JoAnInHaS falam no silêncioOoOo (:|:)

…e o que elas escrevem?!

.quem.sabe.?.

Alberto parecia distraído. Mas na verdade estava concentrado. Ele sabia o que devia fazer, mas lhe faltava coragem. Eram 16:50 e logo eles viriam para fora e ele teria que encará-la. Tantas coisas lhe passavam pela cabeça. Como seria a reação dela? Será que ele conseguiria falar? Será que ela iria querer ouvir? Quem sabe?

Ele estava apreensivo. Esgueirou-se para mais perto do portão. Tentava ensaiar um discurso, mas sabia que não iria funcionar. Pensou em ir embora várias vezes. E se ela nem olhasse para ele? E se ela o odiasse mais ainda? E se…? E se…? Quem sabe? Eram tantas perguntas. Ele suava frio. Estava ofegante.

18 horas! O sinal tocou e Alberto respirou fundo. Era agora ou nunca. Não havia mais escapatória.

As crianças começaram a sair do prédio frenéticas. As menores corriam para encontrar seus pais lá fora. As mais velhas saiam caminhando mas numa algazarra incontida. Era sexta-feira e o final de semana prometia um calor digno de praia.

Contudo, Alberto não pensava em nada disso. Só conseguia olhar assustado de um lado para outro procurando por ela. Aquela por quem ele daria a vida. Aquela que era o grande e único amor de sua vida.

Então ela surgiu. Linda. Cabelos loiros brilhantes, presos pretenciosamente num rabo de cavalo impecável. Ela vinha com uma colega, riam de alguma coisa. Um beijo na face e se separaram. A colega foi para um lado e ela foi para o outro. O outro lado onde estava Alberto a esperá-la. Mas ela ia distraída, queria logo chegar em casa e iria passar direto se ele não a chamasse. Quase lhe faltou coragem, mas ele o fez:

_ Albertina!

Ela parou. Viu Alberto bem ao seu lado. O sorriso se perdeu. O maxilar ficou firme, tenso, expressão séria. Ficou muda.

_ Oi Tina.

Ela engoliu em seco, ele também. Ela ficou imóvel, ele se mexia nervoso.

_ Eu… Errr… Não sei se foi uma boa idéia. Sei que já fazia tempo, desde a última vez. Mas eu precisava vê-la para contar que..

_ Você está sóbrio pelo menos?

Ela perguntou secamente, sem rodeios, sem voltas, sem pudor.

_ Claro. Eu jamais faria isso… Outra vez. Eu mudei muito e até já…

_ O que você quer?

Alberto estava ficando mais nervoso. As coisas estavam tomando um rumo mais difícil do que ele pensava. Mas tentou se manter firme.

_ Eu quero contar que já faz 11 meses e 12 dias que não bebo, e já faz 5 meses que consegui um emprego. Aluguei um apartamento e consigo manter ele limpo e organizado, e… Olha, minhas unhas estão sempre cortadas e limpas agora.

Albertina não disse nada, mas sua expressão suavizou.

_ Não sei se isso faz alguma diferença pra você, mas…bem… Pelo menos você não precisa mais ter vergonha de ter um alcoólatra por perto.

_ Preciso ir, Alberto. É só isso?

_ É. Na verdade não. Tina, eu queria te convidar para almoçar comigo na quinta. É meu dia de folga e eu pensei, se, talvez…

_ É seu aniversário, Alberto.

_ É, também tem isso. Você não esqueceu, eu pensei que…

_ O que você quer de presente, Alberto?

_ Nada. Só quero você, Tina.

Albertina respirou fundo. Ela não esperava nada daquilo em plena sexta-feira. Apesar de estar assutada com o repentino surgimento de Alberto, no fundo, estava feliz. Queria abraça-lo, beijar-lhe a face, mas seu orgulho era maior que sua vontade no momento. Alberto cortou o silêncio:

_ Então eu te pego em casa…

_ Não. A gente se encontra no “El Cheff” às 11 horas de quinta.

_ Ah, sim. Se for melhor pra você. Claro!

_ Ótimo.

Albertina deu alguns passos para ir. O riso guardado lá dentro, a alegria bem contida dentro de si. Alberto estava pasmo, e mais que feliz. Realiazado. Satisfeito. Mas ainda faltava algo, por isso não deixou de tentar.

_ Albertina!

Ela voltou-se já há alguns metros de distância.

_ Obrigado… Ah! Quem sabe, até lá, você possa me chamar de pai outra vez.

Ela deu de ombros e respondeu:

_ É. Quem sabe?

Albertina virou-se outra vez e continuou caminhando. Alberto se sentia nas nuvens. O “talvez” era o melhor presente de aniversário que ele já havia recebido de sua preciosa filha.

(:|:)

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9 de dezembro de 2009 Posted by | Família, Realidade | , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.a.ligação.

Já era hora de receber uma ligação do Carlos. Fazia uma semana que nós tínhamos almoçado juntos e nada. Então finalmente ele ligou. Mas sabe o que ele me disse? Você não vai acreditar! Porque eu também quase não acreditei. Ele ligou para perguntar se eu tinha o número da Ge. Acredita nisso? Ele quer sair com ela! Eu devia ter desconfiado… Ele perguntou tanto dela. Mas eu nem me liguei na hora. Ai, que raiva! E sabe o pior? Ele disse que se der tudo certo ele vai me agradecer pelo resto da vida, e eu serei a madrinha de casamento deles. Que rídiculo! Pára de rir porque não foi com você não, tá?!

(:|:)

21 de agosto de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , , | Deixe um comentário

.tentativas.

Oi Viny! Tô escrevendo só pra te dizer que eu te amo!

Oi, tudo bem, Viny? Não sei se tu já notou, mas eu…eu…

Bom dia! Hoje eu acordei e percebi que não posso deixar passar mais este dia sem que tu saibas o que eu sinto…

Viny, tu sabe que eu gosto de ti?

Oi! Vou direto ao assunto tá? Olha já faz um tempo que eu tô sentindo algo diferente por ti… Sabe? Algo além da amizade… muito além disso na verdade. Pois é… tu nunca reparou né? Foi o que eu imaginei…

Hei Viny! Eu pensei se tu não gostaria de tomar um café comigo hoje. Lá pelas 4… ou melhor.. pelas 16:00 horas…

Oi! Como você tá? Eu tô querendo muito falar com você. Será que podemos marcar uma hora? Se eu não estiver me deixa um bilhete também…. ou me liga… 5554-9682…

Viny, estou apaixonada por ti… parece louco… mas…

Olá, Viny! Estou buscando várias formas pra dizer uma única verdade, a única verdade que sempre houve entre nós. EU TE AMO! Será que tu nunca vai perceber isto? Já faz tempo que tento te falar… Mas parece que tu não quer perceber, parece que tu prefere não saber o que eu sinto. Mas saber ou fingir não saber, não vai mudar o que já sinto há tanto tempo. Sei que tu não me ama. Sou apenas tua amiga. Só mais uma entre tantas. Mas eu te amo. E pra mim isto basta. Basta por nós dois. Não vem me dizer que não sentes o mesmo, porque isto eu já sei. Então me poupe de sofrer mais do que já sofro simplesmente por te amar… Ana Carolina.

Oi, Viny! Só tô deixando este bilhete pra te avisar que a planilha de julho já está pronta. Pega comigo depois do almoço. Bom dia! Ana.

(:|:)

9 de agosto de 2009 Posted by | Cotidiano, Romances | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

No.Reino.das.Alparcas.Sobressalentes.

Nomadéges era belo, elegante, descontraído. Tudo o que um príncipe herdeiro deveria ser. Mas ele só era príncipe e não herdeiro. Era o segundo dos 8 filhos do rei Hurpédio e da rainha Ságlora. Que majestavam com alegria o Reino das Alparcas Sobressalentes.

Estava ele certo dia sentado no jardim do palácio lendo um de seus livros preferidos, quando a carruagem do Conde Monthecí parou a uma certa distância. Nomadéges ficou observando com certa expectativa e com toda razão. Da carruagem desceu a linda filha do conde, a condessa Glérita, com um suntuoso vestido amarelo.

_Hei! Se é a mim que você procura, é aqui que eu estou!

Disse Nomadéges em alta voz. Glérita olhou para ele veio andando em sua direção. Nomadéges levantou-se e também foi ao encontro dela. Ao se aproximarem ele disse enquanto pegava sua mão:

_Você está cada vez mais linda!

Ela respondeu enquanto ele beijava as costas de sua mão com suavidade:

_E você está cada vez mais convencido!

Nomádeges levantou o rosto com um sorriso maroto.

_Quem disse que vim procurá-lo?

Ela disse e ele sorriu de novo:

_E não veio?

Dessa vez o risinho foi dela:

_Não. Vossa majestade, a rainha Ságlora, mandou me chamar.

Nomadéges franziu a testa curioso e Glérita logo emendou: _

Não sei o que ela quer. Então não me olhe assim. Só espero que você não tenha nada a ver com isso.

Ele fingiu ficar sério:

_Eu? E por que teria? Eu nada sei dos assuntos de minha mãe. Mas seja o que for que ela tenha para te dizer… você irá me contar, não é , Glérita?

Ela meio sem jeito tentou responder:

_Nomadéges, eu não sei  nem o que…

Nomadéges a interrompeu: _

_Ora vamos, Glérita! Eu sou seu melhor amigo. Não vai guardar segredos de mim não é?!

Glérita falou firme:

_Nomadéges! Como se atreve a me pedir isso? Se você quiser saber o que sua mãe tem para tratar comigo, pergunte você mesmo a ela!

Antes que ele pudesse dizer alguma coisa, ouviu sua  mãe gritar da escadaria do castelo:

_Glérita, querida! Estou aqui! Venha de pressa!

Glérita foi em sua direção e Nomadéges lhe perguntou:

_Não vai ao menos se despedir?

Glérita parou, olhou para trás, deu um suspiro de reprovação para Nomadéges e continuou a caminhar ao encontro da rainha.

A rainha tinha uma voz tão aguda que Nomadéges, mesmo distante a ouviu elogiar Glérita:

_Ah! Você está radiante neste vestido amarelo!

Nomadéges, que caminhava de volta para sua cadeira de leitura finamente almofada com seda indiana, balançou a cabeça enquanto sorria, pois concordava plenamente com o elogio de sua mãe.

Sentou-se novamente, mas já não conseguia mais ler. A imagem do belo rosto de Glérita não saia de sua mente. Ficou ali por um tempo a imaginar o que sua mãe queria com ela. Nisso, viu uma bela plebéia surgir pelo lado da entrada do vale dos girassóis em direção à entrada dos criados do castelo. Ela carregava uma cesta nos braços, e outra dependurada em seus ombros, ambas repletas de girassóis. Deveria ser uma nova criada, pois seu rosto não era conhecido para ele.

Depois de um longo tempo, viu ao longe Glérita descer as escadas acompanhada de sua mãe, a rainha,  que a abraçava e lhe falava alguma coisa discretamente. Ao pé da escada a rainha a abraçou e se despediu com um beijo na face. Enquanto sua mãe voltava para dentro do palácio, Nomadéges ascenou para Glérita. Séria, ela mau meneou a cabeça para ele e subiu na carruagem. Nomádeges não gostou nada daquilo tudo; e ficou muito incomodado.

 Seja como for, na hora do almoço, Nomadéges não achou que seria uma boa hora para comentar algo com sua mãe. A mesa de 54 lugares estava repleta de girassóis que alegravam o salão nobre reservado somente para as refeições da família real. Assim, Nomadéges deduziu que não seria um almoço qualquer.

Todos estavam reunidos. O bondoso rei Hurpédio, a sábia rainha Ságlora, seus oito filhos: Binzíntio, Nomadéges, Aiú, Glorítides, Slópatra, Sonífeu, Ogrípio e Helecíncia; e o sobrinho neto da rainha, Trolísdipo.

_Meus queridos filhos, filhas e sobrinho… Eu e meu querido esposo, encarando a realidade de que já não somos mais tão jovens e percebendo a necessidade de preparar  nosso trono para o novo rei, queremos anunciar o grande noivado de Binzíntio que  deverá acontecer dentro de 6 meses!

 Nomadéges, mesmo sem entender o porquê, não gostou nada da notícia. Ficou tão desconfortável que mau entendeu o que seu irmão disse ao se levantar. Alguma coisa com não estar afeiçoado. Somente percebeu que a rainha Ságlora, sorriu para seu irmão com ternura e disse sabiamente:

_Mas até lá, estarás meu filho. Estarás.

Binzínio tomou seu lugar, enquanto todos levantavam suas taças para brindar o pronunciamento de um acontecimento tão importante. Em silêncio Nomadéges se perguntava: “Estará o que? Afeiçoado? Mas por quem?!” Um frio lhe percorreu a espinha quando a imagem do lindo rosto da jovem Glérita lhe veio a mente mais uma vez.

(:|:)

22 de abril de 2009 Posted by | Conto de Fadas sem Fadas, Romances | , , , , , , , , | Deixe um comentário

.marreco.recheado.com.gosto.de.queimado.

Amélia queria que tudo estivesse perfeito para o almoço daquele dia. Sua sogra iria visitá-la e certamente a metida de sua cunhada iria junto. Portanto sua nova receita de marreco recheado seria formidável para a ocasião.

Chegou em casa com as compras e foi logo preparando todos os condimentos que iria usar  para fazer o prato tão saboroso. Mesmo sendo domingo, seu marido estava trabalhando. Na verdade, era um bico, para ajudar nas despesas extras com a construção da garagem da casa.

Sem a ajudinha do marido, Amélia, precisava dar conta do recado sozinha. E tinha muita coisa para fazer. Ainda bem que a sobremesa já estava encaminhada desde o dia anterior, uma preocupação a menos. Enquanto cortava o beacon, que seria frito antes de ser misturado com  os demais ingredientes do recheio do marreco, ela ouvia uma musiquinha alegre. Ouvir músicas típicas polonesas  enquanto cozinhava a ajudava a se concentrar.

Recém havia ligado o fogão, para esquentar o óleo que estava na frigideira em que o beacon seria fritado, e o telefone tocou. Correu para atendê-lo. Era o marido dizendo que iria se atrasar para o almoço, pois o filho do patrão havia sofrido algum tipo de acidente; algo que ela não entedeu direito. O atraso do marido era agora um grande problema para Amélia, sua sogra iria “xiar” muito com a falta do filho para recebê-la à porta. Amélia argumentou, brigou, choramingou. Os dois tentaram encontrar uma saída para a situação, que seria no mínimo inconveniente. Infelizmente, a sogra de Amélia era inflexível. Nenhuma explicação seria suficiente para fazê-la entender que os imprevistos acontecem. Tudo o que a sogra de Amélia faria seria passar o almoço inteiro falando da gafe do filho e da nora.

Tudo paracia despencar. Amélia e o marido não encontravam jeito para amenizar a situação. A solução seria mesmo Amélia ter que enfrentar, ou “recepcionar”, a sogra sozinha, pedir desculpas, esperar o marido  chegar atrasado, e passar o restanto do dia ouvindo sua sogra dizer, na cara deles, o quanto seu outro filho e sua outra nora jamais permitiriam que isso acontecesse.

Ainda um pouco aborrecida Amélia desligou o telefone pensando que nem mesmo a estréia de sua nova receita iria abrandar o azedume da “sogrinha querida”. Foi bem nessa hora que sentiu um terrível cheiro de fumaça e lembrou que deixara o fogão ligado esquentando o óleo na frigideira. 

Mas então, já era tarde demais. Ouviu uma explosão vinda da cozinha e o fogo preciptou-se pelo corredor. Só deu tempo de Amélia correr para o lado oposto e escapar pela porta da sala.

Lá fora os vizinhos já haviam se ajuntado para ver de onde vinha a fumaça que se erguia pela rua. Quando viram Amélia sair da casa correndo ficaram aliviados, mesmo pesarosos com o estrago que o fogo estava fazendo na parte lateral da casa, onde ficava a cozinha.

Todos queriam saber  como o fogo havia começado. E um pequeno tumulto se fez em volta de Amélia, enquanto alguém dizia que os Bombeiros estavam chegando. Tudo o que Amélia conseguia fazer era respirar fundo para tentar processar tudo o que estava acontecendo. Sua casa estava se consumindo em chamas bem diante de seus olhos. Não acreditava que isso estava acontecendo com ela. Mas, estava. Era real.

Isso, só porque ela queria que tudo estivesse perfeito para o almoço daquele dia. Tentou olhar pelo lado bom (se é que havia algum lado bom em perder sua casa num incêndio) ao menos não teria que ouvir as ladainhas de sua sogra por causa do atraso de seu marido. E poderia deixar sua nova receita de marreco recheado para a visita de sua mãe, que parecia uma idéia bem mais agradável.

O som da sirene do caminhão dos Bombeiros a trouxe de seus pensamentos no momento exato que uma outra explosão, vinda da cozinha, aconteceu. Nisso sua casa já estava quase toda consumida pelas chamas. O estrago era grande. Foi então que alguém tocou em seus ombros e ela, mecanicamente, se virou para ver quem era. Sua sogra com um olhar fulminante e acusador a observava com uma expressão implacável.

Foi então que Amélia se dera conta que, assim que contasse a sua sogra como tudo acontecera, não teria que ouví-la azucrinando em seu ouvido pelo resto dia, mas sim teria qua aguentar sua sogra jogando em sua cara a culpa de um erro tão  “estúpido” pelo resto de sua vida.

_O que aconteceu aqui, mocinha?

Sua sogra perguntou ironicamente e com uma raiva visível em seus olhos. Nesse momento , Amélia desejou ardemente não ter conseguido sair da casa,  que consumida pelo fogo, começava a se transformar em cinzas.

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15 de abril de 2009 Posted by | Geral | , , , , , , , , , | Deixe um comentário

No.Reino.das.Alparcas.Sobressalentes.

Binzíntio era meio desligado, desajeitado, tímido. Mas, um bom rapaz. Era o príncipe herdeiro. O mais velho de 8 filhos do rei Hurpédio e da rainha Ságlora. Que majestavam com alegria o Reino das Alparcas Sobressalentes.

Estava ele certa manhã , cavalgando pelo jardim do pálacio com seus nobres cavaleiros da corte real, quando avistou o vale dos girassóis. Ao longe percebeu  uma jovem que colhia as belas flores amarelas. Desceu de seu cavalo e pediu que os outros o esperassem ali.

Aproximou-se meio sem jeito:

_Lindas flores não é?!

Comentou  Binzítio meio sem graça:

_Sim, pena que não são minhas.

Intrigado com a resposta continuou o diálogo:

_Se não são suas, porque está colhendo?

A moça olhou para ele desacreditada:

_Oras, este é  o jardim do rei. Você acha que eu poderia ser dona de um lugar assim?! Só estou colhendo as flores para ajudar minha vó que trabalha no pálacio. As flores são para a rainha. Hoje está muito quente e não me pareceu bem, que minha avó, já com a idade que tem, viesse colher as flores. Então eu vim no lugar dela. Além de tudo, carregar girassóis em grande quantidade não é lá um servicinho qualquer.

O jovem príncipe confuso com a enchurrada de palavras, olhava a donzela com os olhos arregalados. Ela olhou para ele espantanda:

_E tu? Que estas a me olhar com essa cara de tolo?

Ele meio sem jeito respondeu:

_Errr…Eu? Hã… Eu só estava passando por aqui…e vi você… e… eu… é… bem… pensei se não gostaria de ajuda.

A moça começou a rir:

_Ora, ora! Eu lá sou de aceitar ajuda de estranhos? E também, já  terminei o serviço. Preciso ir logo para o pálacio. A rainha quer a flores para a hora do almoço. Com licença, e passar bem.

Binzíntio ficou ali parado  a  observar a jovem que se afastava. Foi quando se deu conta de que eles nem se quer haviam  se apresentado.  O mais curioso ainda, é que se ela trabalhava no palácio, onde ele morava, porque nunca  a tinha visto antes?

Seja como for, na hora do almoço, a mesa de 54 lugares, estava repleta de girassóis que alegravam o salão nobre reservado somente para as refeiçoes da família real.

Todos estavam reunidos. O bondoso rei Hurpédio, a sábia rainha Ságlora, seus oito filhos: Binzíntio, Nomadéges, Aiú, Glorítides, Slópatra, Sonífeu, Ogrípio e Helecíncia; e o sobrinho neto da rainha, Trolísdipo.

_Meus queridos filhos, filhas e sobrinho… Eu e meu querido esposo, estando todos reunidos, e encarando a realidade de que já não somos mais tão jovens e percebendo a necessidade de preparar  nosso trono para o novo rei, queremos anunciar o grande noivado de Binzíntio que  deverá acontecer dentro de 6 meses!

Quando todos iriam aplaudir festivamente, Binzíntio levantou-se meio contrariado:

_O que?!… Noivado?!… Mamãe… isso é… é impossivel! Eu nem se quer estou afeiçoado.

Rainha Ságlora, sorriu para o filho com ternura e disse sabiamente:

_Mas até lá, estarás meu filho. Estarás.

Sem reação o rapaz tomou seu lugar, enquanto todos levantavam suas taças para brindar o pronunciamento de um acontecimento tão importante.

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7 de abril de 2009 Posted by | Conto de Fadas sem Fadas, Romances | , , , , , , , , | Deixe um comentário

.querido.diário.virtual.

Hoje é um daqueles dias chuvosos e tristes. Meus preferidos. Perfeito para uma soneca depois do almoço. Mas a vida aqui no escritório é tão agitada, que não paro nem para o horário do almoço. Neste exato momento estou na sala de reuniões. Meu chefe é um dos sócios da empresa “Fhytress e Associados”. São quatro irmãos advogados, sócios, amigos e rivais também.  Meu chefe, o irmão mais velho e sócio majoritário, não costuma pegar nenhum caso, trabalha mais na área burocrática de administração da empresa matriz e suas filiais. Hoje, a pauta da reunião, trata da construção de um novo prédio para atender causas públicas, custeadas pelo governo. Estão aqui os quatro irmãos, cada um com sua secretária particular, 2 arquitetos, 3 engenheiros, 3 empreiteiros, 1 decoradora, os 3 contadores da empresa,  e um moço servindo o café. Sim, 21 pessoas nesta sala que está bem fria por sinal. E cada um de nós com uma opinião diferente, desempanhando pápeis diferentes, e , imagino eu, querendo estar em um lugar diferente com pessoas diferentes também. Essa reunião já dura 1 hora e meia. E está muito enfadonha.  Agora um dos contadores começou a falar sobre a disponibilidade financeira da empresa e sobre a verba que virá do governa para ajudar a custear a obra. O irmão mais novo do meu chefe fez cara feia. Acho que ele não gosta muito desse contador. O moço do café derramou açucar na roupa de um dos engenheiros, e discretamente está tentando limpar a bagunça. A decoradora já abriu a boca de sono umas 4 vezes. Coitada. Ela tem um bebê de 8 meses. Deve ter passado a noite em claro. Um dos engenheiros não pára de encarar a secretária de um dos irmãos do meu chefe. Parece que ela está gostando. Mas não é bom ela dar muita trela porque o homem é casado. O outro contador começou a falar também apontando uma outra proposta pra o melhor uso da verba governamental. Um dos arquitetos não pára de mexer no cabelo. Deve estar impaciente. Ele olha para o relógio toda hora. Um dos empreiteiros começou a espirrar. Deve ter ficado resfriado com esse friozinho que apareceu nos últimos dias. Ele está espirrando mesmo. Pediu licença e saiu da sala. Um dos irmãos do meu chefe fez uma pergunta, que eu não entendi muito bem,  para um dos outros dois contadores. Parece que ele não está concordando muito com a forma que o dinheiro será aplicado. O contador respondeu detalhadamente. E o moço do café, ainda meio desajeitado, está servindo um dos engenheiros, que prefere adoçante ao invés de açúcar. O irmão do meu chefe não gostou da resposta do contador. E  começou a contestá-lo. O outro contador entrou com outro argumento. Meu chefe concordou. Mas o irmão dele ainda não está satisfeito. O clima ficou meio tenso.  Ixi, a outra arquiteta começou a espirrar também. Uma das sercretárias alcançou um lenço de papel para ela. O outro irmão de meu chefe está tentando apaziguar as coisas. O irmão mais novo dele disse agora que também não está concordando. O empreiteiro voltou para a sala com a pontinha do nariz vermelho. Todos olharam para ele, inclusive eu. Meu chefe está dizendo que fará uma reunião somente com os 4 irmãos e os contadores para resolver isso. Menos mau, porque uma discussão agora seria muito frustrante, para nós é claro, que não vemos a hora de ir embora. De tanto bocejar, a decoradora contajiou uma das sercretárias e um dos empreiteiros que não param de bocejar agora também. Isso está mesmo um tédio. Parece que o relógio está andando para trás. Meu chefe ficou de pé. Finalmente, isso quer dizer que a reunião vai  terminar. Ele está discursando sobre as decisões que ainda preicsam ser tomadas. Acho que hoje vai dar tempo de ter um almoço decente. Meu chefe marcará uma outra reunião e mandará informar a todos. Perguntou se alguem tem mais alguma consideração a fazer. Ai tomara que não. Isso está mesmo muito chato. Todos ficaram em silêncio. O moço do café derrubou alguma coisa e fez um estardalhaço. Coitado, ficou vermelho e está pedindo desculpas. O irmão mais novo do meu chefe não gotou nada, como sempre. Uma das secretárias levantou para ajudá-lo. Meu chefe está agradecendo a presença de todos, mas antes de sairem pede para que escutem a leitura da ata da reunião que deveria ter sido redijida por mim. E agora?!  Eu fiquei aqui escrevendo no meu diário para me distrair e não escrevi ata nenhuma!!! Ele está me olhando com uma cara muito feia… Ai, ai, ai!!!

(:|:)

3 de abril de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , , , , | Deixe um comentário

.nunca.é.tarde.para.amar.

Senhorzinho já estava com 93 anos. Mas tinha o vigor dos 39. Fazia longas caminhadas, cuidava de sua casa, sua comida, suas roupas. E continuava a fazer o que sempre gostara: dar aulas. Professor paciente e exigente. Tirava o máximo de seus alunos. E seus esforços eram sempre recompensados.

Um dia o senhorzinho foi convidado para um almoço na casa de um de seus alunos. Quando chegou lá, se deparou com a bela silhueta de uma mulher de 87 anos. A bisavó de seu aluno. Todo encantado com a mimosa beleza da senhorinha se surpreendeu ao perceber que ainda era tempo de se apaixonar. Cheio de galanteios convidou senhorinha para um passeio no parque no fim de semana. Ela toda encantada com seus gracejos aceitou faceiramente.

Dia ensolarado, vento gostoso, os dois passearam pelo parque enquanto tentavam resumir suas vidas tão experientes. Entre uma risadinha e outra  eles se deram conta que não estavam assim tão velhos para amar, e que a idéia de viver seus ultimos anos com alguem especial a seu lado parecia agradavel.

Começaram a namorar. Uma surpresa para a família de ambos. Contudo uma surpresa agradável e inesperada. E assim a vida parecia ainda mais boa. No fim da tarde, nos dias que nao dava aula, o senhorzinho ia à casa da senhorinha e enchia uma bacia com água morna e lavava os pés da senhorinha massageando-os com cuidado. Já por outro lado a senhorinha escrevia bilhetinhos carinhosos e escondia nos bolsos da roupa do senhorzinho, que os encontrava em horas inesperadas no decorrer do seu dia fazendo-o rir de contentamento.

O senhorzinho sem dúvidas de sua afeiçao pediu a mão da senhorinha em casamento, que com um sorriso maroto disse “sim” sem pestanejar.A cerimonia seria numa sexta-feira de manha. Algo simples e sem formalidades, com a familia e alguns amigos.

Roupas a rigor. Sorriso nos lábios. Um dia agradável. Com direitos a flores e fotos, o senhorzinho e a senhorinha disseram “sim”  para a vida a dois naquela bela manha de sexta-feira. Mesmo parecendo tão imprevisível era uma família novinha de velhinhos que se formava. Tiveram um lindo dia de recem casados. Trocando beijinhos e carinhos.

No outro dia, senhorzinho morreu.

 

Fim!

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26 de março de 2009 Posted by | Romances | , , , , , , , , , , | Deixe um comentário