JoAnInHaS falam no silêncioOoOo (:|:)

…e o que elas escrevem?!

.outono.

Esta é a primeira página de muitas que vêm pela frente. Quem dera conseguir escrever todos os dias de minha breve existência aqui. Isto nao é necessario. Todos os dias de minha vida já estao designados.

Contudo, as pessoas só terão de mim o que eu deixar escrito. O mínimo que eu deixar registrado será o máximo que de mim os outros terão.

O outono está chegando. Tudo está bem marrom agora. O vento é mais geladinho. O céu é mais intesamente azul.  Me sinto abraçada por Deus toda vez que meus olhos se fecham automaticamente que tento olhar pára o sol, que não tem mais nuvens para se esconder.

Ah! E as flores? As flores também são perfeitas pra mim. E elas virão, sim. Mas apenas na primavera. 

E antes disso virá o inverno. Galhos nus e secos. Frio congelante. 

Mas antes disso virá o outono. E este próximo outono também será mais uma página da história de minha vida. Da história que, diferente do outono, já começou.

(:|:)

29 de abril de 2011 Posted by | DiVaGaÇõEs | , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.o.que.é.o.nada.?.

Todos estão andando pelas ruas fingindo estarem distraídos.

Estão buscando alguma coisa. Procuram desesperadamente, mas niguém corre. Ninguém sabe o nome daquilo que procura.

Há uma falsa sombra debaixo dessa árvore, não há como se esconder.

As crianças, sim, estão distraídas. Elas não procuram alguma coisa, a não ser pedrinhas naquele mato que alguns ainda chamam de grama.

Ninguém escolhe a cor dos próprios olhos. Mas todos podem escolher com que cor verão o mundo.

Porque, na verdade, niguém está distraído. Todos estão com os olhos bem abertos… Procurando.

E estas palavras não estão simplesmente soltas ao léu. Estas palavras estão contando uma história; e ela já começou.

Preste atenção.

(:|:)

15 de dezembro de 2009 Posted by | DiVaGaÇõEs | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário

.a.caixa.colorida.

Ela tinha uma caixa. A caixa era dela. E lá dentro tantas alegrias. E lá dentro tantas tristezas. Segredos. Medos. Vergonhas. Sorrisos. Sonhos. Frustrações. Tempos bons e ruins. Cartões dos melhores e dos péssimos. Mas nada fora compartilhado até aquele momento. Estava tudo bem guardado, fechado e escondido dentro da caixa colorida.

Não que não houvesse o interesse em abri-la. Mais que isto. Havia a necessidade. Mas na mão de uma criança a chave acaba se perdendo. E foi assim que aconteceu. Dessa forma ninguém a havia encontrado. Não que não  tivessem procurado a tal chave, mas acho que no fim ela não queria encontrá-la. E por isso, depois de um tempo, não pediu mais ajuda a ninguém.

A caixa colorida de fita larga e vermelha continuou lá. Fechada. De alguma forma ela conseguia colocar coisas dentro da caixa, mas sem a chave ela não conseguia abri-la para tirar ou rever essas e outras coisas. A caixa colorida estava fechada com o laço, mas só uma chave poderia destrancá-la. Sim, tudo muito confuso. Porque, de certa forma, ela também era assim. Sua caixa era como ela, ou ela era como sua caixa. Ninguém sabia mais ao certo, nem ela mesma.

E lá, perdida em algum lugar, ficou a caixa colorida. Ela sempre ia visitá-la para guardar alguma coisa. Mas nunca mais tentara abri-la até então. Na verdade, ela ficou anos sem se quer contar a alguém que guardava uma caixa colorida. Os novos amigos não sabiam da existência dela, e os velhos já achavam que a caixa colorida era só uma invenção fantasiosa.

Mas um dia, por mais bem elaborada que seja, a endrominante retórica não convence mais ninguém. Por isso ela se cansou de tentar convencer a si própria. Sem discursos para se apoiar, ela já tinha decidido que tudo acabaria de vez. E o que nem se quer começara encontraria seu fim. Foi quando ela se lembrou da caixa, era a única coisa que talvez a ajudasse a querer continuar vivendo ou lhe mostrasse até o que era viver. Então, ela quis desesperadamente abrir a caixa, a sua caixa colorida. Precisava disso mais que antes. Mas, e a chave?

Foi em uma grande odisséia que ela encontrou o Senhor do Tempo (que é o Eterno Pai do grande deus Niurion), o Cavaleiro do Escudo Vermelho, (que é aquele para quem tudo teve início e terá fim), e o Grande Poeta (que é o Escritor que o Senhor do Tempo enviou para confirmar seus decretos) e eles lhe revelaram como encontrar a chave. E isto já é uma história a parte. O importante agora é saber que a Donzela das Flores nos Pés, que é a Quarta Irmã da Borboleta Colorida, a ajudou a desfazer o laço vermelho. Foi aí que o caminho para encontrar a chave começou a se desvendar conforme já havia anunciado o Senhor do Tempo, o Cavaleiro do Escudo Vermelho e o Grande Poeta.

E foi assim, debaixo da sombra do assombroso Ipê Amarelo, que ela encontrou a Valente Sábia do Pastoreio, que é a filha da filha da Mulher do Coração de Ouro, que é uma das poucas que ainda ouve de Sofia tudo o que ela lhe conta sobre o Senhor do Tempo e seus decretos, e isto também já é uma história a parte. O importante é saber que foi ela que  lhe entregou a chave perdida. Na verdade a Valente Sábia do Pastoreio nem se quer sabia que possuía a chave perdida até o momento que colocou a mão no coração para procurar. E encontrou. Ao entregar a chave para ela a Valente Sábia do Pastoreio ficou preocupada: a chave era muito pesada para a outra carregar. Mas era preciso abrir de uma vez a caixa colorida e esvaziá-la. Pois se a chave era pesada, a caixa era ainda mais.

Com a chave na mão ela se despediu da Valente Sábia do Pastoreio e prometeu lhe trazer dos seus próprios frutos para que esta pudesse saborear na outra primavera. Ela correu até o Refúgio dos Guerreiros da Profecia, onde morava a Donzela dos Pés das Flores e lhe mostrou a chave. Ela não falou palavra alguma. Mas isto não quer dizer que ela não tenha dito nada. Ela disse muito sem falar. Como o laço já havia sido desfeito a Donzela dos Pés das Flores a ajudou a abrir a caixa colorida por um tempo encaixando a chave na tranca, depois ela precisou girar a chave sozinha.

Com a chave ela abriu a caixa. Naquele momento ela viu quanta coisa havia ali. Umas eram lixo. Podridão. Cheiravam mal. Outras precisavam ser recicladas, reaproveitadas, refeitas. E algumas necessitavam ser usadas com urgência. Sem mais nenhuma espera ou exigência.

Eram coisas demais para serem organizadas. Muita confusão, muito conflito, muita informação. Era tudo muito velho e muito novo ao mesmo tempo. Doía demais e era ao mesmo tempo libertador. Abrir a caixa colorida não somente a poupou de um suicídio egoísta como a fez ter uma perspectiva boa do que era viver. Mesmo com tantas coisas para arrumar, tudo já estava sendo consertado de certa forma.

E agora, enquanto ela esvazia a caixa seu coração também é preenchido. O vazio é a possibilidade de coisas novas. O preenchimento é a certeza de que elas já estão chegando. Por isso o vazio da caixa e o conteúdo do coração têm o mesmo nome, e isto é o que ela passou a chamar de EsPeRanÇa.

(:|:)

27 de outubro de 2009 Posted by | Fantasia, Realidade | , , , , , , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário

.o.menino.e.o.eco.

Do alto da motanha o menino gritou:

_Oláaaaa!!!

E ouviu o Eco responder:

_Lá, lá, lá!!!

Ficou intrigado e perguntou:

_Quem fala comigoooo???

E o Eco não deixou de dizer:

_Migo, migo, migo!!!

E até hoje o menino não consegue saber se o Eco é aMigo ou iniMigo.

(:|:)

17 de setembro de 2009 Posted by | Fantasia | , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.04.de.julho.de.2001.

Ele era um rapaz legal. Na verdade o único amigo que fizera durante seis meses.

As meninas não se aproximavam de mim. Nunca havia conversado com nenhuma garota do meu colégio. Não que as oportunidades nunca surgissem, porque vez ou outra apareciam. Mas as “conversas” consistiam em cinco ou seis palavras de ambas as partes. Sempre que elas descobriam que ele era meu amigo inventavam uma desculpa e saiam de fininho.

Mas isso não importava pra mim. Ele era um rapaz legal. Era meu melhor amigo. Meu único amigo. Às vezes quando caminhávamos juntos pela ruas ruas da cidade, as pessoas nos olhavam de atravessado e cuchichavam coisas sobre nós. Isso me irritava. Ele sempre percebia e perguntava:

_ Você quer ir pra casa?

E eu sempre respondia:

_ Não.

Depois disso havia sempre silêncio entre nós. Então quando eu não aguentava mais de tanta raiva ele perguntava:

_ Você não se importa em ser minha amiga?

_ Não – Eu dizia.

Entretanto em uma dessas caminhadas quando ele fez essa pergunta e eu como de costume dei minha resposta, ele me disse algo inesperado:

_ Você é a única amiga que eu já tive em toda minha vida!

Me emocionei. Comcerteza eu teria dito a mesma coisa se não fosse uma lágrima que quase escapou dos meus olhos. Fiquei sem saber o que dizer. Naquele momento percebi que ele era muito mais que um amigo, era um anjo. Era alguém especial que Deus havia colocado em minha vida.

Ele sabia da minha vida inteira e me conhecia perfeitamente. Eu, no entanto, mal sabia seu sobrenome. A vida dele era um mistério para mim.

Quando tive que ir embora me entristeci muito. Vi uma tristeza profunda em seus olhos quando lhe contei. Os risos e alegrias que até então ele sempre deixara transparecer,  em seu rosto não mais se via. Ele com os olhos cheios de lágrimas olhou para mim e disse:

_ Eu amo você!

Beijou minha mão e depois levantou-se. Deu alguns passos, olhou para trás e disse adeus. Nunca mais o vi. Fui embora e nunca mais o vi. Ele sumiu de repente. Talvez fosse mesmo um adeus eterno. Semvolta. Choro sua lembrança! Choro esse amor perdido. Mas sei que se ainda estiver vivo, voltará para mim!

(:|:)

 

8 de julho de 2009 Posted by | Romances | , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.vestido.verde.

_Mãe, eu quero este aqui tá?

_Esse com o babadinho na gola?

_Aham! Mas ó… tá vendo? Quero nesse tom de verde tá?

_Tá bem. Pode deixar, Pietra. Eu já entendi minha filha.

_Ai mãezinha! Obrigada!

Pietra saiu pela porta do quartinho de costura da mãe, com um sorriso cortando o rosto. Que orgulho ela dava a sua mãe. Aquele era o ano da “Grande Crise Mundial”, e com muito esforço, em 12 dias, Pietra se formaria. Ela seria veterinária. Com certeza aquele seria o vestido mais bonito que dona Garibaldi faria em toda sua vida. Portanto Pietra precisava de um sapato digno de tal modelito. A tarde seria longa andando pelas ruas para encontrar o tal sapato, mas ela persisitia toda vez que lembrava que sua mãe estava em casa se empenhando em seu vestido.

***

_Alô?

_Garibaldi Rolandini, por favor?

_É ela mesma.

_A senhora conhece Pietra Rolandini Vidal?

_Sim. é minha filha.

_Eu sou Vitória Dorácio, enfermeira chefe do Hospital Regional Alcântara Vila Grande.

_Ai…o que aconteceu?

_Peço que a senhora fique calma. Sua filha foi atropelada e encaminhada para nosso pronto socorro. Então se a senhora puder venha imediatamente.

_Mas como ela está? Ela está bem não é?

_A situação dela é estável. Mas é melhor a senhora vir e pessoalmente vou explicar melhor tudo o que aconteceu.

_Está bem, está bem. Já estou indo para aí. 

Quando dona Garibaldi chegou no Hospital e conversou pessoalmente com a enfermeira Vitória, entedeu que “estável” foi uma forma suave para dizer que sua filha estava em coma e estava na UTI. O caso era muito grave. Pietra sofrera traumatismo crâniano, juntamente com uma lesão na cabeça que causou um corte da testa, até a nuca pelo lado direito da cabeça. Mesmo se saísse do coma, nunca mais poderia andar. Sua coluna quebrara em 7 lugares diferentes, um caso irreversível. Sem contar que as duas pernas estavam fraturadas, e o pé esquerdo foi dilacerado de tal forma, que seria necessário amputá-lo imediatamente.

Agora a história não era mais de uma moça feliz prestes a realizar um sonho, mas sim, de uma mãe angustiada prestes a perder a filha, a única filha. Tudo o que ela tinha. Sua única família. Garibaldi repassou os últimos instantes daquela tarde em que esteve com sua filha. Pietra toda sorrisos escolhendo seu vestido de formatura. O que fazer agora? O que esperar disso tudo? Sentada na sala de espera, Garibaldi chorou em silêncio.

***

Quatro anos se passara desde a “Grande Crise Mundial”, mas  o vestido verde cobreado com o babadinho na gola ainda estava perfeito. Clarice olhou e de cara gostou dele. Entrou na lojinha da esquina. Era pequena e meio escura. Passava um ar triste, mas o vestido na vitrine era perfeito. O que ela vinha procurando há semanas.

_Oi. Eu queria provar o vestido da vitrine.

_Ah, sinto muito aquele não está a venda. É só uma amostra para enfeitar a vitrine.

_Ah! Que pena. Eu gostei tanto dele. Será que não tem jeito da senhora vender ele pra mim?

_Ele é da minha filha. Ela vai ser veterinária. Daqui há 12 dias.

_Poxa que pena pra mim e que ótimo pra ela. É um vestido belíssimo.

_Não foi fácil pra ela sabe? Conseguir se formar no ano da Grande Crise Mundial a faz digna do melhor vestido que eu poderia fazer.

_É, pode ser, mas… não estamos no ano da Grande Crise Mundial. Isso foi há 4 anos, minha senhora.

_Não! Eu digo que não! Estamos no ano da Grande Crise Mundial, sim! Minha filha foi comprar um sapato lindo para usar com aquele vestido, porque daqui há 12 dias ela será uma veterinária!!!

_A senhora deve estar louca!

_Saia daqui! Você não entende nada de crises globais! Não entende nada de sapatos, vestidos, formaturas e filhos! Você não sabe de nada!!! Sua insolente!!! Saia daqui!!!

_Sua maluca!

Clarice saiu da loja apressada e assutada. Só queria comprar um vestido afinal. Não conseguia entender a atitude daquela mulher, e depois de passado o nervosismo e a raiva só pode sentir pena da pobre coitada.

***

O vestido verde continuou na vitrine por muito tempo. Sempre à mostra para alguém querer comprá-lo sem conseguir, é claro. Pois dona Garibaldi, mesmo depois de 26 anos da morte de Pietra, explicava que o vestido era de sua filha que iria se formar dali há 12 dias.

(:|:)

16 de maio de 2009 Posted by | Família, Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.o.idiota.

Era por volta das 18 horas. Milena desceu a rua que levava à alameda principal. O dia parecia cinzento igual a cor das paredes sujas de sua escola quando era criança. Por algum motivo teve vontade de sair correndo, mas não o fez.  Apertou forte o convite que levava na mão direita, virou a esquina e “BUM”! O garoto vinha muito rápido numa bicleta e não teve tempo de frear. O resultado foi a trombada dos dois em plena calçada. Ele pendeu para o lado esquerdo da bicicleta mas conseguiu se apoiar com o pé. Ela não teve tempo nem de pensar e já estava no chão.

_Oh! Desculpa aí!

O menino falou meio sem graça sem nem olhar para ela direito. Milena estava tão assutada que nem conseguiu responder.

_Tá tudo bem moça? Você se machucou?

Milena ainda nao tinha reação. Por fim o menino desceu da bicicleta e a apoiou num poste, depois  se agachou perto dela. Chacoalhou de leve seu ombro esquerdo.

_Hei moça! Tá tudo bem?

Por fim ela voltou a si, como que num susto. Olhou em volta. Alguns olhares curiosos os observavam. Abriu a mão que levava o convite, com o susto ela o apertara tão forte que ele estava todo amassado; igual dinheiro de bebâdo dentro do bolso. Por fim seus olhos se encontraram com os do menino. Milena não entendeu bem o friozinho que sentiu na barriga, quando ele lhe remeteu um sorriso tímido e preocupado.

_Seu idiota!

Foi tudo o que ela conseguiu dizer, e nem entendeu porquê. Ele tirou a mão do ombro dela assustado com a reação ríspida da jovem. Meio atrapalhada ela se ergueu e ficou de pé enquanto limpava sua roupa. O menino, meio sem jeito, ficou de pé também e olhou firme para ela:

_Me desculpe mais uma vez. Estava tão distraído que… nem vi.

_Por causa da sua distração meu traseiro está doendo muito. E veja, o pneu da sua bicleta ralou minha perna!

Ela disse puxando um pouco o vestido e expondo o arranhão na perna esquerda. Mais uma vez ele ficou sem graça.

_Posso te levar numa farmácia.

_Seu idiota! Estou atrasada!

_…

_Anda! Me leva nessa sua bicicleta.

_Pra farmácia?!

_Claro que não, idiota! Me leva para o teatro municipal. É a estréia do meu namorado. Nem sei como vou conseguir ficar sentada durante uma hora com a bunda doendo desse jeito!!!

_Sinto muito.

_Acredite, eu estou sentindo muito mais!

_…

_Anda logo! Deixa eu subir aí. E nada de andar distraído dessa vez. Eu tenho que chegar lá viva!

_Tá.

_Vai logo, idiota!

Ele subiu na bicleta e Milena  foi de pé em cima do apoio que ficava bem no eixo do pneu de trás, feito justamente para isso. A cena era engraçada. Ele todo moleque levando uma donzela, toda esbelta em seu vestido cor de pêssego em pé na parte de trás da bicicleta, apenas se apoiando no ombro dele.

Ele tentou ficar calmo e pedelar com toda cautela. Apesar da groesseria de Milena, havia algo nela que ele gostara. E ele estava de alguma forma realizado por  estar levando aquela beldade em sua bicleta de playboy pelas calçadas da grande cidade , naquele dia cinzento que começava a se transformar em noite clara.

Chegaram no teatro. Milena desceu e tentou desamassar o convite com delicadeza. Ele esperou algum agradecimento. Na verdade, ele queria ouvir a voz dela de novo falando com ele.  Portanto, qualquer palavra da parte dela o encheria de contentamento.

_O que foi? Não tá querendo que eu te pague pela “corrida”, né?

_Não. Claro que não.

_Então o que? Tá esperando que eu te agradeça? Não passou do teu dever!

Ele gostava daquele jeito com que ela, tão rispidamente, lhe tratava. Não conseguia entender porque. Sempre que ela era grosseira, o garoto a olhava com um olhar assutado, um misto de medo e culpa, e isso fazia Milena sentir o friozinho na barriga com mais intensidade. Por isso, antes de subir as escadas do teatro, Milena olhou fixamente para o rosto apreensivo dele. Ela sorriu ironicamente e disse:

_Afinal, você me atropelou. Idiota!

Milena subiu as escadas apressadamente e ele voltou a pedalar despreocupado. Mas por dentro, os dois estavam sorrindo.

(:|:)

15 de maio de 2009 Posted by | Romances | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.e.agora.?.

_Então? Como foram as coisas?

_Tá russo o negócio!

_Como assim?

_Quero dizer que tá muito dificil! As coisas estão complicadas para nós!

_É?

_É!

_Hummm… e agora?

_Não sei… Não sei! Ai… acho que vamos ter que ir embora.

_Ir embora?!

_Eu também não queria isso. Mas… não vai ter jeito. No sul já temos algo garantido na olaria do Galdêncio. Ele mesmo disse, que se a gente precisasse…era só… bem é nossa  única saída agora.

_No sul?! Eu não gosto daquele lugar! Prefiro morar aqui!

_Eu também, eu também. Mas não podemos continuar esperando que algo aconteça do nada. Porque isso não nos levaria a lugar algum, aliás, nos trouxe a esta situação.

_Eu não quero ir!

_Você tem outra alternativa então? Alguma idéia diferente?

_Eu? Não.

_Pois então.

_Mas eu não posso ir embora. Não agora.

_Eu sei que você não gosta do sul, eu já sei disso. E não será por muito tempo. Aquele lugar também me intimida, mas…

_Não é só isso. É que…

_É o que então? Qual outra razão para você não querer voltar para o sul?

_É que…bem. Eu ia te falar outra hora. De outro jeito. Mas… já que é assim…

_O que é?

_Eu estou grávida…grávida.

_…!

_Eu queria te falar de outro jeito. Em outras circunstâncias. Só que… Estou de 14 semanas.

_…

_Você não vai falar nada?

_…

_Por favor! Diz alguma coisa…eu sei que você não esperava. Na verdade, nem eu, só que…

_Não esperava?! Eu não esperava?! Por favor!!! Você sabe o que essa gravidez significa?

_…

_Agora não podemos nem pensar em voltar para o sul. Se eles souberem disso….Ai! Eu não quero nem pensar no que pode acontecer… Como você pôde permitir que isso acontecesse?! Péssima hora para ter um filho!!!

_Eu sei! Eu sei que isso só torna as coisas mais dificéis…mas essa criança não tem culpa. A genter vai encontrar uma solução. Um jeito de resolver isso.

_Ah vai! Com certeza vai!

_Sinto muito.

_Sente muito? Deveria ter sentido antes.

_Desculpe.

_Agora sim o negócio tá russo!

(:|:)

11 de maio de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.era.outra.vez.

Era uma outra vez e esse mesmo joaninho estava sobrevoando um jardim. Lá de cima ele viu uma joaninha verde e se apaixonou por ela.

Entao ele voou até ela e ao se aproximar viu que a joaninha verde na verdade era um pedacinho da folhinha de uma árvore que uma formiguinha deixou no meio do caminho. (E isso já é outra história).

Conclusão, o joaninho foi ao oftamologista e precisou usar óculos fundo de garrafa! E nunca mais confundiu fucinho de porco com tomada!

 

Fim!

 

(:|:)

18 de março de 2009 Posted by | Animais Falantes, Romances | , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário