JoAnInHaS falam no silêncioOoOo (:|:)

…e o que elas escrevem?!

.casualmente.

Estou aqui.

O céu é incrivelmente azul. As nuvens perfeitamente desuniformes.

Estou aqui.

(:|:)

31 de maio de 2011 Posted by | DiVaGaÇõEs | , , , | Deixe um comentário

.o.neto.do.rio.

_E, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro, o rio…

Neste último sussurro o homem velho e magro da vida disse adeus. Nem era pra ser antes, nem era pra ser depois. Seja quando fosse, ali estaria seu sobrinho a segurar forte sua mão. Fazia meses que o rapazote mal dormia, comia ou ia para algum outro lugar. Ficava ali rodeando a cama, como que velando o moribundo. No começo a mãe lhe falava:

_Vai-te cuida da vida menino. Deixa teu tio morrer em paz!

O menino sem nem mexer o pescoço respondia:

_Ele só vai em paz se eu fica aqui em paz com ele.

Depois de dias ela desistiu. Melhor assim, ao menos ela ia ficar sem peso de culpa na cabeça por não estar ela mesma, conforme obrigação, ao lado do leito de morte de seu próprio irmão. Mas, coitada. Nem que em si ela quisesse fazer tal coisa haveria de conseguir. Olhar para o irmão só a fazia lembrar do próprio pai. E assim como ele definhava em pele, osso e cabeleira, assim ela lembrava da ultima imagem do pai; parecendo um fantasma dentro de uma canoa a subir e descer rio. Lembrança triste. Lástima perdida. Do pai nunca mais soubera, mesmo que se quisesse saber não se tinha a quem perguntar.

O ultimo que o vira no ano anterior era o homem que morto estava no quarto do filho. E algo aconteceu, que ninguém soubera o que, naquele ultimo encontro na beira do rio; e algo de nada bom era, porque o irmão foi-se embora de perto do rio e chegou na casa da irmã como quem vê aparição. E trazia um assombro no olhar e uma tristeza no coração, como que quem se decepciona consigo de si mesmo; a irmã perguntava, mas o irmão só dizia:

_Sou covarde, sou covarde, sou culpa, não sou curva, não sou rio. Não seu teu pai, sou teu irmão.

Sem nem entender o que dizia, às vezes ela insistia pra saber o que se aconteceu; mas os meses se passaram e ele só respondia assim até que um dia nem nada dizia. Depois também desistiu de comer e dormir, pelo menos ninguém o via ir-se deitar e quando o dia clareava já ele estava de pé. A culpa que ele dizia, pois por dentro certamente o consumia e de vez e outra vez ele balbuciava alguma coisa sobre o rio.

Mas agora cá estava o pobre homem morria tendo o sobrinho como testemunha de que seu coração morreu por causa do rio; de vontade de estar no rio ou de culpa por não estar não se podia assim muito bem se querer saber, porque morto ele já estava; mas que morreu pensando no rio isso se pode ouvir.

O sobrinho se doeu pelo tio; ele sabia da historia do avô que mandara fazer uma canoa e entrara nela rio adentro pra nunca mais sair, sabia que o tio ficara lá morando a margem do rio meio que a tentar cuidar do próprio pai. Mas o que ele não sabia ficou a saber quando meses antes o tio aparecera com aquela cara de estarrecido para vir morrer perto de alguma família e ele passou a escutar, as raras ou poucas, palavras que o tio dizia. Para ele, às escondidas, o tio contava as historias do avô e as historias dele mesmo, que tanto se misturavam que o sobrinho já não sabia o que era por certo lenda ou verdade, o que era acontecido e o que era apenas vontade de ter sido. Mas nessas e outras conversas, que eram bem em lá de vez em quando, o rapazote soube o que não sabia; pois a mãe pouco falava do causo, a avó quando viva só falava da falta que sentia do filho, viúva já a tempo bem antes se dizia. Por conta disso quando ouviu do próprio tio as historias do velho rio e do lendário avô ele mesmo ficou a saber aquilo que antes não sabia, ele era o neto do rio.

Depois de disso descobrir entendeu o que tanto lhe faltava na vida, e que mesmo que tentasse saber não conseguia por si só entender, mas finalmente esclareceu-se a mente do menino e como a noite que vira dia ele se fez saber que era o rio que lhe faltava.

Passou os dias do luto do tio, ele já se tinha decidido por si só; abraçou forte a mãe por conta que o pai nem em casa estava, disso dele não fazia falta porque devia estar a beber em algum lugar, por isso foi só dela que se despediu-se e disse que ia pro rio, e ela sem entender pensou que ele havia inventado de ir pescar com algum amigo pra distrair a tristeza da falta do falecido tio.

_Nem nada você tem. Nem canoa pra ir no rio.

_Canoa tenho sim. Meu avô deixou pra mim, nem pergunte como sei porque também não sei, mas sei que ela ta lá me esperando eu chegar.

A mulher passou a se dar conta do que havia de acontecer; só falou sem nem lembrar de onde tinha ouvido, e assim fez a historia se repetir:

_Ocê vai, ocê fique, você não volte.

E o rapazote só retrucou:

__E, eu, rio abaixo, rio a fora, rio adentro — o rio…

Devagar como o noivo que vai encontrar feliz a noiva no altar do matrimonio ele foi indo pela estradinha, a mãe se colocou aos prantos e ainda que vagaroso ia o filho e podia ouvi-la muito bem ela ainda tentou uma ultima súplica, coisa que faz mãe devota ao lar:

_Ocê não é rio menino!

Nem longe, nem perto ele estava, mas bem pode ouvir a mãe e deu-se conta que bem podia responder, parou de mansinho olhou pra mulher inconformada, mas seu coração não se doeu, só sentiu a coragem de ir e a alegria de responder:

_Nao sou rio. Do rio só neto sou.

E foi.

(:|:)

22 de julho de 2010 Posted by | Família, Fantasia | , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.eu.gostaria.

Pai, Mãe e Edu,

eu gostaria que tudo fosse bem rápido. Nada com muito exagero, pompas ou nostalgias. Não quero decorações exageradas, nem aquelas  flores comuns nestas ocasiões.

Gostaria também que minha roupa fosse branca, do jeito que eu gosto e como tem que ser, um vestidinho bem leve com rendinhas, nada de muitos “frufrus”. No cabelo aquela borboletinha com pedrinhas brilhantes. Uma maquiagem bem suave. Não quero chamar atenção, mesmo sabendo que eu serei o centro das atenções.

Não quero aquele conglomerado de pessoas ao meu redor, que cada um tenha o seu lugar e permaneça lá. Eu gostaria que com certo pudor, tudo fosse bem organizado e premeditado, que seguisse um roteiro, que tivesse um protocolo.

Gostaria que cantassem uma música acompanhada de violino, sem muitas frescuras. Gostaria também que o ministrante fosse objetivo em suas palavras para não cansar os presentes e para que tudo termine o mais rápido possível.

Depois da cerimônia formal, gostaria que tudo seguisse normalmente conforme deve ser. O cortejo deve sair da igreja e se dirigir ao Jardim do Lago sem desviar a rota. Tudo sempre com muita discrição, nada de “exaltações”.

Gostaria que no Jardim do Lago, todos também ocupassem seu lugar e o mestre de cerimônia lesse o meu discurso que já está escrito e guardado no envelope azul na gaveta do escritório. Gostaria que ele lesse tudo até o fim e depois abrisse a oportunidade para algum parente ou amigo discursar, se alguém o quiser fazer, é claro. Tudo sempre sem escândalos.

Ao final gostaria que outra música fosse cantada ao som do violino enquanto meu caixão estiver sendo descido ao túmulo. Joguem flores se quiserem, mas gostaria que não houvesse nehum tipo de manifestação desesperada, nem lamúrias e soluços desconsolados.

Gostaria que em minha lápide estivesse o seguinte epitáfio: “Viveu, e como a todos sucede, morreu.” Nada de dizeres que causem comoção. Se palavras em vida não tiveram efeito para me curar, muito menos em morte me fariam voltar a viver. 

E por fim, gostaria de ser lembrada com serenidade, e que este rosto jovem que comigo irá para a sepultura, é que permaneça para sempre guardado na memória dos que ficarem e que alcançarem a desejada e temida velhice. Ah! Quem me dera conhecê-la!

Não são regras, leis, nem ordens. São apenas meus últimos desejos para minha cerimônia fúnebre. Não são obrigações, apenas coisas simples de que eu gostaria que acontecessem naquele dia que será triste para todos nós: o dia do ‘adeus’.

Ternamente,

Zuzi.

(:|:)

28 de setembro de 2009 Posted by | Cotidiano, Família, Realidade | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.virou.salada.

Era uma vez uma cebola redonda e feliz.

Mas ela fazia as pessoas chorarem. Isso não era bom.

Então, um dia, fizeram picadinho dela.

Virou salada.

(:|:)

23 de agosto de 2009 Posted by | Assassinatos, Realidade | , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.antes.de.terminar.o.dia.

Raul ainda estava deitado, de qualquer jeito naquela cama espasoça. Linna estava no banheiro secando o cabelo. Raul se virou para o outro lado, mas o “vummm” do secador acabou com a esperança do “só mais 1 minutinho”. Então ele voltou seu corpo para a porta do banheiro que estava aberta, e ficou ali esparramado a observar sua linda Linna. O cabela dela nunca estivera tão comprimido. Os longos e lisos fios pretos constratavam muito com a pele branca dela. E foi isso que chamou atenção dele 7 anos antes, quando ele esperava  a namorada na escada do prédio e Linna desceu com os cabelos soltos recém lavados cheirando a pessego. Foi o suficiente e ele se apaixonou.

Tudo nela o encantava. Raul não conseguia se irritar com ela. Ela era tão doce, tão meiga, tão frágil ao seus olhos. Tudo o que ele queria era protege-la, guarda-la, cuida-la. Linna desligou o secador e começou a fazer uma maquiagem rápida e improvisada. Raul se deliciava com cada movimento dela. As mãos trêmulas tentando passar o lápis no olho, depois mais frenéticas com o blush nas bochechas, e firmes ao passar o batom nos lábios. E pronto! Não precisava demais nada. Ela já era linda demais pra ele.

Uma olhadinha a mais no espelho. Mas algo fez Linna exitar. Raul esticou o pescoço e viu o que ela fazia. Com movimentos leves e circulares Linna acariciava a barriga, enquanto admirava seu reflexo no espelho imaginando quando o barriga começaria a crescer. Raul sorriu, e também divagou nesse pensamento. Imaginoi sua linda Linna ainda mais linda com os cabelos soltos e um barrigão presunçoso. Era só o que faltava para o perfeito se tornar o para sempre perfeito.

Foi então que ele lembrou que precisava se apressar. Num movimento saltou da cama e Linna voltou em si.

_Ande para o banho! Não vamos nos atrasar hoje, não é? 

Raul se aproximou segurando os ombros de Linna.

_Hoje não meu bem. Porque hoje tudo tem que ser pefeito.

Linna deu um risinho suave e suspirou pensativa.

_ O que foi?

_ Estou com medo, Raul… É a terceira vez…

_ Hei. Psiu. Pára com isso. Vai dar tudo certo.

_ Eu só tenho medo de me frustrar de novo.

Raul segurou o firme o rosto de Linna com as duas mãos.

_ Não pense nisso. Vai ver ser diferente dessa vez. Eu prometo, tá?

Linna balançou a cabeça positivamente. Raul tocou seus lábios nos dela mansinho e sorriu.

_ Eu te amo.

_ Eu te amo mais, minha linda Linna.

***

Quando ela pegou o envelope, ele parecia mais pesado que qualquer outra coisa no mundo. Apertou contra o peito e suspirou forte. Raul abraçou ela pela cintura e eles sairam da sala em direção ao elevador. Caminharam em silêncio. Haviam muitas palavras soltas no ar, mas nenhum deles queria verbali-las. Era melhor assim. Melhor deixar as palavras para depois. Caso tudo desse errado novamente.

O elevedor chegou no térreo e eles caminharam para saída do prédio. Quem dera que tivessem ficado mais um pouco. Se Linna ficasse com secador ligado só mais um pouquinho, Raul ficaria a observá-la só mais um pouquinho. Então ele se atrasaria um pouquinho no banho, chegariam um pouquinho atrasados no laboratório e não seriam os primeiros a serem atendidos. Então quando saíssem o elevador estaria lotado e não vazio como estava e teriam que esperar só mais um pouquinho. Quando chegassem lá em baixo o pior já teria passado. E então eles não teriam só mais um pouquinho de tempo juntos, mas teriam ainda a vida inteira.

***

O rapazote tinha acabado de assaltar um ônibus e fugia de dois policiais. Um deles atirou e a bala passou de raspão em sua coxa direita. Foi aí que ele ficou furioso e antes de dobrar a esquina virou-se para dar o troco. Atirou no policial. Acertou a linda Linna que saia do edíficio com Raul. A bala foi direto no peito. E ela não imterrompia somente a respiração de Linna que ainda segurava o envolepe,agora ensanguentado, bem apertado ao peito. Mas imterrompia a vida inteira que Raul imaginava que passaria com Linna. Tudo o que eles tinham agora, era um ao outro, um envolope fechado e sujo de sangue, e um tempo juntos, só mais um pouquinho dele.

_ Não pensei que terminaria… assim.

_ Quietinha Linna. Não fala. Você tem que se poupar. A ambulância está chegando. Rapidinho. Seja forte.

_ Raul, como eu te amo… Como eu fui amada por você.

_ Não, Linna… não.

_ Sim… Ai…

_ Quietinha, aqui, no meu colo, assim.

_ Não pensei que terminaria assim.

_ Não vai terminar, amor. Não agora, não assim.

_ Ainda bem que vesti minha roupa preferida.

_ Linna…

_ Ainda bem que você está aqui.

_ Minha linda Linna.

_ Não estou com medo. Raul…

_ Quietinha Linna, por favor.

_Raul… eu não estou com medo de morrer…

_ Não fala isso, Linna. Você vai viver. Eu e você, juntos.

_ …Por isso você não pode ficar com medo de viver.

_ Sim, vamos viver.

_ Viver sem mim.

_ Não, Linna. Não!

_ …

_ Linna? Linna?

_ Abre. Quero saber…

_Não se preocupe agora…

_Raul! Por favor… abre.

Raul pegou o envelopde desajeitadamente, e enquanto segurava Linna nos braços abria o envolope todo manchado. Abriu o viu o resultado. O exame estava bem ali diante dele. Mas nada disso importava mais. Linna estava morrendo em seus braço e ele também estava morrendo dentro de si. Olhou para ela. As lágrimas corriam livremente de seu rosto. Linna também chorava. Agora ela estava mais branca do que nunca. Os cabelos pretos brilhando à luz do sol. Seu rosto pálido estava lindo. A linda Linna mais parecia um anjo agora. Não fosse o sangue manchando sua blusa branca preferida, ele diria que ela era somente uma boneca de porcelana em seu braços.

Ela arregolou os olhos ansiosa. Raul sorriu tristemente e para Linna.

_ Raul…

_ Sim. É sim, meu amor…

_Ah!

_ Parabéns, mamãe!

Linna chorou de alegria. Raul chorava de tristeza. Era tudo o que ela queria ouvir, o que ela precisava ouvir, o que a consolaria naquela hora. Ele a abraçou forte, apertado. Ela ficou mole, o corpo sem vida. Ele a trouxe ainda mais para perto de seu corpo. Soluçava igual a uma criança. A terça-feira ensolarada ficou sem graça e sem vida para Raul. Duas coisas terríveis e inconcebíveis aconteçaram com ele naquela manhã: Linna morrera e, pela primeira e última vez, Raul mentira para ela.

(:|:)

21 de agosto de 2009 Posted by | Assassinatos, Família, Realidade, Romances | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.confissões.

Bip!

_Hei, estou aqui.

Bip!

_Por que demorou?

Bip!

_Esse trânsito terrível…

Bip!

Mas estou aqui agora

Bip!

Isto é o mais importante.

Bip!

_Sim. Sim…é sim.

Bip!

Agora eu já posso ir…

Bip!

_Ir aonde hein?!

Bip!

_Ir em paz… morrer em paz.

Bip!

_Pára com isso bobinho.

Bip!

Você não vai morrer ainda não.

Bip!

_Mas antes… você…

Bip!

…Você precisa saber.

Bip!

_Pai, do que você tá falando?

Bip!

_Dói muito aqui na alma…

Bip!

_É melhor dormir um pouco agora.

Bip!

_Mas eu me arrependo tanto… tanto…

Bip!

_Do que está falando, pai?

Bip!

_Está na hora… não posso mais.

Bip!

Já não posso mais…

Bip!

…Suportar isso tudo.

Bip!

_Sss. É melhor ficar calado.

Bip!

_Não! Não posso mais.

Bip!

A verdade tem que…

Bip!

…Tem que ser dita.

Bip!

_Ssss. Por favor, papai…

Bip!

…descanse agora, sim?!

Bip!

_Não! Não há tempo. Não há.

Bip!

Tenho que falar agora.

Bip!

_Pai, por favor, se acalme.

Bip!

Descanse está bem?

Bip!

_Não! Já chegou minha hora.

Bip!

_Pare com isso, pai. Descanse agora.

Bip!

_Filha, ah! Filha minha!

Bip!

Perdão, minha filhinha!

Bip!

_Pai, não tem nada disso não.

Bip!

Não há nada pra perdoar, viu?

Bip!

Tá tudo bem, eu te amo, pai.

Bip!

_Não, filha! Não! A verdade…

Bip!

… A verdade, filha. Perdão, perdão…

Bip!

_Sim, eu perdoô o que for,pai.

Bip!

Agora se acalme, por favor!

Bip!

O senhor está alterado. Descanse.

Bip!

_Fui eu, filha… fui eu…

Bip!

_Pai, por favor! Relaxe!

Bip!

_…Eu…

Bip!

_Pai?

Bip!

_Eu…

Bip!

…matei…

Bip!

_Pai?

Bip!

_ …Sua…

Bip!

_Que?

Bip!

_…Mãe!

Bip!

_Que?!

Bip!

Bip!

Bip!

_Pai?

Bip! 

Bip!

Bip!

Bip!

Bip!

Bip!

Bip!

Bip!

Biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiip!

(:|:)

20 de agosto de 2009 Posted by | Cotidiano, Família | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.amanhã.de.manhã.

Amanhã de manhã quando eu acordar, meu corpo não será tão ligeiro, tão formoso, tão firme. Minha pele estará enrugada, minhas mãos trêmulas, meus movimentos vagorosos.

Amanhã de manhã quando eu acordar, minha voz não será tão macia, meus ouvidos não tão eficientes, e meus olhos escurecidos. Meu cabelo estará ralo e esbranquiçado, meus pés cansados, minhas memórias confusas.

Amanhã de manhã quando eu acordar, meus dentes não serão tão fortes, meus ossos estarão mais fracos e minha respiração mais ofegante. Voltarei a depender de cuidados, atenção e dedicação. Amanhã serei novamente tão frágil como fui ontem.

Amanhã de manhã quando eu acordar, saberei o resultado de minhas escolhas, chorarei as perdas, celebrarei as conquistas. Muitos dos meus estarão como eu, outros já terão ido, outros não se lembrarão de mim.

Amanhã de manhã quando eu acordar, saberei o nome daquele para quem eu direi “sim”, saberia o nome dos nossos filhos, e dos filhos dos filhos dos filhos dos nossos filhos. Eles não estarão mais nos meus planos simplesmente, mas já terão meu nome, meu sangue, meu amor. Então eles sentarão para ouvir minhas histórias e saberão que fazem parte delas.

Amanhã de manhã quando eu acordar, a última moda não fará diferença, o carro do ano também não, e a conta bancária talvez já esteja encerrada. Meus pertences não me pertencerão mais, minha herença terá sido partilhada, e ainda estarei distribuindo as últimas coisas que estarão na gaveta.

Amanhã de manhã quando eu acordar, meus pais já terão partido há muito tempo, talvez até meus irmãos. A saudade será insuportável mas a longa espera para vê-los novamente estará se findando. Então darei uma boa risada.

Amanhã de manhã quando eu acordar, saberei se as quatro árvores  que plantei no quintal terão crescido e florescido. Saberei como as futuras gerações terão lidado com o aquecimento global, a fome, a violência e o lixo, e saberei se a água ainda é um recurso natural disponível.

Amanhã de manhã quando eu acordar, vou descobrir o que aconteceu com meus sonhos, projetos, músicas e poemas. Terei fotos dos lugares que visitei, das casas que morei e das flores que colhi. Saberei quão longe foram minhas aventuras. Muitas de minhas perguntas terão encontrado suas respostas, e muitas outras terão se perdido sem saber.

Amanhã de manhã quando eu acordar, não serei mais tão jovem. Estarei nos tenros dias de minha velhice. E minha vida terá sido tão rápida como o sussurro da noite que separa o hoje do amanhã. Não haverá como voltar atrás nem como viver novamente. Pois o dia já terá amanhecido.

Amanhã de manhã quando eu acordar, poderei olhar pra trás e ver que aproveitei cada dia de minha vida e que faria tudo do mesmo jeito. Meu coração se encherá de júbilo e meus lábios de gratidão. Chorarei o fim de minha vida terrena, mas saberei que ela terá valido a pena. E terá sido um bom fruto dAquele penoso trabalho.

Então, depois de amanhã quando o dia amanhecer, levarão flores no meu túmulo e chorarão mais uma vez. Porque eles ainda estarão aqui. Eu, contudo, estarei naquele lugar onde todas as lágrimas serão enchugadas.

(:|:)

 

15 de julho de 2009 Posted by | Família, Realidade, Romances | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.zzzzzzz.

Ele era um mosquitinho feliz.

Mas sua vida terminou quando um jornal veio de encontro ao seu nariz.

Nunca mais sorriu. E seu assassinato não foi noticiado nos jornais.

(:|:)

20 de maio de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.mata.o.rato.cristina.!.

_Olhe Cristina! Olhe bem ali debaixo… O que é aquilo?

_Não sei… Um rato?!

_AAAAAAAAAAAA!!!

_Sai de cima dessa cadeira, Paulina! Deixa de ser escandalosa!

_AAAAAAA!!! Um rato! Um rato! Mata ele Cristina! Mata ele!

_Ai solta meu braço! Eu não! Não vou matar o rato! Tá louca? Eu também tenho medo!

_Mas eu não tenho medo. Eu tenho pavor!!! AAAAAAA!!!! Ele se mexeu!!! Mata ele, pelo amor da minha vida, Cristina! Mata o rato!

_Pára de chorar Paulina! Não exagera! Credo! Deixa ele lá e pára de gritar, desse jeito você assuta ele. Desse da cadeira, tá parecendo uma maluca.

_Eu não saio daqui enquanto você não mata aquele rato! Cristina, ele vai atacar a gente! Por favor, mata o rato, Cristina! Mata o rato!

_Ai, Paulina!!! Me larga! Que droga! Você é muito sem noção hein? Eu não vou matar rato nehum! Se você quiser mata você, oras! Ou então fica aí nessa cadeira pra sempre. Eu tenho mais o que fazer!

_Cristina onde você vai? Volta aqui! Não me deixa aqui sozinha com esse rato!!! AAAAAAAAAAA!!! Ele se mexeu de novo!!! Cristina!!! Cristina!!! Volta aqui e mata o rato!!! Por favor, mata o rato… AAAAAAAAA!!! Cristina!!!

(:|:)

17 de maio de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , | Deixe um comentário

.vestido.verde.

_Mãe, eu quero este aqui tá?

_Esse com o babadinho na gola?

_Aham! Mas ó… tá vendo? Quero nesse tom de verde tá?

_Tá bem. Pode deixar, Pietra. Eu já entendi minha filha.

_Ai mãezinha! Obrigada!

Pietra saiu pela porta do quartinho de costura da mãe, com um sorriso cortando o rosto. Que orgulho ela dava a sua mãe. Aquele era o ano da “Grande Crise Mundial”, e com muito esforço, em 12 dias, Pietra se formaria. Ela seria veterinária. Com certeza aquele seria o vestido mais bonito que dona Garibaldi faria em toda sua vida. Portanto Pietra precisava de um sapato digno de tal modelito. A tarde seria longa andando pelas ruas para encontrar o tal sapato, mas ela persisitia toda vez que lembrava que sua mãe estava em casa se empenhando em seu vestido.

***

_Alô?

_Garibaldi Rolandini, por favor?

_É ela mesma.

_A senhora conhece Pietra Rolandini Vidal?

_Sim. é minha filha.

_Eu sou Vitória Dorácio, enfermeira chefe do Hospital Regional Alcântara Vila Grande.

_Ai…o que aconteceu?

_Peço que a senhora fique calma. Sua filha foi atropelada e encaminhada para nosso pronto socorro. Então se a senhora puder venha imediatamente.

_Mas como ela está? Ela está bem não é?

_A situação dela é estável. Mas é melhor a senhora vir e pessoalmente vou explicar melhor tudo o que aconteceu.

_Está bem, está bem. Já estou indo para aí. 

Quando dona Garibaldi chegou no Hospital e conversou pessoalmente com a enfermeira Vitória, entedeu que “estável” foi uma forma suave para dizer que sua filha estava em coma e estava na UTI. O caso era muito grave. Pietra sofrera traumatismo crâniano, juntamente com uma lesão na cabeça que causou um corte da testa, até a nuca pelo lado direito da cabeça. Mesmo se saísse do coma, nunca mais poderia andar. Sua coluna quebrara em 7 lugares diferentes, um caso irreversível. Sem contar que as duas pernas estavam fraturadas, e o pé esquerdo foi dilacerado de tal forma, que seria necessário amputá-lo imediatamente.

Agora a história não era mais de uma moça feliz prestes a realizar um sonho, mas sim, de uma mãe angustiada prestes a perder a filha, a única filha. Tudo o que ela tinha. Sua única família. Garibaldi repassou os últimos instantes daquela tarde em que esteve com sua filha. Pietra toda sorrisos escolhendo seu vestido de formatura. O que fazer agora? O que esperar disso tudo? Sentada na sala de espera, Garibaldi chorou em silêncio.

***

Quatro anos se passara desde a “Grande Crise Mundial”, mas  o vestido verde cobreado com o babadinho na gola ainda estava perfeito. Clarice olhou e de cara gostou dele. Entrou na lojinha da esquina. Era pequena e meio escura. Passava um ar triste, mas o vestido na vitrine era perfeito. O que ela vinha procurando há semanas.

_Oi. Eu queria provar o vestido da vitrine.

_Ah, sinto muito aquele não está a venda. É só uma amostra para enfeitar a vitrine.

_Ah! Que pena. Eu gostei tanto dele. Será que não tem jeito da senhora vender ele pra mim?

_Ele é da minha filha. Ela vai ser veterinária. Daqui há 12 dias.

_Poxa que pena pra mim e que ótimo pra ela. É um vestido belíssimo.

_Não foi fácil pra ela sabe? Conseguir se formar no ano da Grande Crise Mundial a faz digna do melhor vestido que eu poderia fazer.

_É, pode ser, mas… não estamos no ano da Grande Crise Mundial. Isso foi há 4 anos, minha senhora.

_Não! Eu digo que não! Estamos no ano da Grande Crise Mundial, sim! Minha filha foi comprar um sapato lindo para usar com aquele vestido, porque daqui há 12 dias ela será uma veterinária!!!

_A senhora deve estar louca!

_Saia daqui! Você não entende nada de crises globais! Não entende nada de sapatos, vestidos, formaturas e filhos! Você não sabe de nada!!! Sua insolente!!! Saia daqui!!!

_Sua maluca!

Clarice saiu da loja apressada e assutada. Só queria comprar um vestido afinal. Não conseguia entender a atitude daquela mulher, e depois de passado o nervosismo e a raiva só pode sentir pena da pobre coitada.

***

O vestido verde continuou na vitrine por muito tempo. Sempre à mostra para alguém querer comprá-lo sem conseguir, é claro. Pois dona Garibaldi, mesmo depois de 26 anos da morte de Pietra, explicava que o vestido era de sua filha que iria se formar dali há 12 dias.

(:|:)

16 de maio de 2009 Posted by | Família, Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.overdose.

Injetou direto na veia. Nada mais que alguns segundos. E o último suspiro foi somente consequência.

Morreu cedo demais. Jovem demais. Inconsequente demais!

(:|:)

10 de maio de 2009 Posted by | Geral | , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.vai.entender.né.?.

Como todo fim de semana, catei minhas coisas, e fui pra casa da minha namorada. Ela era linda, uma verdadeira patricinha cor-de-rosa engajada nas futilidades da moda. Eu era profundamente e cegamente apaixonado por ela. Mas só até aquele fim de semana.

A prima dela, recém formada em medicina, tinha vindo passar o fim de semana com ela para ajudar a cuidar da minha futura sogra, que ainda se recuperava de uma cirurgia de redução de seios. Essa prima da minha namorada era misteriosa. Tinha uma beleza séria e totalmente cativante. Era inteligente, prática, decidida. Tipo assim… ela tinha conteúdo! E que conteúdo! Aquilo assim que era mulher!

Felizmente, no mesmo fim de semana, minha namorada me procurou para terminar o namoro.

_Ai, meu coisito, eu preciso de um homem mais… mais… mais loiro ao meu lado. Nessa temporada os loiros estão em alta… Mas você não vai ficar na depre e nem vai tentar se matar né, meu coisito?! Até porque eu sempre vou lembrar de você com muito carinho e a gente pode continuar sendo amigos. E, olha só, você pode continuar a vir na minha casa sempre que quiser ta bem, meu coisito?!

E com essas palavras, ela terminou comigo.

Sem nada mais, ou ninguém mais, para me impedir fui logo falar com a prima dela. Claro que ela achou estranho, afinal eu era o recente ex da prima dela. Mas ela também estava interessada e marcamos para jantar. Eu fui bem cara de pau e já no primeiro encontro pedi ela em namoro. E não é que ela aceitou! Bem ligeira ela também, né?

Seis meses depois nos casamos e fomos morar na África do Sul e trabalhar numa Ong de auxílio à crianças africanas aidéticas. Isso já faz 13 anos. E, acreditem, somos muito felizes. Quanto a prima dela, ou minha ex-namorada, a úlitma vez que nós a vimos foi há 2 anos no enterro da mãe dela (nossa tia), que morreu durante uma cirurgia para colocar silicone. É isso mesmo! Vai entender né?

(:|:)

6 de maio de 2009 Posted by | Cotidiano, Romances | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.novela.mexicana.

_Você só precisa assinar aqui, meu bem. Então estaremos casados.

Rogéria olhou para Mauro com desprezo. Ela não tinha muitas opções. Seu pai agregara uma dívida muito grande com aquele homem e somente se casando com ele essa dívida seria perdoada. Depois voltou seus olhos para seu pai  que a fitava apreensivo de pé há alguns metros atrás de Mauro.

 _ Não tenho que pagar pelos erros dos outros. E não vou.

Rogéria se levantou encarou Mauro, depois voltando-se para seu pai disse:

_Sinto muito, papai.

E saiu da sala sem atender os clamores de seu pai:

_Rogéria! Por favor minha filha! Não faça isso! Volta aqui…Rogéria!!!

Rogéria andou sem rumo pelas ruas da cidade. Chorava copiosamente. Não queria que seu pai perdesse tudo, mas não podia pagar tão caro por algo que nao fizera. Era sua vida, seus sentimentos, seu coração. Ficou horas andando e tentanto encontrar uma solução para aquele problema. Fazia 8 meses que estava sendo pressionada para casar com Mauro. Esse pensamento a fazia sentir torpor.

Já estava quase anoitecendo quando chegou em casa. Não sabia como ficaria o relacionamento entre ela e seu pai, depois de tudo que acontecera naquela tarde. Chamou por ele. Ninguém respondeu. Subiu as escadas e bateu suavamente na porta do quarto de seu Demétrio. Também nenhuma resposta. Rogéria abriu a porta vagarosamente e tudo pareceu girar quando viu seu pai morto enforcado com um lençol.

(:|:)

5 de maio de 2009 Posted by | Assassinatos | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.psicose.paranóica.induzida.

PARTE III

Os pesadelos eram cada  vez mais constantes. Dormir agora era algo sofrível. Com medo dos sonhos estranhos que tinha toda noite a jovem fazia o possível para dormir o mínimo necessário. Isso a deixava fraca. Dormia mal e quase não tinha força para aguentar a correria dos dias intensos de trabalho. Contudo, parecia não haver outra saída.

Portanto, passou as poucas horas que ainda tinha para descansar acordada. Leu um pouco, assitiu Tv, comeu alguma coisa e voltou para a janela onde ficou a observar o dia que começava a clarear. Que alívio! Foi tomar um banho bem gelado, para despertar e ficar ativa durante o dia. Vestiu seu uniforme cinza, comeu nada mais que uma maçã e foi trabalhar.

Ainda era cedo. Seis horas da manhã. Seu expediente começa às oito horas. Caminhou pela calçada. As ruas ainda estvam vazias e a cidade começava a despertar. Entrou numa padaria há dois quarteiroes do seu apartamento:

_Levantou cedo hoje, querida?

Perguntou uma garçonete já de certa idade que vinha para atende-la toda sorridente:

_É, pois é!

O rosto daquela senhora não lhe era estranho. Mas ela não conseguia lembrar de onde a conhecia.  A senhora a tratou de forma tão familiar, mas ela nunca a tinha visto antes. Nem na padaria nem em nenhum outro lugar. A jovem exitou, mas por fim perguntou:

_Desculpe, mas… já nos conhecemos?

A senhora que servia café para ela disse sorrindo:

_Com certeza não, querida. Claro que não.

A jovem franziu a testa e forçou um sorriso também. Olhou para a xícara com café e disse:

_Hei! Eu não pedi café…

A garçonete voltou-se para ela e replicou cordialmente:

_Mas é o que você quer tomar essa manhã, não é meu bem?

E era. A jovem estranhou aquilo tudo. Aquele jeito gentil da senhora garçonete a irritou. Tudo parecia um de seus sonhos esquisitos.

“Mas estou acordada!” Foi o que pensou ao deixar o dinheiro no balcão e sair da padaria sem nem olhar para trás. As ruas começavam a ganhar vida. E a sintonia de carros e pedestres começava a ganhar ritmo. Atravessou a rua e caminhou até a praça bem no centro da cidade. Ainda tinha tempo para caminhar pouco por ali. Foi o que fez. Seguiu por uma ruazinha de baixo de árvores gigantescas. Parou diante do lago e sentou em um dos bancos de madeira. Tentou ler, mas não conseguia se concentrar. Suas pálpabras começaram a pesar.

De repente um gatinho branco surgiu as seus pés. Se esfregava entre suas pernas pedindo um carinho:

_Oi gatinho lindo!

Ela afagou a cabeça do gatinho que parecia sorrir para ela. Ele deu mais uma volta entre suas pernas e parou diante dela. Ficou a fitá-la. Ela estranhou o  jeito do gato. Tentou chamá-lo para si:

_Pssiu, vem aqui gatinho… Vem…

Foi quando um raio de sol fez algo no pescoço do gato brilhar. A jovem percebeu que ele usava uma coleira e se inclinou para ver o que estava escrito no pingente:

_’Diga adeus’?

Ela franziu a testa com estranheza olhando para o gato. Mas não teve tempo de fazer mais nada  e o gato já havia saltado em sua direção e lhe mordia o pescoço.

Ela sentia os dentes afiados do gato penetrar em seu pescoço. Tentou arrancá-lo fora deseperadamente. Quanto mais gritava, mais sentia uma dor terrivel. Sentiu o sangue escorrendo em seu pescoço e desmaiou.

_Hei moça, você está bem?

Quando a jovem abriu os olhos um menino a observava com os olhos arregalados. Ela rapidamente levou as mãos ao pescoço, mas tudo parecia normal.

_Você cochilou aqui e teve um sonho ruim, foi?

 Indagou o menino curioso e ainda assustado. Ela olhou para ele   constrangida e respondeu:

_É… foi.

De longe alguém chamou pelo menino e ele se foi.

A jovem levantou-se meio perdida. Ainda coma mão no pescoço respirou fundo. Juntou suas coisas  e se foi. Andou apressadamente da praça até a rua, e depois em direção ao escritório onde trabalhava. Sentia seu corpo lento e sua mente  cansada. Mas precisava manter-se bem acordada se quizesse ter um dia tranquilo e sem pesadelos para a incomodar.

A imagem da garçonete sorrindo e do gatinho branco a olhá-la, foram as últimas coisas em que pensou antes de entrar no elevador.

(:|:)

27 de abril de 2009 Posted by | Assassinatos, Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.feliz.ano.novo.

Era véspera de ano novo.  A cidade estava desértica, as ruas vazias. Um verdadeiro tédio. Todos, ou a grande maioria da qual eu não fazia parte, estava na praia. Era por volta das 10 e 15 da manhã e lá ia eu comprar algumas coisas no mercadinho da rua de atrás. Não gostava de comprar lá. Não tinha muitas variedades. Mas era o único lugar que estava aberto e onde eu poderia arranjar algumas coisas para o jantar do revellion. Então, lá fui eu.

Atravessei a rua e entrei pela porta ranjenta do mercadinho. Estava vazio. Ao menos parecia estar. Só havia um caixa à direita, mas também não havia ninguém nele. “Devem estar no depósito”, pensei comigo. Peguei uma cestinha e fui para a segunda prateleira à esquerda. Tudo era meio apertadinho e eu me sentia sufocada. Peguei logo o que precisava ali e fui para outra prateleira. Não tinha o que eu queria e fui para outra. Mais alguns enlatados ali… e… hum… “Que cheiro horrivel!” Falei num cochicho. Meu estômago embrulhou de um jeito que fui rapidamente para a última prateleira. O cheiro era tão ruim que nem conseguia me concentrar direito no que precisava pegar. Coloquei tudo de uma vez na cestinha e fui para o caixa.

Lá o cheiro era ainda mais forte e nauseante. Parecia algo podre. E… o pior! Ninguém vinha me atender. Das duas uma: ou estavam tentando limpar a sujeira que causava aquele odor insuportável, ou estavam no banheiro vomitando por causa dele. Só que não dava mais para suportar. Chamei alto, quase num grito:

_Hei! Tem alguém aí?

Me debrucei um pouco no balcão para espiar pela portinha do depósito que estava entreaberta. Foi quando o que vi no chão, atrás do balcão, me deixou completamente horrorizada.

Um senhor, já de certa idade, estava estirado de bruços no chão em uma possa de sangue. Sua cabeça estava esmiuçada, com buracos no crânio. E pelo que parecia, estava ali há alguns dias. Quase vomitei! Fiquei atônita! Por um momento meu estado de choque foi tão grande que não soube o que fazer ou para onde ir. Corri para fora da loja. Precisava respirar um ar saudável. Meu sistema nervoso ficou tão alterado que lágrimas corriam pelo meu rosto e eu respirava ofegantemente.  Fique descontrolada e trêmula. Tentei me acalmar. Respirei fundo. Fui ao orelhão bem na frente do mercado e liguei para a polícia.

Em 18 minutos uma viatura estacionou em frente ao mercadinho. Dois policiais desceram da viatura. Um entrou direto na loja e o outro veio em minha direção, no banco de madeira onde eu estava tensamente sentada.

_Você quem fez a ligação?

Balancei a cabeça afirmativamente.

_Fique calma certo? Vamos averiguar o que houve aqui. Precisaremos do seu depoimento.

Balancei a cabeça consentindo outra vez.  O outro policial voltou e indo ao direção do carro disse :

_Vou chamar reforços. A coisa foi mais feia do que pensamos.

 Nisso alguns poucos curiosos começaram a aparecer. O policial foi em direção deles para impedir que se aproximam-se, e tentando explicar o que havia acontecido. os afastava educadamente.

Eu estava em estado de choque. Totalmente entorpecida, a imagem do  homem morto com os miolos expostos no chão, fez minha cabeça girar e meu estômogo estremecer. Senti um calafrio e desmaiei.

(:|:)

24 de abril de 2009 Posted by | Assassinatos | , , , , , , , , | Deixe um comentário

.o.menino.que.chorava.

Certa feita , em um lugar qualquer, existia um menino muito lindinho. Tinha olhos pretos como jabuticaba, que brilhavam como vidro. Ele era muito querido. Todos gostavam dele. Ele tinha uma sensibilidade muito grande para tratar as pessoas, e perceber nas coisas simples da vida a grandeza de viver. Ele sorria de tudo e para todos. Se emocionava com as pessoas, a natureza e consigo mesmo.

Ele chorava de alegria, ou quando algo o deixava triste. Ele sempre chorava; facilmente chorava. Talvez, por isso, seus olhinhos estavam sempre brilhantes. Pois ele via uma beleza na vida que o  emocionava tanto tal ponto que o fazia chorar. Ninguém conseguia explicar as lágrimas do menino; nem ele mesmo. Tamanha era sua sensibilidade que ele simplesmente chorava.

Um dia, depois de uma torrencial chuva de verão o sol voltou a brilhar. Ao ver dois arco-íris se formando no céu com cores vibrantes e brilhantes o menino chorou. Chorou muito. Sentia-se tão tocado por aquela linda imagem da natureza e tão grato por ter olhinhos para ver e registrar para sempre aquela imagem em sua memória e em seu coraçãozinho, que chorou ainda mais.

Tanto chorou, que naquele dia de verão, o menino que chorava, morreu afogado em suas próprias lágrimas. Encontraram-no ainda com os olhinhos abertos, que mesmo sem vida, ainda brilhavam. Naquele dia todos choraram.

(:|:)

12 de abril de 2009 Posted by | Geral | , , , , | Deixe um comentário

.psicose.paranóica.induzida.

PARTE I

A noite estava fria e úmida. O canto incansável de uma cigarra parecia ser o único barulho nas proximidades. Nenhum carro nas ruas. Nenhum transeunte pelas calçadas. Nenhum cão entremeado entre latas de lixo. Tudo parecia mórbidamente solitário e monótono.

Ninguém percebeu que a bela jovem, deslubrante em seu vestido azul petróleo, subiu no terraço do prédio de 43 andares que morava seu padrinho. Sentada no alambrado ela balançava os pés descalços para o lado de fora. O silêncio da grande metropole ainda não era maior que o silêncio e a solidão do seu coração.

_SALVE-MEEE!

Bradou ela e rompeu em prantos. Tapou o rosto com as duas mãos como que querendo esconder-se de alguém, mas ela estava só ali. Chorou alto e abafado ao mesmo tempo. E por muito tempo, chorou.

Depois do desespero, não se deu ao trabalho de enxugar suas lágrimas, e ficou de pé bem na beirada da quina do alambrado. O dia já começava a nascer. Susurrou um poema. O mesmo que fizera no dia em que sua mãe morreu e que sua irmã mais velha fizera questão que ela recitasse no velório :

_O tempo não traz nenhuma certeza… A vida não garante o amanhã. ..Mas o amor vai além do tempo, …e é ainda mais perfeito além dessa vida.

E emendou com uma última frase:

_E isso é tudo!

Suspirou profundamente, fechou os olhos, abriu os braços, e com um sorriso nos lábios se atirou lá de cima.

Seu corpo chegou ao chão com um som seco, sem eco, sem vida. Mas ninguém percebeu isso também. Talvez o único espectador tenha sido a cigarra, pois seu canto incansável tornou-se ainda mais lamuriante ao amanhecer.

(:|:)

30 de março de 2009 Posted by | Assassinatos, Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , | 1 Comentário