JoAnInHaS falam no silêncioOoOo (:|:)

…e o que elas escrevem?!

.outono.

Esta é a primeira página de muitas que vêm pela frente. Quem dera conseguir escrever todos os dias de minha breve existência aqui. Isto nao é necessario. Todos os dias de minha vida já estao designados.

Contudo, as pessoas só terão de mim o que eu deixar escrito. O mínimo que eu deixar registrado será o máximo que de mim os outros terão.

O outono está chegando. Tudo está bem marrom agora. O vento é mais geladinho. O céu é mais intesamente azul.  Me sinto abraçada por Deus toda vez que meus olhos se fecham automaticamente que tento olhar pára o sol, que não tem mais nuvens para se esconder.

Ah! E as flores? As flores também são perfeitas pra mim. E elas virão, sim. Mas apenas na primavera. 

E antes disso virá o inverno. Galhos nus e secos. Frio congelante. 

Mas antes disso virá o outono. E este próximo outono também será mais uma página da história de minha vida. Da história que, diferente do outono, já começou.

(:|:)

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29 de abril de 2011 Posted by | DiVaGaÇõEs | , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.a.caixa.colorida.

Ela tinha uma caixa. A caixa era dela. E lá dentro tantas alegrias. E lá dentro tantas tristezas. Segredos. Medos. Vergonhas. Sorrisos. Sonhos. Frustrações. Tempos bons e ruins. Cartões dos melhores e dos péssimos. Mas nada fora compartilhado até aquele momento. Estava tudo bem guardado, fechado e escondido dentro da caixa colorida.

Não que não houvesse o interesse em abri-la. Mais que isto. Havia a necessidade. Mas na mão de uma criança a chave acaba se perdendo. E foi assim que aconteceu. Dessa forma ninguém a havia encontrado. Não que não  tivessem procurado a tal chave, mas acho que no fim ela não queria encontrá-la. E por isso, depois de um tempo, não pediu mais ajuda a ninguém.

A caixa colorida de fita larga e vermelha continuou lá. Fechada. De alguma forma ela conseguia colocar coisas dentro da caixa, mas sem a chave ela não conseguia abri-la para tirar ou rever essas e outras coisas. A caixa colorida estava fechada com o laço, mas só uma chave poderia destrancá-la. Sim, tudo muito confuso. Porque, de certa forma, ela também era assim. Sua caixa era como ela, ou ela era como sua caixa. Ninguém sabia mais ao certo, nem ela mesma.

E lá, perdida em algum lugar, ficou a caixa colorida. Ela sempre ia visitá-la para guardar alguma coisa. Mas nunca mais tentara abri-la até então. Na verdade, ela ficou anos sem se quer contar a alguém que guardava uma caixa colorida. Os novos amigos não sabiam da existência dela, e os velhos já achavam que a caixa colorida era só uma invenção fantasiosa.

Mas um dia, por mais bem elaborada que seja, a endrominante retórica não convence mais ninguém. Por isso ela se cansou de tentar convencer a si própria. Sem discursos para se apoiar, ela já tinha decidido que tudo acabaria de vez. E o que nem se quer começara encontraria seu fim. Foi quando ela se lembrou da caixa, era a única coisa que talvez a ajudasse a querer continuar vivendo ou lhe mostrasse até o que era viver. Então, ela quis desesperadamente abrir a caixa, a sua caixa colorida. Precisava disso mais que antes. Mas, e a chave?

Foi em uma grande odisséia que ela encontrou o Senhor do Tempo (que é o Eterno Pai do grande deus Niurion), o Cavaleiro do Escudo Vermelho, (que é aquele para quem tudo teve início e terá fim), e o Grande Poeta (que é o Escritor que o Senhor do Tempo enviou para confirmar seus decretos) e eles lhe revelaram como encontrar a chave. E isto já é uma história a parte. O importante agora é saber que a Donzela das Flores nos Pés, que é a Quarta Irmã da Borboleta Colorida, a ajudou a desfazer o laço vermelho. Foi aí que o caminho para encontrar a chave começou a se desvendar conforme já havia anunciado o Senhor do Tempo, o Cavaleiro do Escudo Vermelho e o Grande Poeta.

E foi assim, debaixo da sombra do assombroso Ipê Amarelo, que ela encontrou a Valente Sábia do Pastoreio, que é a filha da filha da Mulher do Coração de Ouro, que é uma das poucas que ainda ouve de Sofia tudo o que ela lhe conta sobre o Senhor do Tempo e seus decretos, e isto também já é uma história a parte. O importante é saber que foi ela que  lhe entregou a chave perdida. Na verdade a Valente Sábia do Pastoreio nem se quer sabia que possuía a chave perdida até o momento que colocou a mão no coração para procurar. E encontrou. Ao entregar a chave para ela a Valente Sábia do Pastoreio ficou preocupada: a chave era muito pesada para a outra carregar. Mas era preciso abrir de uma vez a caixa colorida e esvaziá-la. Pois se a chave era pesada, a caixa era ainda mais.

Com a chave na mão ela se despediu da Valente Sábia do Pastoreio e prometeu lhe trazer dos seus próprios frutos para que esta pudesse saborear na outra primavera. Ela correu até o Refúgio dos Guerreiros da Profecia, onde morava a Donzela dos Pés das Flores e lhe mostrou a chave. Ela não falou palavra alguma. Mas isto não quer dizer que ela não tenha dito nada. Ela disse muito sem falar. Como o laço já havia sido desfeito a Donzela dos Pés das Flores a ajudou a abrir a caixa colorida por um tempo encaixando a chave na tranca, depois ela precisou girar a chave sozinha.

Com a chave ela abriu a caixa. Naquele momento ela viu quanta coisa havia ali. Umas eram lixo. Podridão. Cheiravam mal. Outras precisavam ser recicladas, reaproveitadas, refeitas. E algumas necessitavam ser usadas com urgência. Sem mais nenhuma espera ou exigência.

Eram coisas demais para serem organizadas. Muita confusão, muito conflito, muita informação. Era tudo muito velho e muito novo ao mesmo tempo. Doía demais e era ao mesmo tempo libertador. Abrir a caixa colorida não somente a poupou de um suicídio egoísta como a fez ter uma perspectiva boa do que era viver. Mesmo com tantas coisas para arrumar, tudo já estava sendo consertado de certa forma.

E agora, enquanto ela esvazia a caixa seu coração também é preenchido. O vazio é a possibilidade de coisas novas. O preenchimento é a certeza de que elas já estão chegando. Por isso o vazio da caixa e o conteúdo do coração têm o mesmo nome, e isto é o que ela passou a chamar de EsPeRanÇa.

(:|:)

27 de outubro de 2009 Posted by | Fantasia, Realidade | , , , , , , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário

.eu.gostaria.

Pai, Mãe e Edu,

eu gostaria que tudo fosse bem rápido. Nada com muito exagero, pompas ou nostalgias. Não quero decorações exageradas, nem aquelas  flores comuns nestas ocasiões.

Gostaria também que minha roupa fosse branca, do jeito que eu gosto e como tem que ser, um vestidinho bem leve com rendinhas, nada de muitos “frufrus”. No cabelo aquela borboletinha com pedrinhas brilhantes. Uma maquiagem bem suave. Não quero chamar atenção, mesmo sabendo que eu serei o centro das atenções.

Não quero aquele conglomerado de pessoas ao meu redor, que cada um tenha o seu lugar e permaneça lá. Eu gostaria que com certo pudor, tudo fosse bem organizado e premeditado, que seguisse um roteiro, que tivesse um protocolo.

Gostaria que cantassem uma música acompanhada de violino, sem muitas frescuras. Gostaria também que o ministrante fosse objetivo em suas palavras para não cansar os presentes e para que tudo termine o mais rápido possível.

Depois da cerimônia formal, gostaria que tudo seguisse normalmente conforme deve ser. O cortejo deve sair da igreja e se dirigir ao Jardim do Lago sem desviar a rota. Tudo sempre com muita discrição, nada de “exaltações”.

Gostaria que no Jardim do Lago, todos também ocupassem seu lugar e o mestre de cerimônia lesse o meu discurso que já está escrito e guardado no envelope azul na gaveta do escritório. Gostaria que ele lesse tudo até o fim e depois abrisse a oportunidade para algum parente ou amigo discursar, se alguém o quiser fazer, é claro. Tudo sempre sem escândalos.

Ao final gostaria que outra música fosse cantada ao som do violino enquanto meu caixão estiver sendo descido ao túmulo. Joguem flores se quiserem, mas gostaria que não houvesse nehum tipo de manifestação desesperada, nem lamúrias e soluços desconsolados.

Gostaria que em minha lápide estivesse o seguinte epitáfio: “Viveu, e como a todos sucede, morreu.” Nada de dizeres que causem comoção. Se palavras em vida não tiveram efeito para me curar, muito menos em morte me fariam voltar a viver. 

E por fim, gostaria de ser lembrada com serenidade, e que este rosto jovem que comigo irá para a sepultura, é que permaneça para sempre guardado na memória dos que ficarem e que alcançarem a desejada e temida velhice. Ah! Quem me dera conhecê-la!

Não são regras, leis, nem ordens. São apenas meus últimos desejos para minha cerimônia fúnebre. Não são obrigações, apenas coisas simples de que eu gostaria que acontecessem naquele dia que será triste para todos nós: o dia do ‘adeus’.

Ternamente,

Zuzi.

(:|:)

28 de setembro de 2009 Posted by | Cotidiano, Família, Realidade | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.primavera.

Quando eu abrir a janela, as nuvens escuras terão passado. A tempestade terá tido seu fim. A noite sombria será dia radiante.

Quando eu abrir a janela, terei vontade de sair para pessear. As roupas de luto darão lugar ao alegre vestido vermelho de renda. E o cabelo desgrenhado ganhará a forma de cachos soltos ao vento.

Quando eu abrir a janela, o vento frio terá cessado. As árvores estarão repletas de flores. Haverá novas cores e novos amores.

 Quando eu abrir a jenela, você vai acenar para mim do outro lado da rua e eu devolverei o sorriso. As lágrimas estarão só no passado e eu direi “sim” quando você me convidar para ir à praça.

Sim, abrirei a janela. Mas só quando for PriMaVeRa.

(:|:)

9 de setembro de 2009 Posted by | Fantasia | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário