JoAnInHaS falam no silêncioOoOo (:|:)

…e o que elas escrevem?!

.o.envelope.em.cima.da.mesa.

“Meus queridos,

sei que muitos jamais irão entender, sequer me perdoar. Mas não busco ser compreendida. Se nunca fui em vida, menos agora em morte.

Apenas lembrem-se das coisa boas que se referem a mim. Não peço perdão, não me sinto culpada.

Ainda nos encontraremos.

Adeus.”

(:|:)

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16 de novembro de 2011 Posted by | Sem categoria | , , , , , | Deixe um comentário

.poema.de.despedida.

Mui em breve, logo, logo,

nessa doce e pura água

Com alegria eu afogo

essa errante e triste mágoa.

 

Que aperta o coração

e não me deixa viver,

Me enche de ilusão

e  me faz perecer!

 

Num mastro, com um nó,

uma corda eu coloco.

Sem saber bem porquê

aos poucos me sufoco.

 

Louco e impensante,

de tanto beber eu giro.

Depois vou para rua,

e de baixo de um burro me atiro.

 

“Agora vou morrer,

pois não tenho mais fé!”

Então tiro meu sapato

e cheiro meu chulé.

 

Me afogo e tento

me sufocar.

E depois de tudo isso

não consigo me matar!

 

E já sem esperança,

do mundo me despeço.

Mas não chores por mim, querida,

pois amanhã recomeço!

(:|:)

10 de fevereiro de 2010 Posted by | Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.a.caixa.colorida.

Ela tinha uma caixa. A caixa era dela. E lá dentro tantas alegrias. E lá dentro tantas tristezas. Segredos. Medos. Vergonhas. Sorrisos. Sonhos. Frustrações. Tempos bons e ruins. Cartões dos melhores e dos péssimos. Mas nada fora compartilhado até aquele momento. Estava tudo bem guardado, fechado e escondido dentro da caixa colorida.

Não que não houvesse o interesse em abri-la. Mais que isto. Havia a necessidade. Mas na mão de uma criança a chave acaba se perdendo. E foi assim que aconteceu. Dessa forma ninguém a havia encontrado. Não que não  tivessem procurado a tal chave, mas acho que no fim ela não queria encontrá-la. E por isso, depois de um tempo, não pediu mais ajuda a ninguém.

A caixa colorida de fita larga e vermelha continuou lá. Fechada. De alguma forma ela conseguia colocar coisas dentro da caixa, mas sem a chave ela não conseguia abri-la para tirar ou rever essas e outras coisas. A caixa colorida estava fechada com o laço, mas só uma chave poderia destrancá-la. Sim, tudo muito confuso. Porque, de certa forma, ela também era assim. Sua caixa era como ela, ou ela era como sua caixa. Ninguém sabia mais ao certo, nem ela mesma.

E lá, perdida em algum lugar, ficou a caixa colorida. Ela sempre ia visitá-la para guardar alguma coisa. Mas nunca mais tentara abri-la até então. Na verdade, ela ficou anos sem se quer contar a alguém que guardava uma caixa colorida. Os novos amigos não sabiam da existência dela, e os velhos já achavam que a caixa colorida era só uma invenção fantasiosa.

Mas um dia, por mais bem elaborada que seja, a endrominante retórica não convence mais ninguém. Por isso ela se cansou de tentar convencer a si própria. Sem discursos para se apoiar, ela já tinha decidido que tudo acabaria de vez. E o que nem se quer começara encontraria seu fim. Foi quando ela se lembrou da caixa, era a única coisa que talvez a ajudasse a querer continuar vivendo ou lhe mostrasse até o que era viver. Então, ela quis desesperadamente abrir a caixa, a sua caixa colorida. Precisava disso mais que antes. Mas, e a chave?

Foi em uma grande odisséia que ela encontrou o Senhor do Tempo (que é o Eterno Pai do grande deus Niurion), o Cavaleiro do Escudo Vermelho, (que é aquele para quem tudo teve início e terá fim), e o Grande Poeta (que é o Escritor que o Senhor do Tempo enviou para confirmar seus decretos) e eles lhe revelaram como encontrar a chave. E isto já é uma história a parte. O importante agora é saber que a Donzela das Flores nos Pés, que é a Quarta Irmã da Borboleta Colorida, a ajudou a desfazer o laço vermelho. Foi aí que o caminho para encontrar a chave começou a se desvendar conforme já havia anunciado o Senhor do Tempo, o Cavaleiro do Escudo Vermelho e o Grande Poeta.

E foi assim, debaixo da sombra do assombroso Ipê Amarelo, que ela encontrou a Valente Sábia do Pastoreio, que é a filha da filha da Mulher do Coração de Ouro, que é uma das poucas que ainda ouve de Sofia tudo o que ela lhe conta sobre o Senhor do Tempo e seus decretos, e isto também já é uma história a parte. O importante é saber que foi ela que  lhe entregou a chave perdida. Na verdade a Valente Sábia do Pastoreio nem se quer sabia que possuía a chave perdida até o momento que colocou a mão no coração para procurar. E encontrou. Ao entregar a chave para ela a Valente Sábia do Pastoreio ficou preocupada: a chave era muito pesada para a outra carregar. Mas era preciso abrir de uma vez a caixa colorida e esvaziá-la. Pois se a chave era pesada, a caixa era ainda mais.

Com a chave na mão ela se despediu da Valente Sábia do Pastoreio e prometeu lhe trazer dos seus próprios frutos para que esta pudesse saborear na outra primavera. Ela correu até o Refúgio dos Guerreiros da Profecia, onde morava a Donzela dos Pés das Flores e lhe mostrou a chave. Ela não falou palavra alguma. Mas isto não quer dizer que ela não tenha dito nada. Ela disse muito sem falar. Como o laço já havia sido desfeito a Donzela dos Pés das Flores a ajudou a abrir a caixa colorida por um tempo encaixando a chave na tranca, depois ela precisou girar a chave sozinha.

Com a chave ela abriu a caixa. Naquele momento ela viu quanta coisa havia ali. Umas eram lixo. Podridão. Cheiravam mal. Outras precisavam ser recicladas, reaproveitadas, refeitas. E algumas necessitavam ser usadas com urgência. Sem mais nenhuma espera ou exigência.

Eram coisas demais para serem organizadas. Muita confusão, muito conflito, muita informação. Era tudo muito velho e muito novo ao mesmo tempo. Doía demais e era ao mesmo tempo libertador. Abrir a caixa colorida não somente a poupou de um suicídio egoísta como a fez ter uma perspectiva boa do que era viver. Mesmo com tantas coisas para arrumar, tudo já estava sendo consertado de certa forma.

E agora, enquanto ela esvazia a caixa seu coração também é preenchido. O vazio é a possibilidade de coisas novas. O preenchimento é a certeza de que elas já estão chegando. Por isso o vazio da caixa e o conteúdo do coração têm o mesmo nome, e isto é o que ela passou a chamar de EsPeRanÇa.

(:|:)

27 de outubro de 2009 Posted by | Fantasia, Realidade | , , , , , , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário

.despedida.

Meu amor,

não pesso perdão. Você já sabia que eu me mataria no dia do meu aniversário. Eu sei que você pensou que estava brincando. Mas eu não estava. Sinto muito.

Tua.

(:|:)

5 de setembro de 2009 Posted by | Assassinatos, Família, Romances | , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.overdose.

Injetou direto na veia. Nada mais que alguns segundos. E o último suspiro foi somente consequência.

Morreu cedo demais. Jovem demais. Inconsequente demais!

(:|:)

10 de maio de 2009 Posted by | Geral | , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.novela.mexicana.

_Você só precisa assinar aqui, meu bem. Então estaremos casados.

Rogéria olhou para Mauro com desprezo. Ela não tinha muitas opções. Seu pai agregara uma dívida muito grande com aquele homem e somente se casando com ele essa dívida seria perdoada. Depois voltou seus olhos para seu pai  que a fitava apreensivo de pé há alguns metros atrás de Mauro.

 _ Não tenho que pagar pelos erros dos outros. E não vou.

Rogéria se levantou encarou Mauro, depois voltando-se para seu pai disse:

_Sinto muito, papai.

E saiu da sala sem atender os clamores de seu pai:

_Rogéria! Por favor minha filha! Não faça isso! Volta aqui…Rogéria!!!

Rogéria andou sem rumo pelas ruas da cidade. Chorava copiosamente. Não queria que seu pai perdesse tudo, mas não podia pagar tão caro por algo que nao fizera. Era sua vida, seus sentimentos, seu coração. Ficou horas andando e tentanto encontrar uma solução para aquele problema. Fazia 8 meses que estava sendo pressionada para casar com Mauro. Esse pensamento a fazia sentir torpor.

Já estava quase anoitecendo quando chegou em casa. Não sabia como ficaria o relacionamento entre ela e seu pai, depois de tudo que acontecera naquela tarde. Chamou por ele. Ninguém respondeu. Subiu as escadas e bateu suavamente na porta do quarto de seu Demétrio. Também nenhuma resposta. Rogéria abriu a porta vagarosamente e tudo pareceu girar quando viu seu pai morto enforcado com um lençol.

(:|:)

5 de maio de 2009 Posted by | Assassinatos | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.psicose.paranóica.induzida.

PARTE III

Os pesadelos eram cada  vez mais constantes. Dormir agora era algo sofrível. Com medo dos sonhos estranhos que tinha toda noite a jovem fazia o possível para dormir o mínimo necessário. Isso a deixava fraca. Dormia mal e quase não tinha força para aguentar a correria dos dias intensos de trabalho. Contudo, parecia não haver outra saída.

Portanto, passou as poucas horas que ainda tinha para descansar acordada. Leu um pouco, assitiu Tv, comeu alguma coisa e voltou para a janela onde ficou a observar o dia que começava a clarear. Que alívio! Foi tomar um banho bem gelado, para despertar e ficar ativa durante o dia. Vestiu seu uniforme cinza, comeu nada mais que uma maçã e foi trabalhar.

Ainda era cedo. Seis horas da manhã. Seu expediente começa às oito horas. Caminhou pela calçada. As ruas ainda estvam vazias e a cidade começava a despertar. Entrou numa padaria há dois quarteiroes do seu apartamento:

_Levantou cedo hoje, querida?

Perguntou uma garçonete já de certa idade que vinha para atende-la toda sorridente:

_É, pois é!

O rosto daquela senhora não lhe era estranho. Mas ela não conseguia lembrar de onde a conhecia.  A senhora a tratou de forma tão familiar, mas ela nunca a tinha visto antes. Nem na padaria nem em nenhum outro lugar. A jovem exitou, mas por fim perguntou:

_Desculpe, mas… já nos conhecemos?

A senhora que servia café para ela disse sorrindo:

_Com certeza não, querida. Claro que não.

A jovem franziu a testa e forçou um sorriso também. Olhou para a xícara com café e disse:

_Hei! Eu não pedi café…

A garçonete voltou-se para ela e replicou cordialmente:

_Mas é o que você quer tomar essa manhã, não é meu bem?

E era. A jovem estranhou aquilo tudo. Aquele jeito gentil da senhora garçonete a irritou. Tudo parecia um de seus sonhos esquisitos.

“Mas estou acordada!” Foi o que pensou ao deixar o dinheiro no balcão e sair da padaria sem nem olhar para trás. As ruas começavam a ganhar vida. E a sintonia de carros e pedestres começava a ganhar ritmo. Atravessou a rua e caminhou até a praça bem no centro da cidade. Ainda tinha tempo para caminhar pouco por ali. Foi o que fez. Seguiu por uma ruazinha de baixo de árvores gigantescas. Parou diante do lago e sentou em um dos bancos de madeira. Tentou ler, mas não conseguia se concentrar. Suas pálpabras começaram a pesar.

De repente um gatinho branco surgiu as seus pés. Se esfregava entre suas pernas pedindo um carinho:

_Oi gatinho lindo!

Ela afagou a cabeça do gatinho que parecia sorrir para ela. Ele deu mais uma volta entre suas pernas e parou diante dela. Ficou a fitá-la. Ela estranhou o  jeito do gato. Tentou chamá-lo para si:

_Pssiu, vem aqui gatinho… Vem…

Foi quando um raio de sol fez algo no pescoço do gato brilhar. A jovem percebeu que ele usava uma coleira e se inclinou para ver o que estava escrito no pingente:

_’Diga adeus’?

Ela franziu a testa com estranheza olhando para o gato. Mas não teve tempo de fazer mais nada  e o gato já havia saltado em sua direção e lhe mordia o pescoço.

Ela sentia os dentes afiados do gato penetrar em seu pescoço. Tentou arrancá-lo fora deseperadamente. Quanto mais gritava, mais sentia uma dor terrivel. Sentiu o sangue escorrendo em seu pescoço e desmaiou.

_Hei moça, você está bem?

Quando a jovem abriu os olhos um menino a observava com os olhos arregalados. Ela rapidamente levou as mãos ao pescoço, mas tudo parecia normal.

_Você cochilou aqui e teve um sonho ruim, foi?

 Indagou o menino curioso e ainda assustado. Ela olhou para ele   constrangida e respondeu:

_É… foi.

De longe alguém chamou pelo menino e ele se foi.

A jovem levantou-se meio perdida. Ainda coma mão no pescoço respirou fundo. Juntou suas coisas  e se foi. Andou apressadamente da praça até a rua, e depois em direção ao escritório onde trabalhava. Sentia seu corpo lento e sua mente  cansada. Mas precisava manter-se bem acordada se quizesse ter um dia tranquilo e sem pesadelos para a incomodar.

A imagem da garçonete sorrindo e do gatinho branco a olhá-la, foram as últimas coisas em que pensou antes de entrar no elevador.

(:|:)

27 de abril de 2009 Posted by | Assassinatos, Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.psicose.paranóica.induzida.

PARTE II

Quando a jovem abriu os olhos e percebeu que tudo nao passara de um sonho, sua respiração era ofegante, e sentiu seu corpo suado e tão dolorido que levou um tempo para conseguir levantar e caminhar até à janela. O vento era o único que lhe fazia companhia acariciando sua face. Lá fora tudo parecia solitário e monótono. E a noite estava fria e úmida…

(:|:)

7 de abril de 2009 Posted by | Assassinatos, Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.psicose.paranóica.induzida.

PARTE I

A noite estava fria e úmida. O canto incansável de uma cigarra parecia ser o único barulho nas proximidades. Nenhum carro nas ruas. Nenhum transeunte pelas calçadas. Nenhum cão entremeado entre latas de lixo. Tudo parecia mórbidamente solitário e monótono.

Ninguém percebeu que a bela jovem, deslubrante em seu vestido azul petróleo, subiu no terraço do prédio de 43 andares que morava seu padrinho. Sentada no alambrado ela balançava os pés descalços para o lado de fora. O silêncio da grande metropole ainda não era maior que o silêncio e a solidão do seu coração.

_SALVE-MEEE!

Bradou ela e rompeu em prantos. Tapou o rosto com as duas mãos como que querendo esconder-se de alguém, mas ela estava só ali. Chorou alto e abafado ao mesmo tempo. E por muito tempo, chorou.

Depois do desespero, não se deu ao trabalho de enxugar suas lágrimas, e ficou de pé bem na beirada da quina do alambrado. O dia já começava a nascer. Susurrou um poema. O mesmo que fizera no dia em que sua mãe morreu e que sua irmã mais velha fizera questão que ela recitasse no velório :

_O tempo não traz nenhuma certeza… A vida não garante o amanhã. ..Mas o amor vai além do tempo, …e é ainda mais perfeito além dessa vida.

E emendou com uma última frase:

_E isso é tudo!

Suspirou profundamente, fechou os olhos, abriu os braços, e com um sorriso nos lábios se atirou lá de cima.

Seu corpo chegou ao chão com um som seco, sem eco, sem vida. Mas ninguém percebeu isso também. Talvez o único espectador tenha sido a cigarra, pois seu canto incansável tornou-se ainda mais lamuriante ao amanhecer.

(:|:)

30 de março de 2009 Posted by | Assassinatos, Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , | 1 Comentário