JoAnInHaS falam no silêncioOoOo (:|:)

…e o que elas escrevem?!

.a.caixa.colorida.

Ela tinha uma caixa. A caixa era dela. E lá dentro tantas alegrias. E lá dentro tantas tristezas. Segredos. Medos. Vergonhas. Sorrisos. Sonhos. Frustrações. Tempos bons e ruins. Cartões dos melhores e dos péssimos. Mas nada fora compartilhado até aquele momento. Estava tudo bem guardado, fechado e escondido dentro da caixa colorida.

Não que não houvesse o interesse em abri-la. Mais que isto. Havia a necessidade. Mas na mão de uma criança a chave acaba se perdendo. E foi assim que aconteceu. Dessa forma ninguém a havia encontrado. Não que não  tivessem procurado a tal chave, mas acho que no fim ela não queria encontrá-la. E por isso, depois de um tempo, não pediu mais ajuda a ninguém.

A caixa colorida de fita larga e vermelha continuou lá. Fechada. De alguma forma ela conseguia colocar coisas dentro da caixa, mas sem a chave ela não conseguia abri-la para tirar ou rever essas e outras coisas. A caixa colorida estava fechada com o laço, mas só uma chave poderia destrancá-la. Sim, tudo muito confuso. Porque, de certa forma, ela também era assim. Sua caixa era como ela, ou ela era como sua caixa. Ninguém sabia mais ao certo, nem ela mesma.

E lá, perdida em algum lugar, ficou a caixa colorida. Ela sempre ia visitá-la para guardar alguma coisa. Mas nunca mais tentara abri-la até então. Na verdade, ela ficou anos sem se quer contar a alguém que guardava uma caixa colorida. Os novos amigos não sabiam da existência dela, e os velhos já achavam que a caixa colorida era só uma invenção fantasiosa.

Mas um dia, por mais bem elaborada que seja, a endrominante retórica não convence mais ninguém. Por isso ela se cansou de tentar convencer a si própria. Sem discursos para se apoiar, ela já tinha decidido que tudo acabaria de vez. E o que nem se quer começara encontraria seu fim. Foi quando ela se lembrou da caixa, era a única coisa que talvez a ajudasse a querer continuar vivendo ou lhe mostrasse até o que era viver. Então, ela quis desesperadamente abrir a caixa, a sua caixa colorida. Precisava disso mais que antes. Mas, e a chave?

Foi em uma grande odisséia que ela encontrou o Senhor do Tempo (que é o Eterno Pai do grande deus Niurion), o Cavaleiro do Escudo Vermelho, (que é aquele para quem tudo teve início e terá fim), e o Grande Poeta (que é o Escritor que o Senhor do Tempo enviou para confirmar seus decretos) e eles lhe revelaram como encontrar a chave. E isto já é uma história a parte. O importante agora é saber que a Donzela das Flores nos Pés, que é a Quarta Irmã da Borboleta Colorida, a ajudou a desfazer o laço vermelho. Foi aí que o caminho para encontrar a chave começou a se desvendar conforme já havia anunciado o Senhor do Tempo, o Cavaleiro do Escudo Vermelho e o Grande Poeta.

E foi assim, debaixo da sombra do assombroso Ipê Amarelo, que ela encontrou a Valente Sábia do Pastoreio, que é a filha da filha da Mulher do Coração de Ouro, que é uma das poucas que ainda ouve de Sofia tudo o que ela lhe conta sobre o Senhor do Tempo e seus decretos, e isto também já é uma história a parte. O importante é saber que foi ela que  lhe entregou a chave perdida. Na verdade a Valente Sábia do Pastoreio nem se quer sabia que possuía a chave perdida até o momento que colocou a mão no coração para procurar. E encontrou. Ao entregar a chave para ela a Valente Sábia do Pastoreio ficou preocupada: a chave era muito pesada para a outra carregar. Mas era preciso abrir de uma vez a caixa colorida e esvaziá-la. Pois se a chave era pesada, a caixa era ainda mais.

Com a chave na mão ela se despediu da Valente Sábia do Pastoreio e prometeu lhe trazer dos seus próprios frutos para que esta pudesse saborear na outra primavera. Ela correu até o Refúgio dos Guerreiros da Profecia, onde morava a Donzela dos Pés das Flores e lhe mostrou a chave. Ela não falou palavra alguma. Mas isto não quer dizer que ela não tenha dito nada. Ela disse muito sem falar. Como o laço já havia sido desfeito a Donzela dos Pés das Flores a ajudou a abrir a caixa colorida por um tempo encaixando a chave na tranca, depois ela precisou girar a chave sozinha.

Com a chave ela abriu a caixa. Naquele momento ela viu quanta coisa havia ali. Umas eram lixo. Podridão. Cheiravam mal. Outras precisavam ser recicladas, reaproveitadas, refeitas. E algumas necessitavam ser usadas com urgência. Sem mais nenhuma espera ou exigência.

Eram coisas demais para serem organizadas. Muita confusão, muito conflito, muita informação. Era tudo muito velho e muito novo ao mesmo tempo. Doía demais e era ao mesmo tempo libertador. Abrir a caixa colorida não somente a poupou de um suicídio egoísta como a fez ter uma perspectiva boa do que era viver. Mesmo com tantas coisas para arrumar, tudo já estava sendo consertado de certa forma.

E agora, enquanto ela esvazia a caixa seu coração também é preenchido. O vazio é a possibilidade de coisas novas. O preenchimento é a certeza de que elas já estão chegando. Por isso o vazio da caixa e o conteúdo do coração têm o mesmo nome, e isto é o que ela passou a chamar de EsPeRanÇa.

(:|:)

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27 de outubro de 2009 Posted by | Fantasia, Realidade | , , , , , , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário

.eu.não.sei.

Augustus só queria se esquivar das obrigações de esclarecer a situação provocada por ele.

_Eu não sei.

Era tudo o que ele dizia para se explicar e se defender. Milena não se conformava com a atitude dele. Ninguém naquela situação iria aceitar, é claro, mas Milena tinha bons motivos para reminicar a todo instante.

Augustus e Milena iriam casar em 3 semanas e ele havia aceitado uma proposta de emprego que o obrigaria a se mudar para Espanha em 6 dias. A questão é que ele ainda queria casar com Milena e por isso ninguém entendia o motivo que o levara a aceitar o emprego sem nem falar com ela. Quando todos perguntavam a razão de tão descabida decisão ele respodia:

_Eu não sei.

E lá iam todos novamente discursar prolixamente nos ouvidos dele. Nisso Milena se retirava para  um conta e se colocava a chorar inconformada. Entre um argumento e outro surgia uma e outra pergunta dirigida a ele:

_Por que você aceitou sem nem falar com Milena?

_Por que você não esperou a data do casamento?

_Por que não apresentou uma contra proposta?

_Por que você não recusa  esse emprego?

_Por que não muda de idéia?

_Por que não se defente, não se explica? Por que não diz alguma coisa?

Não importava a pergunta. A resposta dele era sempre a mesma:

_Eu não sei, eu não sei!

Ninguém sabia explicar, nem Milena, nem o próprio Augustus. Se ele estava hipnotizado? Se estava bebâdo? Se estava agindo por ameaça? Se era só uma pegadinha para a noiva? Se tudo não passava de um mal entendido? Se no fundo ele não queria casar e estava dando seu jeito para acabar o noivado? Se ele estava sob efeito de remédios ou drogas? Se ele estava louco? Se ele era burro?

Bem… Aí, eu não sei!

(:|:)

7 de outubro de 2009 Posted by | Cotidiano, Geral | , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.antes.de.terminar.o.dia.

Raul ainda estava deitado, de qualquer jeito naquela cama espasoça. Linna estava no banheiro secando o cabelo. Raul se virou para o outro lado, mas o “vummm” do secador acabou com a esperança do “só mais 1 minutinho”. Então ele voltou seu corpo para a porta do banheiro que estava aberta, e ficou ali esparramado a observar sua linda Linna. O cabela dela nunca estivera tão comprimido. Os longos e lisos fios pretos constratavam muito com a pele branca dela. E foi isso que chamou atenção dele 7 anos antes, quando ele esperava  a namorada na escada do prédio e Linna desceu com os cabelos soltos recém lavados cheirando a pessego. Foi o suficiente e ele se apaixonou.

Tudo nela o encantava. Raul não conseguia se irritar com ela. Ela era tão doce, tão meiga, tão frágil ao seus olhos. Tudo o que ele queria era protege-la, guarda-la, cuida-la. Linna desligou o secador e começou a fazer uma maquiagem rápida e improvisada. Raul se deliciava com cada movimento dela. As mãos trêmulas tentando passar o lápis no olho, depois mais frenéticas com o blush nas bochechas, e firmes ao passar o batom nos lábios. E pronto! Não precisava demais nada. Ela já era linda demais pra ele.

Uma olhadinha a mais no espelho. Mas algo fez Linna exitar. Raul esticou o pescoço e viu o que ela fazia. Com movimentos leves e circulares Linna acariciava a barriga, enquanto admirava seu reflexo no espelho imaginando quando o barriga começaria a crescer. Raul sorriu, e também divagou nesse pensamento. Imaginoi sua linda Linna ainda mais linda com os cabelos soltos e um barrigão presunçoso. Era só o que faltava para o perfeito se tornar o para sempre perfeito.

Foi então que ele lembrou que precisava se apressar. Num movimento saltou da cama e Linna voltou em si.

_Ande para o banho! Não vamos nos atrasar hoje, não é? 

Raul se aproximou segurando os ombros de Linna.

_Hoje não meu bem. Porque hoje tudo tem que ser pefeito.

Linna deu um risinho suave e suspirou pensativa.

_ O que foi?

_ Estou com medo, Raul… É a terceira vez…

_ Hei. Psiu. Pára com isso. Vai dar tudo certo.

_ Eu só tenho medo de me frustrar de novo.

Raul segurou o firme o rosto de Linna com as duas mãos.

_ Não pense nisso. Vai ver ser diferente dessa vez. Eu prometo, tá?

Linna balançou a cabeça positivamente. Raul tocou seus lábios nos dela mansinho e sorriu.

_ Eu te amo.

_ Eu te amo mais, minha linda Linna.

***

Quando ela pegou o envelope, ele parecia mais pesado que qualquer outra coisa no mundo. Apertou contra o peito e suspirou forte. Raul abraçou ela pela cintura e eles sairam da sala em direção ao elevador. Caminharam em silêncio. Haviam muitas palavras soltas no ar, mas nenhum deles queria verbali-las. Era melhor assim. Melhor deixar as palavras para depois. Caso tudo desse errado novamente.

O elevedor chegou no térreo e eles caminharam para saída do prédio. Quem dera que tivessem ficado mais um pouco. Se Linna ficasse com secador ligado só mais um pouquinho, Raul ficaria a observá-la só mais um pouquinho. Então ele se atrasaria um pouquinho no banho, chegariam um pouquinho atrasados no laboratório e não seriam os primeiros a serem atendidos. Então quando saíssem o elevador estaria lotado e não vazio como estava e teriam que esperar só mais um pouquinho. Quando chegassem lá em baixo o pior já teria passado. E então eles não teriam só mais um pouquinho de tempo juntos, mas teriam ainda a vida inteira.

***

O rapazote tinha acabado de assaltar um ônibus e fugia de dois policiais. Um deles atirou e a bala passou de raspão em sua coxa direita. Foi aí que ele ficou furioso e antes de dobrar a esquina virou-se para dar o troco. Atirou no policial. Acertou a linda Linna que saia do edíficio com Raul. A bala foi direto no peito. E ela não imterrompia somente a respiração de Linna que ainda segurava o envolepe,agora ensanguentado, bem apertado ao peito. Mas imterrompia a vida inteira que Raul imaginava que passaria com Linna. Tudo o que eles tinham agora, era um ao outro, um envolope fechado e sujo de sangue, e um tempo juntos, só mais um pouquinho dele.

_ Não pensei que terminaria… assim.

_ Quietinha Linna. Não fala. Você tem que se poupar. A ambulância está chegando. Rapidinho. Seja forte.

_ Raul, como eu te amo… Como eu fui amada por você.

_ Não, Linna… não.

_ Sim… Ai…

_ Quietinha, aqui, no meu colo, assim.

_ Não pensei que terminaria assim.

_ Não vai terminar, amor. Não agora, não assim.

_ Ainda bem que vesti minha roupa preferida.

_ Linna…

_ Ainda bem que você está aqui.

_ Minha linda Linna.

_ Não estou com medo. Raul…

_ Quietinha Linna, por favor.

_Raul… eu não estou com medo de morrer…

_ Não fala isso, Linna. Você vai viver. Eu e você, juntos.

_ …Por isso você não pode ficar com medo de viver.

_ Sim, vamos viver.

_ Viver sem mim.

_ Não, Linna. Não!

_ …

_ Linna? Linna?

_ Abre. Quero saber…

_Não se preocupe agora…

_Raul! Por favor… abre.

Raul pegou o envelopde desajeitadamente, e enquanto segurava Linna nos braços abria o envolope todo manchado. Abriu o viu o resultado. O exame estava bem ali diante dele. Mas nada disso importava mais. Linna estava morrendo em seus braço e ele também estava morrendo dentro de si. Olhou para ela. As lágrimas corriam livremente de seu rosto. Linna também chorava. Agora ela estava mais branca do que nunca. Os cabelos pretos brilhando à luz do sol. Seu rosto pálido estava lindo. A linda Linna mais parecia um anjo agora. Não fosse o sangue manchando sua blusa branca preferida, ele diria que ela era somente uma boneca de porcelana em seu braços.

Ela arregolou os olhos ansiosa. Raul sorriu tristemente e para Linna.

_ Raul…

_ Sim. É sim, meu amor…

_Ah!

_ Parabéns, mamãe!

Linna chorou de alegria. Raul chorava de tristeza. Era tudo o que ela queria ouvir, o que ela precisava ouvir, o que a consolaria naquela hora. Ele a abraçou forte, apertado. Ela ficou mole, o corpo sem vida. Ele a trouxe ainda mais para perto de seu corpo. Soluçava igual a uma criança. A terça-feira ensolarada ficou sem graça e sem vida para Raul. Duas coisas terríveis e inconcebíveis aconteçaram com ele naquela manhã: Linna morrera e, pela primeira e última vez, Raul mentira para ela.

(:|:)

21 de agosto de 2009 Posted by | Assassinatos, Família, Realidade, Romances | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.confissões.

Bip!

_Hei, estou aqui.

Bip!

_Por que demorou?

Bip!

_Esse trânsito terrível…

Bip!

Mas estou aqui agora

Bip!

Isto é o mais importante.

Bip!

_Sim. Sim…é sim.

Bip!

Agora eu já posso ir…

Bip!

_Ir aonde hein?!

Bip!

_Ir em paz… morrer em paz.

Bip!

_Pára com isso bobinho.

Bip!

Você não vai morrer ainda não.

Bip!

_Mas antes… você…

Bip!

…Você precisa saber.

Bip!

_Pai, do que você tá falando?

Bip!

_Dói muito aqui na alma…

Bip!

_É melhor dormir um pouco agora.

Bip!

_Mas eu me arrependo tanto… tanto…

Bip!

_Do que está falando, pai?

Bip!

_Está na hora… não posso mais.

Bip!

Já não posso mais…

Bip!

…Suportar isso tudo.

Bip!

_Sss. É melhor ficar calado.

Bip!

_Não! Não posso mais.

Bip!

A verdade tem que…

Bip!

…Tem que ser dita.

Bip!

_Ssss. Por favor, papai…

Bip!

…descanse agora, sim?!

Bip!

_Não! Não há tempo. Não há.

Bip!

Tenho que falar agora.

Bip!

_Pai, por favor, se acalme.

Bip!

Descanse está bem?

Bip!

_Não! Já chegou minha hora.

Bip!

_Pare com isso, pai. Descanse agora.

Bip!

_Filha, ah! Filha minha!

Bip!

Perdão, minha filhinha!

Bip!

_Pai, não tem nada disso não.

Bip!

Não há nada pra perdoar, viu?

Bip!

Tá tudo bem, eu te amo, pai.

Bip!

_Não, filha! Não! A verdade…

Bip!

… A verdade, filha. Perdão, perdão…

Bip!

_Sim, eu perdoô o que for,pai.

Bip!

Agora se acalme, por favor!

Bip!

O senhor está alterado. Descanse.

Bip!

_Fui eu, filha… fui eu…

Bip!

_Pai, por favor! Relaxe!

Bip!

_…Eu…

Bip!

_Pai?

Bip!

_Eu…

Bip!

…matei…

Bip!

_Pai?

Bip!

_ …Sua…

Bip!

_Que?

Bip!

_…Mãe!

Bip!

_Que?!

Bip!

Bip!

Bip!

_Pai?

Bip! 

Bip!

Bip!

Bip!

Bip!

Bip!

Bip!

Bip!

Biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiip!

(:|:)

20 de agosto de 2009 Posted by | Cotidiano, Família | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.quando.eu.nasci.

Quando me aproximei entendi o que estava acontecendo. Na praça pública, cercada pela multidão apressada, a mulher gritava sentindo as contrações. Não haveria tempo pra mais nada. Me agachei para ajudá-la e ela entrou em trabalho de parto ali mesmo.

Ela estava assustada e eu mais ainda. Nunca fizera um parto naquelas condições. Tentei me acalmar e passar segurança para ela. Eu sabia o que devia fazer. Sabia como fazer. Mas estava atônito mesmo assim. Ela gritou novamente, dessa vez com mais intensidade. Havia terror em seus olhos.

Outra mulher se agachou perto de mim. Era enfermeira e iria ajudar. Fiquei mais aliviado. Tentei sorrir mas foi então que senti um mal estar. Minha cabeça começou a girar. Procurei me concentrar na mulher que gritava ainda mais. Contudo a dor na cabeça estava ficando cada vez mais aguda.

A mulher gritou em desespero. Gritei também. Eu estava morrendo. E no meu caso, ninguém poderia me socorrer naquele momento. A última coisa que vi antes de desmaiar foi a mulher gemendo e desmaiando de dor.

(:|:)

28 de junho de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.psicose.paranóica.induzida.

PARTE IV

Telemarketing. Um serviço cansativo. Uma forma de ser chingada por desconhecidos sem o risco de esganá-los. Trabalho repetitivo e entediante. Fazer a ligação , oferecer o produto, se do outro lado  o cliente faz a compra então  a ligação era encaminhada para o ramal 8, se o cliente não queria comprar então para o ramal 6, se o cliente queria agendar a compra então ramal 7, se o cliente reclamava a chateação então você sorria e dizia que ele estava certo. Não podia ser pior. Mas era. O dia de fazer ouvidoria era o pior. Toda quinta-feira era preciso ligar para os clientes que já haviam efetuado compra para fazer uma pesquisa de satisfatoriedade.

_Não senhor. Eu não quero vender outro dispositivo de alarme. Eu quero somente saber se o senhor está satisfeito com a compra.

_Que compra? Eu não quero comprar nada.

_Eu sei… Consta no nosso cadastro que o senhor fez uma compra de dois dispositivos de alarme, no mês de outubro, estou certa senhor?

_Sim, sim, é.

_Então, eu gostaria de saber se o senhor está satisfeito com sua compra.

_Que compra?

_Ai… Com a compra dos dispositivos de alarme.

_Ah! Aqueles que eu comprei em outubro?

_Isso mesmo senhor.

_Ah sim eu comprei dois dispositivos de alarme em outubro.

_Certo.

_E o que mesmo você quer saber?

_Gostariamos de saber se o senhor está satisfeito com essa compra.

_Ah, sim! Satisfeito, sim.

_Então o senhor poderia responder nossa pesquisa?

_Pesquisa de que?

_Uma pesquisa sobre os dispositivos. Eu vou falar as funções e o senhor vai avaliar de 1 à 10. Então 1 se for muito ruim, até o 10 se for excelente. Tudo bem?

_Sim estou bem, só com uma dor na costas.

_Err… Pois é, eu quero saber se posso fazer a pesquisa, se o senhor entendeu como funciona?

_Ah sim! Pesquisa é sobre o que mesmo?

_Sobre os dois dispositivos de alarme que o senhor comprou em outubro.

_Ah sim! Estou satisfeito, satisfeito. Pode fazer a pesquisa.

_Como o senhor avalia as opções de pagamento do produto?

_É…bom.

_O senhor tem que dizer um numéro de  1 à 10.

_Ah sim! É… 9.

_Como o senhor avalia a funcionalidade do produto?

_Como é? Funci o que?

_Funcionalidade. Se os dispositivos que o senhor comprou funcionam bem.

_Ah sim! Bem, eu não sei.

_O senhor não sabe se funcionam bem?

_Não.

_Por que?

_Porque eu ainda não usei os dispositivos.

_Ai, ai!

Não era possível continuar a pesquisa se o produto ainda não havia sido utilizado. Tudo aquilo parecia mais um de seus pesadelos. Aquela rotina desgraçada a fazia se sentir cada vez mais alienada de sua própria vida, talvez até de sua própria existência.

O relógio marcou 19:00 horas. Fim de expediente. Ajuntou suas coisas o mais rápido que pôde. Mas o chato de seu patrão a alcançou no elevador. Veio se esfregando para perto dela.

_Está fugindo de mim, bonequinha?

_Eu não sou bonequinha. Sou sua funcionária.

_A hora de trabalho já acabou, bonequinha. Agora eu não sou seu patrão. Sou um apaixonado por você. Sabe que você pode ser promovida se ceder aos meus desejos, bonequinha.

Falou o grandão barrigudo apertando-a contra a pareda do elevador. A porta abriu finalmente e ela o empurrou enquanto dizia:

_Eu não quero ser promovida!

E saiu apressadamente enquanto ele dava uma boa garagalhada dela. “Que nojo!” Ela pensava enquanto saia do prédio. Queria pegar um táxi, mas nenhum apareceu. Andou rápido pelas quadras solitárias da cidade até o metrô. Quanto mais se apressava, parecia que mais longe a estação ficava. Achou que alguém a seguia. Não teve coragem de olhar para trás. Só conseguiu correr. Correu muito que já nem sabia porquê estava correndo.

Passado o susto e depois de ter certeza que ninguém realmente a seguia, se escorou em um poste tentando retomar o fôlego. Ouviu um barulho atrás de si e virou-se para ver o que era. Atônita enxergou, apesar das sombras que as latas de lixo faziam, o maldito gato branco a observá-la.

(:|:)

18 de maio de 2009 Posted by | Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.mata.o.rato.cristina.!.

_Olhe Cristina! Olhe bem ali debaixo… O que é aquilo?

_Não sei… Um rato?!

_AAAAAAAAAAAA!!!

_Sai de cima dessa cadeira, Paulina! Deixa de ser escandalosa!

_AAAAAAA!!! Um rato! Um rato! Mata ele Cristina! Mata ele!

_Ai solta meu braço! Eu não! Não vou matar o rato! Tá louca? Eu também tenho medo!

_Mas eu não tenho medo. Eu tenho pavor!!! AAAAAAA!!!! Ele se mexeu!!! Mata ele, pelo amor da minha vida, Cristina! Mata o rato!

_Pára de chorar Paulina! Não exagera! Credo! Deixa ele lá e pára de gritar, desse jeito você assuta ele. Desse da cadeira, tá parecendo uma maluca.

_Eu não saio daqui enquanto você não mata aquele rato! Cristina, ele vai atacar a gente! Por favor, mata o rato, Cristina! Mata o rato!

_Ai, Paulina!!! Me larga! Que droga! Você é muito sem noção hein? Eu não vou matar rato nehum! Se você quiser mata você, oras! Ou então fica aí nessa cadeira pra sempre. Eu tenho mais o que fazer!

_Cristina onde você vai? Volta aqui! Não me deixa aqui sozinha com esse rato!!! AAAAAAAAAAA!!! Ele se mexeu de novo!!! Cristina!!! Cristina!!! Volta aqui e mata o rato!!! Por favor, mata o rato… AAAAAAAAA!!! Cristina!!!

(:|:)

17 de maio de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , | Deixe um comentário

.vestido.verde.

_Mãe, eu quero este aqui tá?

_Esse com o babadinho na gola?

_Aham! Mas ó… tá vendo? Quero nesse tom de verde tá?

_Tá bem. Pode deixar, Pietra. Eu já entendi minha filha.

_Ai mãezinha! Obrigada!

Pietra saiu pela porta do quartinho de costura da mãe, com um sorriso cortando o rosto. Que orgulho ela dava a sua mãe. Aquele era o ano da “Grande Crise Mundial”, e com muito esforço, em 12 dias, Pietra se formaria. Ela seria veterinária. Com certeza aquele seria o vestido mais bonito que dona Garibaldi faria em toda sua vida. Portanto Pietra precisava de um sapato digno de tal modelito. A tarde seria longa andando pelas ruas para encontrar o tal sapato, mas ela persisitia toda vez que lembrava que sua mãe estava em casa se empenhando em seu vestido.

***

_Alô?

_Garibaldi Rolandini, por favor?

_É ela mesma.

_A senhora conhece Pietra Rolandini Vidal?

_Sim. é minha filha.

_Eu sou Vitória Dorácio, enfermeira chefe do Hospital Regional Alcântara Vila Grande.

_Ai…o que aconteceu?

_Peço que a senhora fique calma. Sua filha foi atropelada e encaminhada para nosso pronto socorro. Então se a senhora puder venha imediatamente.

_Mas como ela está? Ela está bem não é?

_A situação dela é estável. Mas é melhor a senhora vir e pessoalmente vou explicar melhor tudo o que aconteceu.

_Está bem, está bem. Já estou indo para aí. 

Quando dona Garibaldi chegou no Hospital e conversou pessoalmente com a enfermeira Vitória, entedeu que “estável” foi uma forma suave para dizer que sua filha estava em coma e estava na UTI. O caso era muito grave. Pietra sofrera traumatismo crâniano, juntamente com uma lesão na cabeça que causou um corte da testa, até a nuca pelo lado direito da cabeça. Mesmo se saísse do coma, nunca mais poderia andar. Sua coluna quebrara em 7 lugares diferentes, um caso irreversível. Sem contar que as duas pernas estavam fraturadas, e o pé esquerdo foi dilacerado de tal forma, que seria necessário amputá-lo imediatamente.

Agora a história não era mais de uma moça feliz prestes a realizar um sonho, mas sim, de uma mãe angustiada prestes a perder a filha, a única filha. Tudo o que ela tinha. Sua única família. Garibaldi repassou os últimos instantes daquela tarde em que esteve com sua filha. Pietra toda sorrisos escolhendo seu vestido de formatura. O que fazer agora? O que esperar disso tudo? Sentada na sala de espera, Garibaldi chorou em silêncio.

***

Quatro anos se passara desde a “Grande Crise Mundial”, mas  o vestido verde cobreado com o babadinho na gola ainda estava perfeito. Clarice olhou e de cara gostou dele. Entrou na lojinha da esquina. Era pequena e meio escura. Passava um ar triste, mas o vestido na vitrine era perfeito. O que ela vinha procurando há semanas.

_Oi. Eu queria provar o vestido da vitrine.

_Ah, sinto muito aquele não está a venda. É só uma amostra para enfeitar a vitrine.

_Ah! Que pena. Eu gostei tanto dele. Será que não tem jeito da senhora vender ele pra mim?

_Ele é da minha filha. Ela vai ser veterinária. Daqui há 12 dias.

_Poxa que pena pra mim e que ótimo pra ela. É um vestido belíssimo.

_Não foi fácil pra ela sabe? Conseguir se formar no ano da Grande Crise Mundial a faz digna do melhor vestido que eu poderia fazer.

_É, pode ser, mas… não estamos no ano da Grande Crise Mundial. Isso foi há 4 anos, minha senhora.

_Não! Eu digo que não! Estamos no ano da Grande Crise Mundial, sim! Minha filha foi comprar um sapato lindo para usar com aquele vestido, porque daqui há 12 dias ela será uma veterinária!!!

_A senhora deve estar louca!

_Saia daqui! Você não entende nada de crises globais! Não entende nada de sapatos, vestidos, formaturas e filhos! Você não sabe de nada!!! Sua insolente!!! Saia daqui!!!

_Sua maluca!

Clarice saiu da loja apressada e assutada. Só queria comprar um vestido afinal. Não conseguia entender a atitude daquela mulher, e depois de passado o nervosismo e a raiva só pode sentir pena da pobre coitada.

***

O vestido verde continuou na vitrine por muito tempo. Sempre à mostra para alguém querer comprá-lo sem conseguir, é claro. Pois dona Garibaldi, mesmo depois de 26 anos da morte de Pietra, explicava que o vestido era de sua filha que iria se formar dali há 12 dias.

(:|:)

16 de maio de 2009 Posted by | Família, Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.e.agora.?.

_Então? Como foram as coisas?

_Tá russo o negócio!

_Como assim?

_Quero dizer que tá muito dificil! As coisas estão complicadas para nós!

_É?

_É!

_Hummm… e agora?

_Não sei… Não sei! Ai… acho que vamos ter que ir embora.

_Ir embora?!

_Eu também não queria isso. Mas… não vai ter jeito. No sul já temos algo garantido na olaria do Galdêncio. Ele mesmo disse, que se a gente precisasse…era só… bem é nossa  única saída agora.

_No sul?! Eu não gosto daquele lugar! Prefiro morar aqui!

_Eu também, eu também. Mas não podemos continuar esperando que algo aconteça do nada. Porque isso não nos levaria a lugar algum, aliás, nos trouxe a esta situação.

_Eu não quero ir!

_Você tem outra alternativa então? Alguma idéia diferente?

_Eu? Não.

_Pois então.

_Mas eu não posso ir embora. Não agora.

_Eu sei que você não gosta do sul, eu já sei disso. E não será por muito tempo. Aquele lugar também me intimida, mas…

_Não é só isso. É que…

_É o que então? Qual outra razão para você não querer voltar para o sul?

_É que…bem. Eu ia te falar outra hora. De outro jeito. Mas… já que é assim…

_O que é?

_Eu estou grávida…grávida.

_…!

_Eu queria te falar de outro jeito. Em outras circunstâncias. Só que… Estou de 14 semanas.

_…

_Você não vai falar nada?

_…

_Por favor! Diz alguma coisa…eu sei que você não esperava. Na verdade, nem eu, só que…

_Não esperava?! Eu não esperava?! Por favor!!! Você sabe o que essa gravidez significa?

_…

_Agora não podemos nem pensar em voltar para o sul. Se eles souberem disso….Ai! Eu não quero nem pensar no que pode acontecer… Como você pôde permitir que isso acontecesse?! Péssima hora para ter um filho!!!

_Eu sei! Eu sei que isso só torna as coisas mais dificéis…mas essa criança não tem culpa. A genter vai encontrar uma solução. Um jeito de resolver isso.

_Ah vai! Com certeza vai!

_Sinto muito.

_Sente muito? Deveria ter sentido antes.

_Desculpe.

_Agora sim o negócio tá russo!

(:|:)

11 de maio de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.overdose.

Injetou direto na veia. Nada mais que alguns segundos. E o último suspiro foi somente consequência.

Morreu cedo demais. Jovem demais. Inconsequente demais!

(:|:)

10 de maio de 2009 Posted by | Geral | , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.novela.mexicana.

_Você só precisa assinar aqui, meu bem. Então estaremos casados.

Rogéria olhou para Mauro com desprezo. Ela não tinha muitas opções. Seu pai agregara uma dívida muito grande com aquele homem e somente se casando com ele essa dívida seria perdoada. Depois voltou seus olhos para seu pai  que a fitava apreensivo de pé há alguns metros atrás de Mauro.

 _ Não tenho que pagar pelos erros dos outros. E não vou.

Rogéria se levantou encarou Mauro, depois voltando-se para seu pai disse:

_Sinto muito, papai.

E saiu da sala sem atender os clamores de seu pai:

_Rogéria! Por favor minha filha! Não faça isso! Volta aqui…Rogéria!!!

Rogéria andou sem rumo pelas ruas da cidade. Chorava copiosamente. Não queria que seu pai perdesse tudo, mas não podia pagar tão caro por algo que nao fizera. Era sua vida, seus sentimentos, seu coração. Ficou horas andando e tentanto encontrar uma solução para aquele problema. Fazia 8 meses que estava sendo pressionada para casar com Mauro. Esse pensamento a fazia sentir torpor.

Já estava quase anoitecendo quando chegou em casa. Não sabia como ficaria o relacionamento entre ela e seu pai, depois de tudo que acontecera naquela tarde. Chamou por ele. Ninguém respondeu. Subiu as escadas e bateu suavamente na porta do quarto de seu Demétrio. Também nenhuma resposta. Rogéria abriu a porta vagarosamente e tudo pareceu girar quando viu seu pai morto enforcado com um lençol.

(:|:)

5 de maio de 2009 Posted by | Assassinatos | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.psicose.paranóica.induzida.

PARTE III

Os pesadelos eram cada  vez mais constantes. Dormir agora era algo sofrível. Com medo dos sonhos estranhos que tinha toda noite a jovem fazia o possível para dormir o mínimo necessário. Isso a deixava fraca. Dormia mal e quase não tinha força para aguentar a correria dos dias intensos de trabalho. Contudo, parecia não haver outra saída.

Portanto, passou as poucas horas que ainda tinha para descansar acordada. Leu um pouco, assitiu Tv, comeu alguma coisa e voltou para a janela onde ficou a observar o dia que começava a clarear. Que alívio! Foi tomar um banho bem gelado, para despertar e ficar ativa durante o dia. Vestiu seu uniforme cinza, comeu nada mais que uma maçã e foi trabalhar.

Ainda era cedo. Seis horas da manhã. Seu expediente começa às oito horas. Caminhou pela calçada. As ruas ainda estvam vazias e a cidade começava a despertar. Entrou numa padaria há dois quarteiroes do seu apartamento:

_Levantou cedo hoje, querida?

Perguntou uma garçonete já de certa idade que vinha para atende-la toda sorridente:

_É, pois é!

O rosto daquela senhora não lhe era estranho. Mas ela não conseguia lembrar de onde a conhecia.  A senhora a tratou de forma tão familiar, mas ela nunca a tinha visto antes. Nem na padaria nem em nenhum outro lugar. A jovem exitou, mas por fim perguntou:

_Desculpe, mas… já nos conhecemos?

A senhora que servia café para ela disse sorrindo:

_Com certeza não, querida. Claro que não.

A jovem franziu a testa e forçou um sorriso também. Olhou para a xícara com café e disse:

_Hei! Eu não pedi café…

A garçonete voltou-se para ela e replicou cordialmente:

_Mas é o que você quer tomar essa manhã, não é meu bem?

E era. A jovem estranhou aquilo tudo. Aquele jeito gentil da senhora garçonete a irritou. Tudo parecia um de seus sonhos esquisitos.

“Mas estou acordada!” Foi o que pensou ao deixar o dinheiro no balcão e sair da padaria sem nem olhar para trás. As ruas começavam a ganhar vida. E a sintonia de carros e pedestres começava a ganhar ritmo. Atravessou a rua e caminhou até a praça bem no centro da cidade. Ainda tinha tempo para caminhar pouco por ali. Foi o que fez. Seguiu por uma ruazinha de baixo de árvores gigantescas. Parou diante do lago e sentou em um dos bancos de madeira. Tentou ler, mas não conseguia se concentrar. Suas pálpabras começaram a pesar.

De repente um gatinho branco surgiu as seus pés. Se esfregava entre suas pernas pedindo um carinho:

_Oi gatinho lindo!

Ela afagou a cabeça do gatinho que parecia sorrir para ela. Ele deu mais uma volta entre suas pernas e parou diante dela. Ficou a fitá-la. Ela estranhou o  jeito do gato. Tentou chamá-lo para si:

_Pssiu, vem aqui gatinho… Vem…

Foi quando um raio de sol fez algo no pescoço do gato brilhar. A jovem percebeu que ele usava uma coleira e se inclinou para ver o que estava escrito no pingente:

_’Diga adeus’?

Ela franziu a testa com estranheza olhando para o gato. Mas não teve tempo de fazer mais nada  e o gato já havia saltado em sua direção e lhe mordia o pescoço.

Ela sentia os dentes afiados do gato penetrar em seu pescoço. Tentou arrancá-lo fora deseperadamente. Quanto mais gritava, mais sentia uma dor terrivel. Sentiu o sangue escorrendo em seu pescoço e desmaiou.

_Hei moça, você está bem?

Quando a jovem abriu os olhos um menino a observava com os olhos arregalados. Ela rapidamente levou as mãos ao pescoço, mas tudo parecia normal.

_Você cochilou aqui e teve um sonho ruim, foi?

 Indagou o menino curioso e ainda assustado. Ela olhou para ele   constrangida e respondeu:

_É… foi.

De longe alguém chamou pelo menino e ele se foi.

A jovem levantou-se meio perdida. Ainda coma mão no pescoço respirou fundo. Juntou suas coisas  e se foi. Andou apressadamente da praça até a rua, e depois em direção ao escritório onde trabalhava. Sentia seu corpo lento e sua mente  cansada. Mas precisava manter-se bem acordada se quizesse ter um dia tranquilo e sem pesadelos para a incomodar.

A imagem da garçonete sorrindo e do gatinho branco a olhá-la, foram as últimas coisas em que pensou antes de entrar no elevador.

(:|:)

27 de abril de 2009 Posted by | Assassinatos, Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.feliz.ano.novo.

Era véspera de ano novo.  A cidade estava desértica, as ruas vazias. Um verdadeiro tédio. Todos, ou a grande maioria da qual eu não fazia parte, estava na praia. Era por volta das 10 e 15 da manhã e lá ia eu comprar algumas coisas no mercadinho da rua de atrás. Não gostava de comprar lá. Não tinha muitas variedades. Mas era o único lugar que estava aberto e onde eu poderia arranjar algumas coisas para o jantar do revellion. Então, lá fui eu.

Atravessei a rua e entrei pela porta ranjenta do mercadinho. Estava vazio. Ao menos parecia estar. Só havia um caixa à direita, mas também não havia ninguém nele. “Devem estar no depósito”, pensei comigo. Peguei uma cestinha e fui para a segunda prateleira à esquerda. Tudo era meio apertadinho e eu me sentia sufocada. Peguei logo o que precisava ali e fui para outra prateleira. Não tinha o que eu queria e fui para outra. Mais alguns enlatados ali… e… hum… “Que cheiro horrivel!” Falei num cochicho. Meu estômago embrulhou de um jeito que fui rapidamente para a última prateleira. O cheiro era tão ruim que nem conseguia me concentrar direito no que precisava pegar. Coloquei tudo de uma vez na cestinha e fui para o caixa.

Lá o cheiro era ainda mais forte e nauseante. Parecia algo podre. E… o pior! Ninguém vinha me atender. Das duas uma: ou estavam tentando limpar a sujeira que causava aquele odor insuportável, ou estavam no banheiro vomitando por causa dele. Só que não dava mais para suportar. Chamei alto, quase num grito:

_Hei! Tem alguém aí?

Me debrucei um pouco no balcão para espiar pela portinha do depósito que estava entreaberta. Foi quando o que vi no chão, atrás do balcão, me deixou completamente horrorizada.

Um senhor, já de certa idade, estava estirado de bruços no chão em uma possa de sangue. Sua cabeça estava esmiuçada, com buracos no crânio. E pelo que parecia, estava ali há alguns dias. Quase vomitei! Fiquei atônita! Por um momento meu estado de choque foi tão grande que não soube o que fazer ou para onde ir. Corri para fora da loja. Precisava respirar um ar saudável. Meu sistema nervoso ficou tão alterado que lágrimas corriam pelo meu rosto e eu respirava ofegantemente.  Fique descontrolada e trêmula. Tentei me acalmar. Respirei fundo. Fui ao orelhão bem na frente do mercado e liguei para a polícia.

Em 18 minutos uma viatura estacionou em frente ao mercadinho. Dois policiais desceram da viatura. Um entrou direto na loja e o outro veio em minha direção, no banco de madeira onde eu estava tensamente sentada.

_Você quem fez a ligação?

Balancei a cabeça afirmativamente.

_Fique calma certo? Vamos averiguar o que houve aqui. Precisaremos do seu depoimento.

Balancei a cabeça consentindo outra vez.  O outro policial voltou e indo ao direção do carro disse :

_Vou chamar reforços. A coisa foi mais feia do que pensamos.

 Nisso alguns poucos curiosos começaram a aparecer. O policial foi em direção deles para impedir que se aproximam-se, e tentando explicar o que havia acontecido. os afastava educadamente.

Eu estava em estado de choque. Totalmente entorpecida, a imagem do  homem morto com os miolos expostos no chão, fez minha cabeça girar e meu estômogo estremecer. Senti um calafrio e desmaiei.

(:|:)

24 de abril de 2009 Posted by | Assassinatos | , , , , , , , , | Deixe um comentário

.marreco.recheado.com.gosto.de.queimado.

Amélia queria que tudo estivesse perfeito para o almoço daquele dia. Sua sogra iria visitá-la e certamente a metida de sua cunhada iria junto. Portanto sua nova receita de marreco recheado seria formidável para a ocasião.

Chegou em casa com as compras e foi logo preparando todos os condimentos que iria usar  para fazer o prato tão saboroso. Mesmo sendo domingo, seu marido estava trabalhando. Na verdade, era um bico, para ajudar nas despesas extras com a construção da garagem da casa.

Sem a ajudinha do marido, Amélia, precisava dar conta do recado sozinha. E tinha muita coisa para fazer. Ainda bem que a sobremesa já estava encaminhada desde o dia anterior, uma preocupação a menos. Enquanto cortava o beacon, que seria frito antes de ser misturado com  os demais ingredientes do recheio do marreco, ela ouvia uma musiquinha alegre. Ouvir músicas típicas polonesas  enquanto cozinhava a ajudava a se concentrar.

Recém havia ligado o fogão, para esquentar o óleo que estava na frigideira em que o beacon seria fritado, e o telefone tocou. Correu para atendê-lo. Era o marido dizendo que iria se atrasar para o almoço, pois o filho do patrão havia sofrido algum tipo de acidente; algo que ela não entedeu direito. O atraso do marido era agora um grande problema para Amélia, sua sogra iria “xiar” muito com a falta do filho para recebê-la à porta. Amélia argumentou, brigou, choramingou. Os dois tentaram encontrar uma saída para a situação, que seria no mínimo inconveniente. Infelizmente, a sogra de Amélia era inflexível. Nenhuma explicação seria suficiente para fazê-la entender que os imprevistos acontecem. Tudo o que a sogra de Amélia faria seria passar o almoço inteiro falando da gafe do filho e da nora.

Tudo paracia despencar. Amélia e o marido não encontravam jeito para amenizar a situação. A solução seria mesmo Amélia ter que enfrentar, ou “recepcionar”, a sogra sozinha, pedir desculpas, esperar o marido  chegar atrasado, e passar o restanto do dia ouvindo sua sogra dizer, na cara deles, o quanto seu outro filho e sua outra nora jamais permitiriam que isso acontecesse.

Ainda um pouco aborrecida Amélia desligou o telefone pensando que nem mesmo a estréia de sua nova receita iria abrandar o azedume da “sogrinha querida”. Foi bem nessa hora que sentiu um terrível cheiro de fumaça e lembrou que deixara o fogão ligado esquentando o óleo na frigideira. 

Mas então, já era tarde demais. Ouviu uma explosão vinda da cozinha e o fogo preciptou-se pelo corredor. Só deu tempo de Amélia correr para o lado oposto e escapar pela porta da sala.

Lá fora os vizinhos já haviam se ajuntado para ver de onde vinha a fumaça que se erguia pela rua. Quando viram Amélia sair da casa correndo ficaram aliviados, mesmo pesarosos com o estrago que o fogo estava fazendo na parte lateral da casa, onde ficava a cozinha.

Todos queriam saber  como o fogo havia começado. E um pequeno tumulto se fez em volta de Amélia, enquanto alguém dizia que os Bombeiros estavam chegando. Tudo o que Amélia conseguia fazer era respirar fundo para tentar processar tudo o que estava acontecendo. Sua casa estava se consumindo em chamas bem diante de seus olhos. Não acreditava que isso estava acontecendo com ela. Mas, estava. Era real.

Isso, só porque ela queria que tudo estivesse perfeito para o almoço daquele dia. Tentou olhar pelo lado bom (se é que havia algum lado bom em perder sua casa num incêndio) ao menos não teria que ouvir as ladainhas de sua sogra por causa do atraso de seu marido. E poderia deixar sua nova receita de marreco recheado para a visita de sua mãe, que parecia uma idéia bem mais agradável.

O som da sirene do caminhão dos Bombeiros a trouxe de seus pensamentos no momento exato que uma outra explosão, vinda da cozinha, aconteceu. Nisso sua casa já estava quase toda consumida pelas chamas. O estrago era grande. Foi então que alguém tocou em seus ombros e ela, mecanicamente, se virou para ver quem era. Sua sogra com um olhar fulminante e acusador a observava com uma expressão implacável.

Foi então que Amélia se dera conta que, assim que contasse a sua sogra como tudo acontecera, não teria que ouví-la azucrinando em seu ouvido pelo resto dia, mas sim teria qua aguentar sua sogra jogando em sua cara a culpa de um erro tão  “estúpido” pelo resto de sua vida.

_O que aconteceu aqui, mocinha?

Sua sogra perguntou ironicamente e com uma raiva visível em seus olhos. Nesse momento , Amélia desejou ardemente não ter conseguido sair da casa,  que consumida pelo fogo, começava a se transformar em cinzas.

(:|:)

15 de abril de 2009 Posted by | Geral | , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.psicose.paranóica.induzida.

PARTE II

Quando a jovem abriu os olhos e percebeu que tudo nao passara de um sonho, sua respiração era ofegante, e sentiu seu corpo suado e tão dolorido que levou um tempo para conseguir levantar e caminhar até à janela. O vento era o único que lhe fazia companhia acariciando sua face. Lá fora tudo parecia solitário e monótono. E a noite estava fria e úmida…

(:|:)

7 de abril de 2009 Posted by | Assassinatos, Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.desabafo.de.um.viciado.em.escrever.cartas.

São Paulo, 22 de dezembro de 2003

Existem cartas que chegam atrasadas. E contam coisas que sabemos e novidades que já são velhas. Não tem como entender o porquê disso, mas o fato é que isso tem acontecido. Não há um motivo aparentemente justificável, há a certeza, porém, de que os Correios tem fucnionado com muita eficiência, eliminando então a possivel causa do problema.

O mais provável e cabível, é que essas cartas sejam escritas e eesquecidas em gavetas e, é claro, encontradas um bom tempo depois e – o mais ridículo disso tudo – “enviadas com sucesso”! Não há como fugir dessa realidade. Quem nunca recebeu uma carta atrasada, ou, quem nunca enviou uma?

As cartas atrasadas existem, não podemos fugir delas, é um ciclo que não termina: uma carta atrasada recebida, é uma carta atrasada enviada, e assim sucessivamente. O ciclo não se fecha, a menos que essas cartas deixem de ser enviadas, deixem de ser escritas, deixem de existir.

Vamos nos unir e eliminar as cartas atrasadas, elas têm feito com que as boas notícias tornem-se velhas, e a surpresa do próximo dia, torne-se o esquecimento da semana passada. Isso é estarrecedor. Não podemos mais continuar a aceitar essa situação com um sorriso nos lábios ao vermos a caixinha do correio repleta de velhas noticias e cartas atrasadas.

Precisamos acabar de uma vez com isso! Não vamos calar diante desse problema! Protestemos pois, reinvidiquemos por cartas mais justas. Por noticias que cheguem à tempo e por cartas em dia. Só assim conseguiremos um mundo melhor e mais honesto.

Por isso, não aceite mais receber cartas atrasadas, diga “não” a essa ultrajante humilhação. E, por favor, não se exponha ao rídiculo mandando uma carta atrasada à um amigo que te quer bem!

Tenho dito!

(:|:)

4 de abril de 2009 Posted by | Geral | , , , , , , | Deixe um comentário

.psicose.paranóica.induzida.

PARTE I

A noite estava fria e úmida. O canto incansável de uma cigarra parecia ser o único barulho nas proximidades. Nenhum carro nas ruas. Nenhum transeunte pelas calçadas. Nenhum cão entremeado entre latas de lixo. Tudo parecia mórbidamente solitário e monótono.

Ninguém percebeu que a bela jovem, deslubrante em seu vestido azul petróleo, subiu no terraço do prédio de 43 andares que morava seu padrinho. Sentada no alambrado ela balançava os pés descalços para o lado de fora. O silêncio da grande metropole ainda não era maior que o silêncio e a solidão do seu coração.

_SALVE-MEEE!

Bradou ela e rompeu em prantos. Tapou o rosto com as duas mãos como que querendo esconder-se de alguém, mas ela estava só ali. Chorou alto e abafado ao mesmo tempo. E por muito tempo, chorou.

Depois do desespero, não se deu ao trabalho de enxugar suas lágrimas, e ficou de pé bem na beirada da quina do alambrado. O dia já começava a nascer. Susurrou um poema. O mesmo que fizera no dia em que sua mãe morreu e que sua irmã mais velha fizera questão que ela recitasse no velório :

_O tempo não traz nenhuma certeza… A vida não garante o amanhã. ..Mas o amor vai além do tempo, …e é ainda mais perfeito além dessa vida.

E emendou com uma última frase:

_E isso é tudo!

Suspirou profundamente, fechou os olhos, abriu os braços, e com um sorriso nos lábios se atirou lá de cima.

Seu corpo chegou ao chão com um som seco, sem eco, sem vida. Mas ninguém percebeu isso também. Talvez o único espectador tenha sido a cigarra, pois seu canto incansável tornou-se ainda mais lamuriante ao amanhecer.

(:|:)

30 de março de 2009 Posted by | Assassinatos, Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , | 1 Comentário