JoAnInHaS falam no silêncioOoOo (:|:)

…e o que elas escrevem?!

.antes.de.terminar.o.dia.

Raul ainda estava deitado, de qualquer jeito naquela cama espasoça. Linna estava no banheiro secando o cabelo. Raul se virou para o outro lado, mas o “vummm” do secador acabou com a esperança do “só mais 1 minutinho”. Então ele voltou seu corpo para a porta do banheiro que estava aberta, e ficou ali esparramado a observar sua linda Linna. O cabela dela nunca estivera tão comprimido. Os longos e lisos fios pretos constratavam muito com a pele branca dela. E foi isso que chamou atenção dele 7 anos antes, quando ele esperava  a namorada na escada do prédio e Linna desceu com os cabelos soltos recém lavados cheirando a pessego. Foi o suficiente e ele se apaixonou.

Tudo nela o encantava. Raul não conseguia se irritar com ela. Ela era tão doce, tão meiga, tão frágil ao seus olhos. Tudo o que ele queria era protege-la, guarda-la, cuida-la. Linna desligou o secador e começou a fazer uma maquiagem rápida e improvisada. Raul se deliciava com cada movimento dela. As mãos trêmulas tentando passar o lápis no olho, depois mais frenéticas com o blush nas bochechas, e firmes ao passar o batom nos lábios. E pronto! Não precisava demais nada. Ela já era linda demais pra ele.

Uma olhadinha a mais no espelho. Mas algo fez Linna exitar. Raul esticou o pescoço e viu o que ela fazia. Com movimentos leves e circulares Linna acariciava a barriga, enquanto admirava seu reflexo no espelho imaginando quando o barriga começaria a crescer. Raul sorriu, e também divagou nesse pensamento. Imaginoi sua linda Linna ainda mais linda com os cabelos soltos e um barrigão presunçoso. Era só o que faltava para o perfeito se tornar o para sempre perfeito.

Foi então que ele lembrou que precisava se apressar. Num movimento saltou da cama e Linna voltou em si.

_Ande para o banho! Não vamos nos atrasar hoje, não é? 

Raul se aproximou segurando os ombros de Linna.

_Hoje não meu bem. Porque hoje tudo tem que ser pefeito.

Linna deu um risinho suave e suspirou pensativa.

_ O que foi?

_ Estou com medo, Raul… É a terceira vez…

_ Hei. Psiu. Pára com isso. Vai dar tudo certo.

_ Eu só tenho medo de me frustrar de novo.

Raul segurou o firme o rosto de Linna com as duas mãos.

_ Não pense nisso. Vai ver ser diferente dessa vez. Eu prometo, tá?

Linna balançou a cabeça positivamente. Raul tocou seus lábios nos dela mansinho e sorriu.

_ Eu te amo.

_ Eu te amo mais, minha linda Linna.

***

Quando ela pegou o envelope, ele parecia mais pesado que qualquer outra coisa no mundo. Apertou contra o peito e suspirou forte. Raul abraçou ela pela cintura e eles sairam da sala em direção ao elevador. Caminharam em silêncio. Haviam muitas palavras soltas no ar, mas nenhum deles queria verbali-las. Era melhor assim. Melhor deixar as palavras para depois. Caso tudo desse errado novamente.

O elevedor chegou no térreo e eles caminharam para saída do prédio. Quem dera que tivessem ficado mais um pouco. Se Linna ficasse com secador ligado só mais um pouquinho, Raul ficaria a observá-la só mais um pouquinho. Então ele se atrasaria um pouquinho no banho, chegariam um pouquinho atrasados no laboratório e não seriam os primeiros a serem atendidos. Então quando saíssem o elevador estaria lotado e não vazio como estava e teriam que esperar só mais um pouquinho. Quando chegassem lá em baixo o pior já teria passado. E então eles não teriam só mais um pouquinho de tempo juntos, mas teriam ainda a vida inteira.

***

O rapazote tinha acabado de assaltar um ônibus e fugia de dois policiais. Um deles atirou e a bala passou de raspão em sua coxa direita. Foi aí que ele ficou furioso e antes de dobrar a esquina virou-se para dar o troco. Atirou no policial. Acertou a linda Linna que saia do edíficio com Raul. A bala foi direto no peito. E ela não imterrompia somente a respiração de Linna que ainda segurava o envolepe,agora ensanguentado, bem apertado ao peito. Mas imterrompia a vida inteira que Raul imaginava que passaria com Linna. Tudo o que eles tinham agora, era um ao outro, um envolope fechado e sujo de sangue, e um tempo juntos, só mais um pouquinho dele.

_ Não pensei que terminaria… assim.

_ Quietinha Linna. Não fala. Você tem que se poupar. A ambulância está chegando. Rapidinho. Seja forte.

_ Raul, como eu te amo… Como eu fui amada por você.

_ Não, Linna… não.

_ Sim… Ai…

_ Quietinha, aqui, no meu colo, assim.

_ Não pensei que terminaria assim.

_ Não vai terminar, amor. Não agora, não assim.

_ Ainda bem que vesti minha roupa preferida.

_ Linna…

_ Ainda bem que você está aqui.

_ Minha linda Linna.

_ Não estou com medo. Raul…

_ Quietinha Linna, por favor.

_Raul… eu não estou com medo de morrer…

_ Não fala isso, Linna. Você vai viver. Eu e você, juntos.

_ …Por isso você não pode ficar com medo de viver.

_ Sim, vamos viver.

_ Viver sem mim.

_ Não, Linna. Não!

_ …

_ Linna? Linna?

_ Abre. Quero saber…

_Não se preocupe agora…

_Raul! Por favor… abre.

Raul pegou o envelopde desajeitadamente, e enquanto segurava Linna nos braços abria o envolope todo manchado. Abriu o viu o resultado. O exame estava bem ali diante dele. Mas nada disso importava mais. Linna estava morrendo em seus braço e ele também estava morrendo dentro de si. Olhou para ela. As lágrimas corriam livremente de seu rosto. Linna também chorava. Agora ela estava mais branca do que nunca. Os cabelos pretos brilhando à luz do sol. Seu rosto pálido estava lindo. A linda Linna mais parecia um anjo agora. Não fosse o sangue manchando sua blusa branca preferida, ele diria que ela era somente uma boneca de porcelana em seu braços.

Ela arregolou os olhos ansiosa. Raul sorriu tristemente e para Linna.

_ Raul…

_ Sim. É sim, meu amor…

_Ah!

_ Parabéns, mamãe!

Linna chorou de alegria. Raul chorava de tristeza. Era tudo o que ela queria ouvir, o que ela precisava ouvir, o que a consolaria naquela hora. Ele a abraçou forte, apertado. Ela ficou mole, o corpo sem vida. Ele a trouxe ainda mais para perto de seu corpo. Soluçava igual a uma criança. A terça-feira ensolarada ficou sem graça e sem vida para Raul. Duas coisas terríveis e inconcebíveis aconteçaram com ele naquela manhã: Linna morrera e, pela primeira e última vez, Raul mentira para ela.

(:|:)

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21 de agosto de 2009 Posted by | Assassinatos, Família, Realidade, Romances | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.a.ligação.

Já era hora de receber uma ligação do Carlos. Fazia uma semana que nós tínhamos almoçado juntos e nada. Então finalmente ele ligou. Mas sabe o que ele me disse? Você não vai acreditar! Porque eu também quase não acreditei. Ele ligou para perguntar se eu tinha o número da Ge. Acredita nisso? Ele quer sair com ela! Eu devia ter desconfiado… Ele perguntou tanto dela. Mas eu nem me liguei na hora. Ai, que raiva! E sabe o pior? Ele disse que se der tudo certo ele vai me agradecer pelo resto da vida, e eu serei a madrinha de casamento deles. Que rídiculo! Pára de rir porque não foi com você não, tá?!

(:|:)

21 de agosto de 2009 Posted by | Cotidiano | , , , , , , | Deixe um comentário

.tentativas.

Oi Viny! Tô escrevendo só pra te dizer que eu te amo!

Oi, tudo bem, Viny? Não sei se tu já notou, mas eu…eu…

Bom dia! Hoje eu acordei e percebi que não posso deixar passar mais este dia sem que tu saibas o que eu sinto…

Viny, tu sabe que eu gosto de ti?

Oi! Vou direto ao assunto tá? Olha já faz um tempo que eu tô sentindo algo diferente por ti… Sabe? Algo além da amizade… muito além disso na verdade. Pois é… tu nunca reparou né? Foi o que eu imaginei…

Hei Viny! Eu pensei se tu não gostaria de tomar um café comigo hoje. Lá pelas 4… ou melhor.. pelas 16:00 horas…

Oi! Como você tá? Eu tô querendo muito falar com você. Será que podemos marcar uma hora? Se eu não estiver me deixa um bilhete também…. ou me liga… 5554-9682…

Viny, estou apaixonada por ti… parece louco… mas…

Olá, Viny! Estou buscando várias formas pra dizer uma única verdade, a única verdade que sempre houve entre nós. EU TE AMO! Será que tu nunca vai perceber isto? Já faz tempo que tento te falar… Mas parece que tu não quer perceber, parece que tu prefere não saber o que eu sinto. Mas saber ou fingir não saber, não vai mudar o que já sinto há tanto tempo. Sei que tu não me ama. Sou apenas tua amiga. Só mais uma entre tantas. Mas eu te amo. E pra mim isto basta. Basta por nós dois. Não vem me dizer que não sentes o mesmo, porque isto eu já sei. Então me poupe de sofrer mais do que já sofro simplesmente por te amar… Ana Carolina.

Oi, Viny! Só tô deixando este bilhete pra te avisar que a planilha de julho já está pronta. Pega comigo depois do almoço. Bom dia! Ana.

(:|:)

9 de agosto de 2009 Posted by | Cotidiano, Romances | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.ser.adulto.

Sim! O menino não queria crescer. Ele não era Peter-Pan, nem pretendia ser. Ele só queria continuar sendo um menino. Pra sempre e por toda vida.

Mas, ele cresceu. Porque a vida é assim. E agora ele trabalha, paga as contas, vive estressado. Já faz muito tempo que ele não sabe o que é ser criança. Na verdade ele nem lembra que também já foi uma.

(:|:)

6 de agosto de 2009 Posted by | Cotidiano, Realidade | , , , , , | Deixe um comentário

.novela.mexicana.

_Você só precisa assinar aqui, meu bem. Então estaremos casados.

Rogéria olhou para Mauro com desprezo. Ela não tinha muitas opções. Seu pai agregara uma dívida muito grande com aquele homem e somente se casando com ele essa dívida seria perdoada. Depois voltou seus olhos para seu pai  que a fitava apreensivo de pé há alguns metros atrás de Mauro.

 _ Não tenho que pagar pelos erros dos outros. E não vou.

Rogéria se levantou encarou Mauro, depois voltando-se para seu pai disse:

_Sinto muito, papai.

E saiu da sala sem atender os clamores de seu pai:

_Rogéria! Por favor minha filha! Não faça isso! Volta aqui…Rogéria!!!

Rogéria andou sem rumo pelas ruas da cidade. Chorava copiosamente. Não queria que seu pai perdesse tudo, mas não podia pagar tão caro por algo que nao fizera. Era sua vida, seus sentimentos, seu coração. Ficou horas andando e tentanto encontrar uma solução para aquele problema. Fazia 8 meses que estava sendo pressionada para casar com Mauro. Esse pensamento a fazia sentir torpor.

Já estava quase anoitecendo quando chegou em casa. Não sabia como ficaria o relacionamento entre ela e seu pai, depois de tudo que acontecera naquela tarde. Chamou por ele. Ninguém respondeu. Subiu as escadas e bateu suavamente na porta do quarto de seu Demétrio. Também nenhuma resposta. Rogéria abriu a porta vagarosamente e tudo pareceu girar quando viu seu pai morto enforcado com um lençol.

(:|:)

5 de maio de 2009 Posted by | Assassinatos | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.uma.outra.história.

Era uma vez uma formiguinha. Forte e pequenininha. Ia e vinha, pra lá e pra cá, sempre contribuindo com o bom funcionamento do formigueiro.

Mas essa formiguinha era diferente. Ela tinha o sonho de viajar pelo mundo. Conhecer outros lugares. Outras formigas. Ela queria ir além de seu formigueirinho limitado.

Foi então, que um dia, quando ela estava caminhando na fila das formiguinhas com um grande pedacinho de folha verde  em suas costas, uma borboleta aterrisou ali perto. Ela era grande, com asas vibrantes e coloridas. A formiguinha ficou encantada. Largou sua folhinha e correu até a borboleta.

Se aproximou tímida sem saber o que dizer. A formiga, que já era pequena, se sentia ainda mais minúscula perto da borboleta. A borboleta virou-se para ela e sorriu:

_Farei uma longa viagem. Sou o único inseto capaz da atravessar o oceano. Quer vir comigo?

A formiguinha nem acreditava que havia recebido um convite desses. Era sua oportunidade de conhecer o mundo e atravessar o oceano, (seja lá quem fosse esse tal de ocenano de quem ela nunca tinha ouvido falar).

_Eu quero! Quero muito!  – Respondeu a formiga feliz e entusiasmada.

Então a formiga subiu nas costas da borboleta e se segurou bem. A borboleta começou a voar pelo jardim. Apesar do frio na barriga, a formiguinha achou tudo aquilo maravilhoso e só conseguia sorrir ao pensar que seu sonho estava sendo realizado.

Lá em baixo a fila de formigas trabalhadoras seguia normalmente, a não ser por aquela parte do percurso que elas desviavam em torno de um grande pedacinho de folha verde que ficou esquecido no caminho; e que mais tarde seria confundido com uma joaninha verde por um joaninho apaixonado. Ma isso já é outra história.

(:|:)

30 de abril de 2009 Posted by | Animais Falantes | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.somos.únicos.

Muitas formigas, um formigueiro. Muitos palhaços, um circo. Muitas palavras, um livro. Muitos acordes, uma música. Muitas flores, um jardim. Muitos ingredientes, um bolo. Muitas lágrimas, um choro. Muitas vozes, um coro.  Muitas pessoas, uma única semelhança: diferença!

(:|:)

28 de abril de 2009 Posted by | Geral | , , , , , , , | Deixe um comentário