JoAnInHaS falam no silêncioOoOo (:|:)

…e o que elas escrevem?!

.fagulha.de.um.desejo.

Hoje sonhei com você novamente. Aquele vestido azul de seda estava todo amarrotado e você nem aí pra isso, como sempre. Eu chegava bem perto de você, tão perto que podia sentir o cheiro do seu cabelo, tão perto que podia tocar seus lábios com os meus. Mas você não deixou. Você correu, correu muito, correu pra bem longe. Simplesmente fugiu. Queria te ter perto, mas nem em sonhos isto parece possível.

(:|:)

Anúncios

12 de dezembro de 2009 Posted by | Fantasia | , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.eu.gostaria.

Pai, Mãe e Edu,

eu gostaria que tudo fosse bem rápido. Nada com muito exagero, pompas ou nostalgias. Não quero decorações exageradas, nem aquelas  flores comuns nestas ocasiões.

Gostaria também que minha roupa fosse branca, do jeito que eu gosto e como tem que ser, um vestidinho bem leve com rendinhas, nada de muitos “frufrus”. No cabelo aquela borboletinha com pedrinhas brilhantes. Uma maquiagem bem suave. Não quero chamar atenção, mesmo sabendo que eu serei o centro das atenções.

Não quero aquele conglomerado de pessoas ao meu redor, que cada um tenha o seu lugar e permaneça lá. Eu gostaria que com certo pudor, tudo fosse bem organizado e premeditado, que seguisse um roteiro, que tivesse um protocolo.

Gostaria que cantassem uma música acompanhada de violino, sem muitas frescuras. Gostaria também que o ministrante fosse objetivo em suas palavras para não cansar os presentes e para que tudo termine o mais rápido possível.

Depois da cerimônia formal, gostaria que tudo seguisse normalmente conforme deve ser. O cortejo deve sair da igreja e se dirigir ao Jardim do Lago sem desviar a rota. Tudo sempre com muita discrição, nada de “exaltações”.

Gostaria que no Jardim do Lago, todos também ocupassem seu lugar e o mestre de cerimônia lesse o meu discurso que já está escrito e guardado no envelope azul na gaveta do escritório. Gostaria que ele lesse tudo até o fim e depois abrisse a oportunidade para algum parente ou amigo discursar, se alguém o quiser fazer, é claro. Tudo sempre sem escândalos.

Ao final gostaria que outra música fosse cantada ao som do violino enquanto meu caixão estiver sendo descido ao túmulo. Joguem flores se quiserem, mas gostaria que não houvesse nehum tipo de manifestação desesperada, nem lamúrias e soluços desconsolados.

Gostaria que em minha lápide estivesse o seguinte epitáfio: “Viveu, e como a todos sucede, morreu.” Nada de dizeres que causem comoção. Se palavras em vida não tiveram efeito para me curar, muito menos em morte me fariam voltar a viver. 

E por fim, gostaria de ser lembrada com serenidade, e que este rosto jovem que comigo irá para a sepultura, é que permaneça para sempre guardado na memória dos que ficarem e que alcançarem a desejada e temida velhice. Ah! Quem me dera conhecê-la!

Não são regras, leis, nem ordens. São apenas meus últimos desejos para minha cerimônia fúnebre. Não são obrigações, apenas coisas simples de que eu gostaria que acontecessem naquele dia que será triste para todos nós: o dia do ‘adeus’.

Ternamente,

Zuzi.

(:|:)

28 de setembro de 2009 Posted by | Cotidiano, Família, Realidade | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.primavera.

Quando eu abrir a janela, as nuvens escuras terão passado. A tempestade terá tido seu fim. A noite sombria será dia radiante.

Quando eu abrir a janela, terei vontade de sair para pessear. As roupas de luto darão lugar ao alegre vestido vermelho de renda. E o cabelo desgrenhado ganhará a forma de cachos soltos ao vento.

Quando eu abrir a janela, o vento frio terá cessado. As árvores estarão repletas de flores. Haverá novas cores e novos amores.

 Quando eu abrir a jenela, você vai acenar para mim do outro lado da rua e eu devolverei o sorriso. As lágrimas estarão só no passado e eu direi “sim” quando você me convidar para ir à praça.

Sim, abrirei a janela. Mas só quando for PriMaVeRa.

(:|:)

9 de setembro de 2009 Posted by | Fantasia | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.vestido.verde.

_Mãe, eu quero este aqui tá?

_Esse com o babadinho na gola?

_Aham! Mas ó… tá vendo? Quero nesse tom de verde tá?

_Tá bem. Pode deixar, Pietra. Eu já entendi minha filha.

_Ai mãezinha! Obrigada!

Pietra saiu pela porta do quartinho de costura da mãe, com um sorriso cortando o rosto. Que orgulho ela dava a sua mãe. Aquele era o ano da “Grande Crise Mundial”, e com muito esforço, em 12 dias, Pietra se formaria. Ela seria veterinária. Com certeza aquele seria o vestido mais bonito que dona Garibaldi faria em toda sua vida. Portanto Pietra precisava de um sapato digno de tal modelito. A tarde seria longa andando pelas ruas para encontrar o tal sapato, mas ela persisitia toda vez que lembrava que sua mãe estava em casa se empenhando em seu vestido.

***

_Alô?

_Garibaldi Rolandini, por favor?

_É ela mesma.

_A senhora conhece Pietra Rolandini Vidal?

_Sim. é minha filha.

_Eu sou Vitória Dorácio, enfermeira chefe do Hospital Regional Alcântara Vila Grande.

_Ai…o que aconteceu?

_Peço que a senhora fique calma. Sua filha foi atropelada e encaminhada para nosso pronto socorro. Então se a senhora puder venha imediatamente.

_Mas como ela está? Ela está bem não é?

_A situação dela é estável. Mas é melhor a senhora vir e pessoalmente vou explicar melhor tudo o que aconteceu.

_Está bem, está bem. Já estou indo para aí. 

Quando dona Garibaldi chegou no Hospital e conversou pessoalmente com a enfermeira Vitória, entedeu que “estável” foi uma forma suave para dizer que sua filha estava em coma e estava na UTI. O caso era muito grave. Pietra sofrera traumatismo crâniano, juntamente com uma lesão na cabeça que causou um corte da testa, até a nuca pelo lado direito da cabeça. Mesmo se saísse do coma, nunca mais poderia andar. Sua coluna quebrara em 7 lugares diferentes, um caso irreversível. Sem contar que as duas pernas estavam fraturadas, e o pé esquerdo foi dilacerado de tal forma, que seria necessário amputá-lo imediatamente.

Agora a história não era mais de uma moça feliz prestes a realizar um sonho, mas sim, de uma mãe angustiada prestes a perder a filha, a única filha. Tudo o que ela tinha. Sua única família. Garibaldi repassou os últimos instantes daquela tarde em que esteve com sua filha. Pietra toda sorrisos escolhendo seu vestido de formatura. O que fazer agora? O que esperar disso tudo? Sentada na sala de espera, Garibaldi chorou em silêncio.

***

Quatro anos se passara desde a “Grande Crise Mundial”, mas  o vestido verde cobreado com o babadinho na gola ainda estava perfeito. Clarice olhou e de cara gostou dele. Entrou na lojinha da esquina. Era pequena e meio escura. Passava um ar triste, mas o vestido na vitrine era perfeito. O que ela vinha procurando há semanas.

_Oi. Eu queria provar o vestido da vitrine.

_Ah, sinto muito aquele não está a venda. É só uma amostra para enfeitar a vitrine.

_Ah! Que pena. Eu gostei tanto dele. Será que não tem jeito da senhora vender ele pra mim?

_Ele é da minha filha. Ela vai ser veterinária. Daqui há 12 dias.

_Poxa que pena pra mim e que ótimo pra ela. É um vestido belíssimo.

_Não foi fácil pra ela sabe? Conseguir se formar no ano da Grande Crise Mundial a faz digna do melhor vestido que eu poderia fazer.

_É, pode ser, mas… não estamos no ano da Grande Crise Mundial. Isso foi há 4 anos, minha senhora.

_Não! Eu digo que não! Estamos no ano da Grande Crise Mundial, sim! Minha filha foi comprar um sapato lindo para usar com aquele vestido, porque daqui há 12 dias ela será uma veterinária!!!

_A senhora deve estar louca!

_Saia daqui! Você não entende nada de crises globais! Não entende nada de sapatos, vestidos, formaturas e filhos! Você não sabe de nada!!! Sua insolente!!! Saia daqui!!!

_Sua maluca!

Clarice saiu da loja apressada e assutada. Só queria comprar um vestido afinal. Não conseguia entender a atitude daquela mulher, e depois de passado o nervosismo e a raiva só pode sentir pena da pobre coitada.

***

O vestido verde continuou na vitrine por muito tempo. Sempre à mostra para alguém querer comprá-lo sem conseguir, é claro. Pois dona Garibaldi, mesmo depois de 26 anos da morte de Pietra, explicava que o vestido era de sua filha que iria se formar dali há 12 dias.

(:|:)

16 de maio de 2009 Posted by | Família, Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.o.idiota.

Era por volta das 18 horas. Milena desceu a rua que levava à alameda principal. O dia parecia cinzento igual a cor das paredes sujas de sua escola quando era criança. Por algum motivo teve vontade de sair correndo, mas não o fez.  Apertou forte o convite que levava na mão direita, virou a esquina e “BUM”! O garoto vinha muito rápido numa bicleta e não teve tempo de frear. O resultado foi a trombada dos dois em plena calçada. Ele pendeu para o lado esquerdo da bicicleta mas conseguiu se apoiar com o pé. Ela não teve tempo nem de pensar e já estava no chão.

_Oh! Desculpa aí!

O menino falou meio sem graça sem nem olhar para ela direito. Milena estava tão assutada que nem conseguiu responder.

_Tá tudo bem moça? Você se machucou?

Milena ainda nao tinha reação. Por fim o menino desceu da bicicleta e a apoiou num poste, depois  se agachou perto dela. Chacoalhou de leve seu ombro esquerdo.

_Hei moça! Tá tudo bem?

Por fim ela voltou a si, como que num susto. Olhou em volta. Alguns olhares curiosos os observavam. Abriu a mão que levava o convite, com o susto ela o apertara tão forte que ele estava todo amassado; igual dinheiro de bebâdo dentro do bolso. Por fim seus olhos se encontraram com os do menino. Milena não entendeu bem o friozinho que sentiu na barriga, quando ele lhe remeteu um sorriso tímido e preocupado.

_Seu idiota!

Foi tudo o que ela conseguiu dizer, e nem entendeu porquê. Ele tirou a mão do ombro dela assustado com a reação ríspida da jovem. Meio atrapalhada ela se ergueu e ficou de pé enquanto limpava sua roupa. O menino, meio sem jeito, ficou de pé também e olhou firme para ela:

_Me desculpe mais uma vez. Estava tão distraído que… nem vi.

_Por causa da sua distração meu traseiro está doendo muito. E veja, o pneu da sua bicleta ralou minha perna!

Ela disse puxando um pouco o vestido e expondo o arranhão na perna esquerda. Mais uma vez ele ficou sem graça.

_Posso te levar numa farmácia.

_Seu idiota! Estou atrasada!

_…

_Anda! Me leva nessa sua bicicleta.

_Pra farmácia?!

_Claro que não, idiota! Me leva para o teatro municipal. É a estréia do meu namorado. Nem sei como vou conseguir ficar sentada durante uma hora com a bunda doendo desse jeito!!!

_Sinto muito.

_Acredite, eu estou sentindo muito mais!

_…

_Anda logo! Deixa eu subir aí. E nada de andar distraído dessa vez. Eu tenho que chegar lá viva!

_Tá.

_Vai logo, idiota!

Ele subiu na bicleta e Milena  foi de pé em cima do apoio que ficava bem no eixo do pneu de trás, feito justamente para isso. A cena era engraçada. Ele todo moleque levando uma donzela, toda esbelta em seu vestido cor de pêssego em pé na parte de trás da bicicleta, apenas se apoiando no ombro dele.

Ele tentou ficar calmo e pedelar com toda cautela. Apesar da groesseria de Milena, havia algo nela que ele gostara. E ele estava de alguma forma realizado por  estar levando aquela beldade em sua bicleta de playboy pelas calçadas da grande cidade , naquele dia cinzento que começava a se transformar em noite clara.

Chegaram no teatro. Milena desceu e tentou desamassar o convite com delicadeza. Ele esperou algum agradecimento. Na verdade, ele queria ouvir a voz dela de novo falando com ele.  Portanto, qualquer palavra da parte dela o encheria de contentamento.

_O que foi? Não tá querendo que eu te pague pela “corrida”, né?

_Não. Claro que não.

_Então o que? Tá esperando que eu te agradeça? Não passou do teu dever!

Ele gostava daquele jeito com que ela, tão rispidamente, lhe tratava. Não conseguia entender porque. Sempre que ela era grosseira, o garoto a olhava com um olhar assutado, um misto de medo e culpa, e isso fazia Milena sentir o friozinho na barriga com mais intensidade. Por isso, antes de subir as escadas do teatro, Milena olhou fixamente para o rosto apreensivo dele. Ela sorriu ironicamente e disse:

_Afinal, você me atropelou. Idiota!

Milena subiu as escadas apressadamente e ele voltou a pedalar despreocupado. Mas por dentro, os dois estavam sorrindo.

(:|:)

15 de maio de 2009 Posted by | Romances | , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.psicose.paranóica.induzida.

PARTE III

Os pesadelos eram cada  vez mais constantes. Dormir agora era algo sofrível. Com medo dos sonhos estranhos que tinha toda noite a jovem fazia o possível para dormir o mínimo necessário. Isso a deixava fraca. Dormia mal e quase não tinha força para aguentar a correria dos dias intensos de trabalho. Contudo, parecia não haver outra saída.

Portanto, passou as poucas horas que ainda tinha para descansar acordada. Leu um pouco, assitiu Tv, comeu alguma coisa e voltou para a janela onde ficou a observar o dia que começava a clarear. Que alívio! Foi tomar um banho bem gelado, para despertar e ficar ativa durante o dia. Vestiu seu uniforme cinza, comeu nada mais que uma maçã e foi trabalhar.

Ainda era cedo. Seis horas da manhã. Seu expediente começa às oito horas. Caminhou pela calçada. As ruas ainda estvam vazias e a cidade começava a despertar. Entrou numa padaria há dois quarteiroes do seu apartamento:

_Levantou cedo hoje, querida?

Perguntou uma garçonete já de certa idade que vinha para atende-la toda sorridente:

_É, pois é!

O rosto daquela senhora não lhe era estranho. Mas ela não conseguia lembrar de onde a conhecia.  A senhora a tratou de forma tão familiar, mas ela nunca a tinha visto antes. Nem na padaria nem em nenhum outro lugar. A jovem exitou, mas por fim perguntou:

_Desculpe, mas… já nos conhecemos?

A senhora que servia café para ela disse sorrindo:

_Com certeza não, querida. Claro que não.

A jovem franziu a testa e forçou um sorriso também. Olhou para a xícara com café e disse:

_Hei! Eu não pedi café…

A garçonete voltou-se para ela e replicou cordialmente:

_Mas é o que você quer tomar essa manhã, não é meu bem?

E era. A jovem estranhou aquilo tudo. Aquele jeito gentil da senhora garçonete a irritou. Tudo parecia um de seus sonhos esquisitos.

“Mas estou acordada!” Foi o que pensou ao deixar o dinheiro no balcão e sair da padaria sem nem olhar para trás. As ruas começavam a ganhar vida. E a sintonia de carros e pedestres começava a ganhar ritmo. Atravessou a rua e caminhou até a praça bem no centro da cidade. Ainda tinha tempo para caminhar pouco por ali. Foi o que fez. Seguiu por uma ruazinha de baixo de árvores gigantescas. Parou diante do lago e sentou em um dos bancos de madeira. Tentou ler, mas não conseguia se concentrar. Suas pálpabras começaram a pesar.

De repente um gatinho branco surgiu as seus pés. Se esfregava entre suas pernas pedindo um carinho:

_Oi gatinho lindo!

Ela afagou a cabeça do gatinho que parecia sorrir para ela. Ele deu mais uma volta entre suas pernas e parou diante dela. Ficou a fitá-la. Ela estranhou o  jeito do gato. Tentou chamá-lo para si:

_Pssiu, vem aqui gatinho… Vem…

Foi quando um raio de sol fez algo no pescoço do gato brilhar. A jovem percebeu que ele usava uma coleira e se inclinou para ver o que estava escrito no pingente:

_’Diga adeus’?

Ela franziu a testa com estranheza olhando para o gato. Mas não teve tempo de fazer mais nada  e o gato já havia saltado em sua direção e lhe mordia o pescoço.

Ela sentia os dentes afiados do gato penetrar em seu pescoço. Tentou arrancá-lo fora deseperadamente. Quanto mais gritava, mais sentia uma dor terrivel. Sentiu o sangue escorrendo em seu pescoço e desmaiou.

_Hei moça, você está bem?

Quando a jovem abriu os olhos um menino a observava com os olhos arregalados. Ela rapidamente levou as mãos ao pescoço, mas tudo parecia normal.

_Você cochilou aqui e teve um sonho ruim, foi?

 Indagou o menino curioso e ainda assustado. Ela olhou para ele   constrangida e respondeu:

_É… foi.

De longe alguém chamou pelo menino e ele se foi.

A jovem levantou-se meio perdida. Ainda coma mão no pescoço respirou fundo. Juntou suas coisas  e se foi. Andou apressadamente da praça até a rua, e depois em direção ao escritório onde trabalhava. Sentia seu corpo lento e sua mente  cansada. Mas precisava manter-se bem acordada se quizesse ter um dia tranquilo e sem pesadelos para a incomodar.

A imagem da garçonete sorrindo e do gatinho branco a olhá-la, foram as últimas coisas em que pensou antes de entrar no elevador.

(:|:)

27 de abril de 2009 Posted by | Assassinatos, Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

.psicose.paranóica.induzida.

PARTE I

A noite estava fria e úmida. O canto incansável de uma cigarra parecia ser o único barulho nas proximidades. Nenhum carro nas ruas. Nenhum transeunte pelas calçadas. Nenhum cão entremeado entre latas de lixo. Tudo parecia mórbidamente solitário e monótono.

Ninguém percebeu que a bela jovem, deslubrante em seu vestido azul petróleo, subiu no terraço do prédio de 43 andares que morava seu padrinho. Sentada no alambrado ela balançava os pés descalços para o lado de fora. O silêncio da grande metropole ainda não era maior que o silêncio e a solidão do seu coração.

_SALVE-MEEE!

Bradou ela e rompeu em prantos. Tapou o rosto com as duas mãos como que querendo esconder-se de alguém, mas ela estava só ali. Chorou alto e abafado ao mesmo tempo. E por muito tempo, chorou.

Depois do desespero, não se deu ao trabalho de enxugar suas lágrimas, e ficou de pé bem na beirada da quina do alambrado. O dia já começava a nascer. Susurrou um poema. O mesmo que fizera no dia em que sua mãe morreu e que sua irmã mais velha fizera questão que ela recitasse no velório :

_O tempo não traz nenhuma certeza… A vida não garante o amanhã. ..Mas o amor vai além do tempo, …e é ainda mais perfeito além dessa vida.

E emendou com uma última frase:

_E isso é tudo!

Suspirou profundamente, fechou os olhos, abriu os braços, e com um sorriso nos lábios se atirou lá de cima.

Seu corpo chegou ao chão com um som seco, sem eco, sem vida. Mas ninguém percebeu isso também. Talvez o único espectador tenha sido a cigarra, pois seu canto incansável tornou-se ainda mais lamuriante ao amanhecer.

(:|:)

30 de março de 2009 Posted by | Assassinatos, Obsessivos, Psicóticos | , , , , , , , , , | 1 Comentário