa que vi antes de desmaiar foi a mulher gemendo e desmaiando de dor.

(:|:)

28 de junho de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.o.fato.e.o.assunto.

É claro que ninguém queria falar sobre o fato. Têm coisas que devem ficar esquecidas pra sempre, nas gavetas obscuras dos corredores escondidos da mente daqueles que sabem a verdade. Existem fatos que não devem ser mencionados quando uma família feliz está sentada à mesa. Tem calamidades que precisam ficar no passado e nunca mais voltar para o presente.

Ninguém queria falar sobre o fato. Mas, o assunto estava entre todos. Dormindo com eles. Comendo com eles. Vivendo com eles. O assunto tinha cor, nome e idade. O assunto olhava nos olhos de cada um pedindo justiça. O assunto não falava sobre o fato. Na verdade , o assunto não falava sobre nada. Porque até tocarem nele, ele nem era um assunto. Mas, depois do fato, ele se tornara o assunto.  E a presença dele incomodava. O fato dele ter se tornado o assunto por causa do fato, era incoveniente.

Sim. Todos disfarçavam. Mudavam de assunto, principalmente quando o assunto chegava. Jamais falavam sobre o fato com o assunto. Queriam tocar a vida. Queriam pensar em outras coisas e também em outros fatos, mesmo sabendo que o assunto nunca mudaria. Mas, preferiam assim. O que a sociedade iria dizer? Preferiam abafar o fato, para não serem assunto no jornal da cidade. Estavam dispostos a chantagear e ameaçar o assunto caso ele falasse sobre o  fato. Mas o assunto estava traumatizado demais para falar sobre qualquer coisa, e até mesmo para entender que por causa do fato ele se tornara o assunto.

Claro que ninguém queria que o fato tivesse acontecido. Mas o fato já era fato. Era um fato muito triste. Mas se o fato viesse à tona, seria mais que triste. Seria um vexame, uma vergonha, um escândelo. Silenciar o assunto, mesmo sem resolver o fato, era mais conveniente para aqueles que detinham o poder.

E também, todos preferiam acreditar que, com o tempo, o assunto esqueceria do fato. E assim, todos seguiriam sorridentes, sem nunca mais tocar no fato, mesmo convivendo com aquele que era o assunto. Pois para eles, fatos como aquele não deveriam ser mencionados para não comprometer a reputação daquele que sustentava o assunto, e que o assunto chamava de pai.

Plínio Moraes de Paula, 6 anos de idade: o assunto. Pedofilia: o fato.

É mais cômodo se calar. E é imprescíndivel se calar quando o assunto está dentro da sua casa. Afinal, ninguém quer ir aos domingos visitar o papai na prisão. Isso seria desgastante, vergonhoso e traria desunião e ruína para uma família tão unida e politicamente correta. Ademais, um dia, Plínio, cresceria, se tornaria um homem, e iria entender que proteger o pai teria sido necessário para a carreira política dele. Sim. Plínio entenderia quem mesmo sendo o assunto, esquecer o fato, teria sido a melhor escolha da toda a família.

E a justiça? Ah, deixem que ela durma confortavelmente dentro de uma das gavetas obscuras dos corredores escondidos da mente daqueles que conhecem a verdade.

E não se fala mais neste assunto!

(:|:)

2 de junho de 2009 Posted by | Família, Realidade | , , , , , , | Deixe um comentário