JoAnInHaS falam no silêncioOoOo (:|:)

…e o que elas escrevem?!

.quem.sabe.?.

Alberto parecia distraído. Mas na verdade estava concentrado. Ele sabia o que devia fazer, mas lhe faltava coragem. Eram 16:50 e logo eles viriam para fora e ele teria que encará-la. Tantas coisas lhe passavam pela cabeça. Como seria a reação dela? Será que ele conseguiria falar? Será que ela iria querer ouvir? Quem sabe?

Ele estava apreensivo. Esgueirou-se para mais perto do portão. Tentava ensaiar um discurso, mas sabia que não iria funcionar. Pensou em ir embora várias vezes. E se ela nem olhasse para ele? E se ela o odiasse mais ainda? E se…? E se…? Quem sabe? Eram tantas perguntas. Ele suava frio. Estava ofegante.

18 horas! O sinal tocou e Alberto respirou fundo. Era agora ou nunca. Não havia mais escapatória.

As crianças começaram a sair do prédio frenéticas. As menores corriam para encontrar seus pais lá fora. As mais velhas saiam caminhando mas numa algazarra incontida. Era sexta-feira e o final de semana prometia um calor digno de praia.

Contudo, Alberto não pensava em nada disso. Só conseguia olhar assustado de um lado para outro procurando por ela. Aquela por quem ele daria a vida. Aquela que era o grande e único amor de sua vida.

Então ela surgiu. Linda. Cabelos loiros brilhantes, presos pretenciosamente num rabo de cavalo impecável. Ela vinha com uma colega, riam de alguma coisa. Um beijo na face e se separaram. A colega foi para um lado e ela foi para o outro. O outro lado onde estava Alberto a esperá-la. Mas ela ia distraída, queria logo chegar em casa e iria passar direto se ele não a chamasse. Quase lhe faltou coragem, mas ele o fez:

_ Albertina!

Ela parou. Viu Alberto bem ao seu lado. O sorriso se perdeu. O maxilar ficou firme, tenso, expressão séria. Ficou muda.

_ Oi Tina.

Ela engoliu em seco, ele também. Ela ficou imóvel, ele se mexia nervoso.

_ Eu… Errr… Não sei se foi uma boa idéia. Sei que já fazia tempo, desde a última vez. Mas eu precisava vê-la para contar que..

_ Você está sóbrio pelo menos?

Ela perguntou secamente, sem rodeios, sem voltas, sem pudor.

_ Claro. Eu jamais faria isso… Outra vez. Eu mudei muito e até já…

_ O que você quer?

Alberto estava ficando mais nervoso. As coisas estavam tomando um rumo mais difícil do que ele pensava. Mas tentou se manter firme.

_ Eu quero contar que já faz 11 meses e 12 dias que não bebo, e já faz 5 meses que consegui um emprego. Aluguei um apartamento e consigo manter ele limpo e organizado, e… Olha, minhas unhas estão sempre cortadas e limpas agora.

Albertina não disse nada, mas sua expressão suavizou.

_ Não sei se isso faz alguma diferença pra você, mas…bem… Pelo menos você não precisa mais ter vergonha de ter um alcoólatra por perto.

_ Preciso ir, Alberto. É só isso?

_ É. Na verdade não. Tina, eu queria te convidar para almoçar comigo na quinta. É meu dia de folga e eu pensei, se, talvez…

_ É seu aniversário, Alberto.

_ É, também tem isso. Você não esqueceu, eu pensei que…

_ O que você quer de presente, Alberto?

_ Nada. Só quero você, Tina.

Albertina respirou fundo. Ela não esperava nada daquilo em plena sexta-feira. Apesar de estar assutada com o repentino surgimento de Alberto, no fundo, estava feliz. Queria abraça-lo, beijar-lhe a face, mas seu orgulho era maior que sua vontade no momento. Alberto cortou o silêncio:

_ Então eu te pego em casa…

_ Não. A gente se encontra no “El Cheff” às 11 horas de quinta.

_ Ah, sim. Se for melhor pra você. Claro!

_ Ótimo.

Albertina deu alguns passos para ir. O riso guardado lá dentro, a alegria bem contida dentro de si. Alberto estava pasmo, e mais que feliz. Realiazado. Satisfeito. Mas ainda faltava algo, por isso não deixou de tentar.

_ Albertina!

Ela voltou-se já há alguns metros de distância.

_ Obrigado… Ah! Quem sabe, até lá, você possa me chamar de pai outra vez.

Ela deu de ombros e respondeu:

_ É. Quem sabe?

Albertina virou-se outra vez e continuou caminhando. Alberto se sentia nas nuvens. O “talvez” era o melhor presente de aniversário que ele já havia recebido de sua preciosa filha.

(:|:)

9 de dezembro de 2009 Posted by | Família, Realidade | , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.vai.entender.né.?.

Como todo fim de semana, catei minhas coisas, e fui pra casa da minha namorada. Ela era linda, uma verdadeira patricinha cor-de-rosa engajada nas futilidades da moda. Eu era profundamente e cegamente apaixonado por ela. Mas só até aquele fim de semana.

A prima dela, recém formada em medicina, tinha vindo passar o fim de semana com ela para ajudar a cuidar da minha futura sogra, que ainda se recuperava de uma cirurgia de redução de seios. Essa prima da minha namorada era misteriosa. Tinha uma beleza séria e totalmente cativante. Era inteligente, prática, decidida. Tipo assim… ela tinha conteúdo! E que conteúdo! Aquilo assim que era mulher!

Felizmente, no mesmo fim de semana, minha namorada me procurou para terminar o namoro.

_Ai, meu coisito, eu preciso de um homem mais… mais… mais loiro ao meu lado. Nessa temporada os loiros estão em alta… Mas você não vai ficar na depre e nem vai tentar se matar né, meu coisito?! Até porque eu sempre vou lembrar de você com muito carinho e a gente pode continuar sendo amigos. E, olha só, você pode continuar a vir na minha casa sempre que quiser ta bem, meu coisito?!

E com essas palavras, ela terminou comigo.

Sem nada mais, ou ninguém mais, para me impedir fui logo falar com a prima dela. Claro que ela achou estranho, afinal eu era o recente ex da prima dela. Mas ela também estava interessada e marcamos para jantar. Eu fui bem cara de pau e já no primeiro encontro pedi ela em namoro. E não é que ela aceitou! Bem ligeira ela também, né?

Seis meses depois nos casamos e fomos morar na África do Sul e trabalhar numa Ong de auxílio à crianças africanas aidéticas. Isso já faz 13 anos. E, acreditem, somos muito felizes. Quanto a prima dela, ou minha ex-namorada, a úlitma vez que nós a vimos foi há 2 anos no enterro da mãe dela (nossa tia), que morreu durante uma cirurgia para colocar silicone. É isso mesmo! Vai entender né?

(:|:)

6 de maio de 2009 Posted by | Cotidiano, Romances | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário