JoAnInHaS falam no silêncioOoOo (:|:)

…e o que elas escrevem?!

.feliz.natal.

***

_ Ele é assim. E é por isso que nós o amamos tanto. Ele sempre diz que a gente tem que levantar cedo pra resolver a vida, e todo dia as 5 da manhã ele levanta… Sem despertador, é claro. E eu espero que ele goste do meu presente, né? Mário, você é meu amigo secreto!

***

_ Querida, ainda tenho muitas coisas pra resolver aqui. Diz para as crianças abrirem os presentes sem mim… Eu sei, eu sei… Mas é por causa desse emprego que temos nossa casa nova, e a melhor escola para as crianças, e todos esses presentes… Por favor, meu amor, não vamos discutir agora. Em uma hora estarei em casa…Prometo. Te amo… Feliz Natal.

***

_ Posso te pagar uma bebida?

_ Por favor.

_ Uma jovem tão bela não deveria estar sozinha na noite de natal.

_ Este é o clube dos solitários, quem não tem ninguém vem pra cá enquanto os outros abrem presentes e sorriem felizes com suas famílias.

_ Percebeo uma mágoa aí.

_ Simplesmente não gosto de natais.

_ O que você não gosta é da solidão.

_ E você é meu anjo-da guarda que veio me salvar de mais um natal chato e deprimente.

_ Acho que não.

_ Oh! Mais uma frustração… Hahaha.

_ Então você realmente não tem ninguém na vida?

_ Não.

_ Tem certeza?

_ O marido da minha irmã a traiu há 3 anos atrás. Ele se arrependeu de verdade. Ela o perdoou.

_ E…?

_ E a mim também.

_ Uh!

_ Mas eu não me perdoei. E faz 3 anos que não falo com ela. É melhor pra todos.

_ Tenho certeza que ela está infeliz com isso.

_ Quem é você pra ter certeza sobre qulaquer coisa a respeito da minha vida? Aposto que você também tem alguém perdido por aí.

_ Tenho mesmo. Uma filha de 7 anos. Mas ela está bem feliz com seus milhares de presentes. O padrasto dela é muito rico.

_ E eu tenho certeza que o melhor presente pra ela seria uma ligação tua, um abraço teu.

_ Será que eu posso te dar um beijo?

_ Só se for agora.

***

_ Me passa o tomate.

_ E ele tá amassado?

_ Gente esse peru tá desmanchando… Muito bom!

_ Oh, não toma toda a coca.

_ Mas você já repetiu e eu não.

_ Calma! Tem mais lá no freezer gente!

_ Ai! Quemei minha boca!

_ Me dá o arroz.

_ Pessoal! Quero aproveitar pra dizer que estou muito feliz por todos estarem aqui. Eu agradeço a Deus por ter a oportunidade de ter meus 5 filhos e minha esposa querida sempre ao meu lado. Este é úm dia especial e fico muito contente por todos aqui. Feliz natal pra nós!

***

_ Por favô tio, me dá uma moedinha. Quero come alguma coisa hoji. É natal e eu queria levá umas bolachinha de natal pá minha mãe. Já tá  noitecendo e eu vô pá casa. Não vou gastá com coisa feia não, tio. Quero dá um presenti pá minha mãe. Só uma moedinha, tio, e eu já tô feliz… Não tem não, tio? Taum tá. Brigado mesmo assim,tio. Feliz natal po sinhô.

***

(:|:)

 

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18 de dezembro de 2009 Posted by | Cotidiano, Realidade | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.o.que.é.o.nada.?.

Todos estão andando pelas ruas fingindo estarem distraídos.

Estão buscando alguma coisa. Procuram desesperadamente, mas niguém corre. Ninguém sabe o nome daquilo que procura.

Há uma falsa sombra debaixo dessa árvore, não há como se esconder.

As crianças, sim, estão distraídas. Elas não procuram alguma coisa, a não ser pedrinhas naquele mato que alguns ainda chamam de grama.

Ninguém escolhe a cor dos próprios olhos. Mas todos podem escolher com que cor verão o mundo.

Porque, na verdade, niguém está distraído. Todos estão com os olhos bem abertos… Procurando.

E estas palavras não estão simplesmente soltas ao léu. Estas palavras estão contando uma história; e ela já começou.

Preste atenção.

(:|:)

15 de dezembro de 2009 Posted by | DiVaGaÇõEs | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário

.quem.sabe.?.

Alberto parecia distraído. Mas na verdade estava concentrado. Ele sabia o que devia fazer, mas lhe faltava coragem. Eram 16:50 e logo eles viriam para fora e ele teria que encará-la. Tantas coisas lhe passavam pela cabeça. Como seria a reação dela? Será que ele conseguiria falar? Será que ela iria querer ouvir? Quem sabe?

Ele estava apreensivo. Esgueirou-se para mais perto do portão. Tentava ensaiar um discurso, mas sabia que não iria funcionar. Pensou em ir embora várias vezes. E se ela nem olhasse para ele? E se ela o odiasse mais ainda? E se…? E se…? Quem sabe? Eram tantas perguntas. Ele suava frio. Estava ofegante.

18 horas! O sinal tocou e Alberto respirou fundo. Era agora ou nunca. Não havia mais escapatória.

As crianças começaram a sair do prédio frenéticas. As menores corriam para encontrar seus pais lá fora. As mais velhas saiam caminhando mas numa algazarra incontida. Era sexta-feira e o final de semana prometia um calor digno de praia.

Contudo, Alberto não pensava em nada disso. Só conseguia olhar assustado de um lado para outro procurando por ela. Aquela por quem ele daria a vida. Aquela que era o grande e único amor de sua vida.

Então ela surgiu. Linda. Cabelos loiros brilhantes, presos pretenciosamente num rabo de cavalo impecável. Ela vinha com uma colega, riam de alguma coisa. Um beijo na face e se separaram. A colega foi para um lado e ela foi para o outro. O outro lado onde estava Alberto a esperá-la. Mas ela ia distraída, queria logo chegar em casa e iria passar direto se ele não a chamasse. Quase lhe faltou coragem, mas ele o fez:

_ Albertina!

Ela parou. Viu Alberto bem ao seu lado. O sorriso se perdeu. O maxilar ficou firme, tenso, expressão séria. Ficou muda.

_ Oi Tina.

Ela engoliu em seco, ele também. Ela ficou imóvel, ele se mexia nervoso.

_ Eu… Errr… Não sei se foi uma boa idéia. Sei que já fazia tempo, desde a última vez. Mas eu precisava vê-la para contar que..

_ Você está sóbrio pelo menos?

Ela perguntou secamente, sem rodeios, sem voltas, sem pudor.

_ Claro. Eu jamais faria isso… Outra vez. Eu mudei muito e até já…

_ O que você quer?

Alberto estava ficando mais nervoso. As coisas estavam tomando um rumo mais difícil do que ele pensava. Mas tentou se manter firme.

_ Eu quero contar que já faz 11 meses e 12 dias que não bebo, e já faz 5 meses que consegui um emprego. Aluguei um apartamento e consigo manter ele limpo e organizado, e… Olha, minhas unhas estão sempre cortadas e limpas agora.

Albertina não disse nada, mas sua expressão suavizou.

_ Não sei se isso faz alguma diferença pra você, mas…bem… Pelo menos você não precisa mais ter vergonha de ter um alcoólatra por perto.

_ Preciso ir, Alberto. É só isso?

_ É. Na verdade não. Tina, eu queria te convidar para almoçar comigo na quinta. É meu dia de folga e eu pensei, se, talvez…

_ É seu aniversário, Alberto.

_ É, também tem isso. Você não esqueceu, eu pensei que…

_ O que você quer de presente, Alberto?

_ Nada. Só quero você, Tina.

Albertina respirou fundo. Ela não esperava nada daquilo em plena sexta-feira. Apesar de estar assutada com o repentino surgimento de Alberto, no fundo, estava feliz. Queria abraça-lo, beijar-lhe a face, mas seu orgulho era maior que sua vontade no momento. Alberto cortou o silêncio:

_ Então eu te pego em casa…

_ Não. A gente se encontra no “El Cheff” às 11 horas de quinta.

_ Ah, sim. Se for melhor pra você. Claro!

_ Ótimo.

Albertina deu alguns passos para ir. O riso guardado lá dentro, a alegria bem contida dentro de si. Alberto estava pasmo, e mais que feliz. Realiazado. Satisfeito. Mas ainda faltava algo, por isso não deixou de tentar.

_ Albertina!

Ela voltou-se já há alguns metros de distância.

_ Obrigado… Ah! Quem sabe, até lá, você possa me chamar de pai outra vez.

Ela deu de ombros e respondeu:

_ É. Quem sabe?

Albertina virou-se outra vez e continuou caminhando. Alberto se sentia nas nuvens. O “talvez” era o melhor presente de aniversário que ele já havia recebido de sua preciosa filha.

(:|:)

9 de dezembro de 2009 Posted by | Família, Realidade | , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.a.caixa.colorida.

Ela tinha uma caixa. A caixa era dela. E lá dentro tantas alegrias. E lá dentro tantas tristezas. Segredos. Medos. Vergonhas. Sorrisos. Sonhos. Frustrações. Tempos bons e ruins. Cartões dos melhores e dos péssimos. Mas nada fora compartilhado até aquele momento. Estava tudo bem guardado, fechado e escondido dentro da caixa colorida.

Não que não houvesse o interesse em abri-la. Mais que isto. Havia a necessidade. Mas na mão de uma criança a chave acaba se perdendo. E foi assim que aconteceu. Dessa forma ninguém a havia encontrado. Não que não  tivessem procurado a tal chave, mas acho que no fim ela não queria encontrá-la. E por isso, depois de um tempo, não pediu mais ajuda a ninguém.

A caixa colorida de fita larga e vermelha continuou lá. Fechada. De alguma forma ela conseguia colocar coisas dentro da caixa, mas sem a chave ela não conseguia abri-la para tirar ou rever essas e outras coisas. A caixa colorida estava fechada com o laço, mas só uma chave poderia destrancá-la. Sim, tudo muito confuso. Porque, de certa forma, ela também era assim. Sua caixa era como ela, ou ela era como sua caixa. Ninguém sabia mais ao certo, nem ela mesma.

E lá, perdida em algum lugar, ficou a caixa colorida. Ela sempre ia visitá-la para guardar alguma coisa. Mas nunca mais tentara abri-la até então. Na verdade, ela ficou anos sem se quer contar a alguém que guardava uma caixa colorida. Os novos amigos não sabiam da existência dela, e os velhos já achavam que a caixa colorida era só uma invenção fantasiosa.

Mas um dia, por mais bem elaborada que seja, a endrominante retórica não convence mais ninguém. Por isso ela se cansou de tentar convencer a si própria. Sem discursos para se apoiar, ela já tinha decidido que tudo acabaria de vez. E o que nem se quer começara encontraria seu fim. Foi quando ela se lembrou da caixa, era a única coisa que talvez a ajudasse a querer continuar vivendo ou lhe mostrasse até o que era viver. Então, ela quis desesperadamente abrir a caixa, a sua caixa colorida. Precisava disso mais que antes. Mas, e a chave?

Foi em uma grande odisséia que ela encontrou o Senhor do Tempo (que é o Eterno Pai do grande deus Niurion), o Cavaleiro do Escudo Vermelho, (que é aquele para quem tudo teve início e terá fim), e o Grande Poeta (que é o Escritor que o Senhor do Tempo enviou para confirmar seus decretos) e eles lhe revelaram como encontrar a chave. E isto já é uma história a parte. O importante agora é saber que a Donzela das Flores nos Pés, que é a Quarta Irmã da Borboleta Colorida, a ajudou a desfazer o laço vermelho. Foi aí que o caminho para encontrar a chave começou a se desvendar conforme já havia anunciado o Senhor do Tempo, o Cavaleiro do Escudo Vermelho e o Grande Poeta.

E foi assim, debaixo da sombra do assombroso Ipê Amarelo, que ela encontrou a Valente Sábia do Pastoreio, que é a filha da filha da Mulher do Coração de Ouro, que é uma das poucas que ainda ouve de Sofia tudo o que ela lhe conta sobre o Senhor do Tempo e seus decretos, e isto também já é uma história a parte. O importante é saber que foi ela que  lhe entregou a chave perdida. Na verdade a Valente Sábia do Pastoreio nem se quer sabia que possuía a chave perdida até o momento que colocou a mão no coração para procurar. E encontrou. Ao entregar a chave para ela a Valente Sábia do Pastoreio ficou preocupada: a chave era muito pesada para a outra carregar. Mas era preciso abrir de uma vez a caixa colorida e esvaziá-la. Pois se a chave era pesada, a caixa era ainda mais.

Com a chave na mão ela se despediu da Valente Sábia do Pastoreio e prometeu lhe trazer dos seus próprios frutos para que esta pudesse saborear na outra primavera. Ela correu até o Refúgio dos Guerreiros da Profecia, onde morava a Donzela dos Pés das Flores e lhe mostrou a chave. Ela não falou palavra alguma. Mas isto não quer dizer que ela não tenha dito nada. Ela disse muito sem falar. Como o laço já havia sido desfeito a Donzela dos Pés das Flores a ajudou a abrir a caixa colorida por um tempo encaixando a chave na tranca, depois ela precisou girar a chave sozinha.

Com a chave ela abriu a caixa. Naquele momento ela viu quanta coisa havia ali. Umas eram lixo. Podridão. Cheiravam mal. Outras precisavam ser recicladas, reaproveitadas, refeitas. E algumas necessitavam ser usadas com urgência. Sem mais nenhuma espera ou exigência.

Eram coisas demais para serem organizadas. Muita confusão, muito conflito, muita informação. Era tudo muito velho e muito novo ao mesmo tempo. Doía demais e era ao mesmo tempo libertador. Abrir a caixa colorida não somente a poupou de um suicídio egoísta como a fez ter uma perspectiva boa do que era viver. Mesmo com tantas coisas para arrumar, tudo já estava sendo consertado de certa forma.

E agora, enquanto ela esvazia a caixa seu coração também é preenchido. O vazio é a possibilidade de coisas novas. O preenchimento é a certeza de que elas já estão chegando. Por isso o vazio da caixa e o conteúdo do coração têm o mesmo nome, e isto é o que ela passou a chamar de EsPeRanÇa.

(:|:)

27 de outubro de 2009 Posted by | Fantasia, Realidade | , , , , , , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário

.ser.adulto.

Sim! O menino não queria crescer. Ele não era Peter-Pan, nem pretendia ser. Ele só queria continuar sendo um menino. Pra sempre e por toda vida.

Mas, ele cresceu. Porque a vida é assim. E agora ele trabalha, paga as contas, vive estressado. Já faz muito tempo que ele não sabe o que é ser criança. Na verdade ele nem lembra que também já foi uma.

(:|:)

6 de agosto de 2009 Posted by | Cotidiano, Realidade | , , , , , | Deixe um comentário

.quando.eu.nasci.

Quando me aproximei entendi o que estava acontecendo. Na praça pública, cercada pela multidão apressada, a mulher gritava sentindo as contrações. Não haveria tempo pra mais nada. Me agachei para ajudá-la e ela entrou em trabalho de parto ali mesmo.

Ela estava assustada e eu mais ainda. Nunca fizera um parto naquelas condições. Tentei me acalmar e passar segurança para ela. Eu sabia o que devia fazer. Sabia como fazer. Mas estava atônito mesmo assim. Ela gritou novamente, dessa vez com mais intensidade. Havia terror em seus olhos.

Outra mulher se agachou perto de mim. Era enfermeira e iria ajudar. Fiquei mais aliviado. Tentei sorrir mas foi então que senti um mal estar. Minha cabeça começou a girar. Procurei me concentrar na mulher que gritava ainda mais. Contudo a dor na cabeça estava ficando cada vez mais aguda.

A mulher gritou em desespero. Gritei também. Eu estava morrendo. E no meu caso, ninguém poderia me socorrer naquele momento. A última coisa que vi antes de desmaiar foi a mulher gemendo e desmaiando de dor.

(:|:)

28 de junho de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.o.fato.e.o.assunto.

É claro que ninguém queria falar sobre o fato. Têm coisas que devem ficar esquecidas pra sempre, nas gavetas obscuras dos corredores escondidos da mente daqueles que sabem a verdade. Existem fatos que não devem ser mencionados quando uma família feliz está sentada à mesa. Tem calamidades que precisam ficar no passado e nunca mais voltar para o presente.

Ninguém queria falar sobre o fato. Mas, o assunto estava entre todos. Dormindo com eles. Comendo com eles. Vivendo com eles. O assunto tinha cor, nome e idade. O assunto olhava nos olhos de cada um pedindo justiça. O assunto não falava sobre o fato. Na verdade , o assunto não falava sobre nada. Porque até tocarem nele, ele nem era um assunto. Mas, depois do fato, ele se tornara o assunto.  E a presença dele incomodava. O fato dele ter se tornado o assunto por causa do fato, era incoveniente.

Sim. Todos disfarçavam. Mudavam de assunto, principalmente quando o assunto chegava. Jamais falavam sobre o fato com o assunto. Queriam tocar a vida. Queriam pensar em outras coisas e também em outros fatos, mesmo sabendo que o assunto nunca mudaria. Mas, preferiam assim. O que a sociedade iria dizer? Preferiam abafar o fato, para não serem assunto no jornal da cidade. Estavam dispostos a chantagear e ameaçar o assunto caso ele falasse sobre o  fato. Mas o assunto estava traumatizado demais para falar sobre qualquer coisa, e até mesmo para entender que por causa do fato ele se tornara o assunto.

Claro que ninguém queria que o fato tivesse acontecido. Mas o fato já era fato. Era um fato muito triste. Mas se o fato viesse à tona, seria mais que triste. Seria um vexame, uma vergonha, um escândelo. Silenciar o assunto, mesmo sem resolver o fato, era mais conveniente para aqueles que detinham o poder.

E também, todos preferiam acreditar que, com o tempo, o assunto esqueceria do fato. E assim, todos seguiriam sorridentes, sem nunca mais tocar no fato, mesmo convivendo com aquele que era o assunto. Pois para eles, fatos como aquele não deveriam ser mencionados para não comprometer a reputação daquele que sustentava o assunto, e que o assunto chamava de pai.

Plínio Moraes de Paula, 6 anos de idade: o assunto. Pedofilia: o fato.

É mais cômodo se calar. E é imprescíndivel se calar quando o assunto está dentro da sua casa. Afinal, ninguém quer ir aos domingos visitar o papai na prisão. Isso seria desgastante, vergonhoso e traria desunião e ruína para uma família tão unida e politicamente correta. Ademais, um dia, Plínio, cresceria, se tornaria um homem, e iria entender que proteger o pai teria sido necessário para a carreira política dele. Sim. Plínio entenderia quem mesmo sendo o assunto, esquecer o fato, teria sido a melhor escolha da toda a família.

E a justiça? Ah, deixem que ela durma confortavelmente dentro de uma das gavetas obscuras dos corredores escondidos da mente daqueles que conhecem a verdade.

E não se fala mais neste assunto!

(:|:)

2 de junho de 2009 Posted by | Família, Realidade | , , , , , , | Deixe um comentário

.pés.suspensos.

_Menina, desce já daí!

Li desceu da árvore desajeitadamente e correu para dentro de casa. Entrou pela porta da cozinha e assentou-se à mesa. Leonor tirou o bolo de fubá do forno colocando-o sobre a mesa e olhou para ela.

_Pensa que não sei que você estava trepada naquela árvore?! Não disfarça menina!

Li olhou para a mãe com um semblante de culpa. Enrrugou um pouco a testa esperando a bronca que ouviria. A mãe, contudo, suavizou a expressão e as duas caíram na gargalhada. Leonor puxou uma cadeira e sentou próximo a filha.

_Ai Li! Só você mesmo para ter essas idéias. É perigoso você se pendurar lá no alto. Você tem somente 8 anos. E aquela árvore é alta demais. Não sei o que tanto você faz lá em cima.

Leonor cortou um pedaço do bolo que ainda fumegava. Colocou o pedaço em um pires e entregou para Li. Olhou nos oslhos da filha mais uma vez e continuou seu discurso de mãe protetora:

_Vamos fazer o seguinte. Você não se pendura mais no alto da árvore e eu lhe dou o brinquedo que você quiser. Que tal?

Li balançou a cabeça afirmativamente. Com um sorriso suave e um olhar peralta a menina disse:

_Eu quero um balanço. Um balanço bem no alto da árvore.

_Sua espertinha!

Mas, não teve jeito. Tarso, o pai da menina, providenciou o balanço. Ele ficou realmente alto. Li precisava ficar na ponta dos pés para conseguir subir nele. E pediu ao pai que conforme ela fosse crescende ele fosse subindo o balanço para que ela sempre tivesse que ficar na ponta dos pés para subir nele.

Coisa de menina. Coisa de criança. Talvez seu Tarso e dona Leonor nunca entenderiam a inteção da filha. Mas Li era assim. Sonhadora. Tudo o que ela queria era ficar com os pés suspensos para balança-los do alto. Pois assim tinha a impressão de estar mais perto do céu do que da terra. Tinha a sensação de estar voando.

Ela voaria se pudesse. Mas não podia. Então queria ficar sempre no lugar mais alto,  com os pés suspensos, com os cabelos dançando ao vento, e com os braços abertos.

E quando ela cresceu muita coisa mudou. Ela até se mudou da fazendo onde crescera. Mas nunca deixou de ser sonhadora. E de pensar que, um dia talvez, ela conseguiria voar. Então a primeira coisa que fazia quando ia a fazenda, era correr até o balanço. Ficar na ponta dos pés para subir nele era ainda uma delílica. Sorrindo, ela deixava o vento beijar sua face e afagar seus cabelos, abria os braços, e balançava os pés, que mesmo depois de adulta, ainda ficavam suspensos no vai e vem do balanço.

(:|:)

31 de maio de 2009 Posted by | Cotidiano, Família | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.café.da.tarde.

Primeiro, antes de tudo você prepara o pão. Você pega a nata pasteurizada. Se você é canhota como eu, você passa com  a mão esquerda para ficar bem espalhado o creme pausterizado, sem nenhum vestígio… E se você ainda nao estiver contenta, isso contenta,  você pode passar um doce de banana… Ok!  Você deixa o pão descansar enquanto você prepara o café especial. Você pega uma colher de café especial e três de açúcar, assim, coloca na xícara… E se você quer o café bem cremoso você coloca um pouquinho só de leite quente, de preferência, e então você bate… Bate, bate, Bate! Ele está marrom e ele vai ficar uma cor assim… meio amarelada. Olha! Você pode ver que ficou uma cor de… de… cocô de criança. HEHEHE! Ok! O pão descançou, você fez o creme do café, e agora você vai colocar o leite bem quente… Isso! Você pode ver que a fumaça é visível… Você mexe ao seu gosto e está pronto o café das três e meia da tarde em ponto. Isso… Daí você pode cortar o pão para não comer o pedaço inteiro porque é muito feio. Principalmente se voce é canhota, você pode cortar com a mão que você tem mais habilidade… Então, bom apatite para todos.

(:|:)

28 de maio de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário